Fraternidade Rosacruz de Portugal

Collegium Fraternitatis Chorus

FAC AVDIRE MIHI VOCEM TVAM

 

Os teóricos medievais, discípulos de Pitágoras e de Platão, de S. Agostinho e de Boécio, distinguiram quatro níveis distintos na música: a Música coelestis — harmonia dos coros angélicos que deu ao mundo criado as suas estruturas arquetípicas; a Música mundana — ou música das esferas, associada ao curso dos astros, sucessão das estações, etc.; a Música humana — o acorde da alma e corpo, da razão e sensibilidade, etc., — e a Musica instrumentalis — a imitação da natureza por meio da arte.

Na Musica instrumentalis distinguem-se outros quatro níveis. O primeiro corresponde ao que se poderia chamar esoterismo integral. Traduz-se pela monodia modal, tal como se encontra no canto gregoriano ou bizantino, baseado em escalas estáveis, codificadas em função da tónica, a unidade de som fundamental. O segundo nível corresponde ao esoterismo relativo e identifica-se na música tonal que assenta no acorde perfeito.

O terceiro também corresponde a um exoterismo, igualmente relativo, mas que se manifesta na polifonia das composições profanas e se mantém, todavia, próximo do grau anterior.

É preciso ter em conta que, na Idade Média e até Ockeghem, no século XV, não havia separação entre canto profano e religioso: o contrafactum limitava-se a modificar o texto.

Temos, por fim o exoterismo absoluto que actualmente se identifica na música atonal, em que os acordes dão lugar a articulações sonoras mais heterogéneas.

Poderíamos dizer ainda que a monodia é uma expressão directa da espiritualidade e que a polifonia é apenas o seu reflexo.

Ora, sendo a voz humana o mais nobre dos instrumentos musicais, a melodia vocal, tanto individual como coral, representa o melhor meio de expressão de uma arte capaz de reproduzir, pelo menos em parte, a linguagem primitiva dos deuses e realizar a transubstanciação pelo som.

 

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