Mensagem de Reflexão para Outubro

  

Há pensamentos que são orações. Em certos momentos, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos..

 

 

 A Páscoa

 

A Páscoa, tal como a celebra a Igreja Católica, mostra muito simbolismo arcaico.

 

A maioria dos ritos católicos foram tomados do Egipto e conservam, por esse facto, muita da sabedoria dos Iniciados Serpentinos. Mas o simbolismo ariano também está presente.

 

 

O mês hebraico de NISAN tem sempre o seu começo na conjunção da Lua com o Sol no signo do Carneiro. Ora, o Sol, no signo fogoso do Carneiro, está no máximo da sua exaltação. O seu poder espiritual é enorme. É o maior que se pode imaginar.

 

Nas cerimónias litúrgicas da Páscoa, na Igreja Católica, acende--se o “lume novo” e entra em cena o círio pascal.

 

(…)

 

É um resto do antigo culto do fogo. De Jesus se dizia que tinha uma língua pior que um açoite e um olhar de fogo. O Sol físico é, por assim dizer, o corpo de um Grande Ser Espiritual que conhecemos pelo nome de CRISTO CÓSMICO, ou ESPÍRITO DO SOL, ou ainda SOL ESPIRITUAL.

 

(…)

 

Estando no signo do Carneiro, um signo de fogo, o Sol torna-se mais poderoso no sentido espiritual e criador, motivo por que toda a natureza se desdobra em vitalidade nas suas variadíssimas formas. Na Terra, por toda a parte se manifesta a maior alegria — apenas no hemisfério onde vivemos, porque no Sul tudo se passa ao contrário! Aqui, as árvores cobrem-se de flores, de folhas e de frutos; todo o reino vegetal se reanima e floresce para dar novos frutos; as aves movem-se mais activamente e preparam-se, como todos os outros animais, para perpetuarem as suas espécies. No hemisfério Sul as aves emudecem, os vegetais não se mostram pletóricos de vitalidade, as folhas amarelecem e caem; a natureza empalidece; os dias tornam-se cada vez mais pequenos e as noites maiores e frias. Tudo, enfim, se passa de modo bem diferente, e até mesmo oposto ao que vemos no hemisfério Norte.

 

*

 

Nesta face da Terra tudo se prepara para a renovação da vida em esfusiante alegria. Por todos os lados escutamos gorjeios ou cantares amorosos das inocentes avezinhas que, afanosamente, fazem seus ninhos, verdadeiros poemas de amor à criação. Neles depositarão os ovos e os incubarão para que deles surjam novas vidas iguais às suas. As amêndoas e os folares com ovos são a memória deste facto e dos pães ázimos dos israelitas. As amêndoas são, de facto, perfeitos símbolos da vida: dentro de cada uma há um fruto da amendoeira que lhe deu o nome e reproduz a árvore que a criou.

 

As amêndoas também recordam a grande abundância de ovos dos pássaros nesta época de ressurreição da vida.

 

A Igreja Católica comemora, por esta ocasião, morte e ressurreição de Jesus. E fá-lo na sua altura devida, pois o Messias foi morto em Jerusalém quando ia tomar parte na festa da Páscoa, mas realmente antes dela. É uma festividade que vem na altura própria, pois a ressurreição do Redentor ocorreu na quadra do ano em que o poder criador do CRISTO CÓSMICO se projecta novamente da Terra para o Céu gerando flores que vão ser frutos, entre cânticos de alegria e gratidão. É uma ressurreição maravilhosa e triunfal, em plena beleza, como que despertando-nos e atraindo-nos para as coisas mais belas que podem e devem conduzir-nos até Ele.

 

 

Francisco Marques Rodrigues