O ascendente era muito poderoso!

Na casa astrológica significadora do lar e da pátria e estava o Mestre da Rectidão, Saturno, e a Cabeça do Dragão, separados apenas por um grau e doze minutos!

Naquele dia, ao nascer o Sol, nascia também aquele menino que se chamaria CARLOS LUÍS GRASSHOFF, no seio duma nobre família dinamarquesa, coma elevada missão de lançar um movimento em favor do ideal cristão, ajudando, assim, a restituir à sua pureza primitiva os ensinamentos de Cristo, completamente deturpados pela ignorância e maldade de certos seres humanos.

O Leão é a casa do Sol e este é o assento desse Grande Ser a quem nome de CRISTO CÓSMICO, para o distinguirmos de Jesus Cristo, visto serem duas entidades bem distintas uma da outra, pois enquanto Jesus Cristo fomenta o impulso da perfeição Humanidade e das suas instituições, o CRISTO CÓSMICO rege todo a nosso sistema solar, e na Igreja Católica é simbolizado na hóstia e na custódia, chamando-se-lhe o “Santíssimo”.

Estando no Leão, o Sol está em todo o seu poder e glória; em conjunção com a Lua, que tem a missão de reflectir os seus raios vitalizantes e fecundadores (a Lua está separada do Sol apenas cerca de quatro graus e meio) e dentro do campo de influência do Ascendente e da Parte de Fortuna (esta indica sempre o ponto de maior actividade num tema astrológico) e ainda favorecido pela presença de Mercúrio no mesmo sigilo, mais poderoso ainda tornou o Ascendente!

E a juntar mais poder espiritual, vemos, na casa dez, a da posição social, Neptuno e a Cauda do Dragão, ambos no mais dinâmico dos doze signos do Zodíaco – o Carneiro.

Por tudo isto se vê que esta criança trazia consigo um alto poder espiritual, que o faria profundo investigador nos domínios do Espírito, onde se notabilizaria, por descerrar o véu que nos separa do Mundo Espiritual.

Muito cedo CARLOS LUÍS GRASSHOFF deixou a sua família e a sua pátria, pois Saturno a isso o impeliu, para que melhor se preparasse para o mais perfeito desempenho da sua alta Missão.

Por isso ele abandonou a sua cidade natal, Copenhaga, e a sua pátria, Dinamarca, para ir pelo mundo além ver outros povos, usos e costumes diferentes, com o fim de conhecer melhor os seres humanos. e assim crescer mais depressa animicamente.

Chegou o tempo em que tomaria definitivamente o caminho espiritual e então ele, que já tinha abandonado os laços sanguíneos de família, abandonou também o seu nome de baptismo, tomando outro que resumiria toda a sua elevada aspiração: MAX HEINDEL.

É interessante conhecer a razão disso.

ODIN, o supremo deus dos povos escandinavos antigos, teve na Dinamarca notável influência. Seu filho, HEIMDALL, que via durante a mais densa noite como durante o mais claro dia, tinha apuradíssimos todos os seus sentidos e por isso fora nomeado guardião do arco-iris e para impedir os gigantes das montanhas de entrarem nos domínios celestes, por serem indignos dessa glória.

CARLOS LUÍS GRASSHOFF encontrou em HEIMDALL o simbolismo que convinha à realização do seu ideal, e então, ao iniciar a sua nova fase evolutiva, adoptou como nome iniciático o desta divindade, alterando um pouco a sua construção: mudou o M, em N, o A em E e suprimiu um dos LL finais, passando a chamar-se e a assinar as suas obras com um novo nome: MAX HEINDEL.

Era seu Íntimo desejo tornar-se o mais sensível que pudesse ao Poder Divino, com o fim de buscar sabedoria espiritual e terrena que pudesse repartir com os seres humanos que estivessem necessitados dela para adiantarem a sua ascensão espiritual, e de facto conseguiu realizar o seu caro anelo!

Deu vida nova à FRATERNIDADE ROSACRUZ, a que deu tudo quanto possuía de terreno e de celeste! Mas, quando tinha realizado esta Obra extraordinária que tem a sua sede no cume de um monte próximo da cidade de Oceanside, na comarca de San Diego, Califórnia, abandonou a existência terrena, tendo apenas 53 anos, cinco meses e catorze dias, deixando sobre a Terra, em que tanto sofreu, lutou e aprendeu, um rasto de luz espiritualizante e de saudade, para regressar à verdadeira Pátria, o Mundo Espiritual ou Celeste.

Cem anos depois do seu nascimento MAX HEINDEL vive ainda na sua magnífica obra e em nossos corações, e por isso a FRATERNIDADE ROSACRUZ atingiu um alto desenvolvimento, não somente na sede, mas por entre os povos cultos.

E vai dando os mais belos frutos, tanto no campo religioso, tornando a religião mais cristalina e forte, libertando-a de superstições e erros grosseiros, como no científico, pois a Filosofia Rosacruz, inteiramente cristã, harmoniza-se perfeitamente com a ciência e com o progresso.

Foi actualizada e trazida ao público em geral por MAX HEINDEL, que a converteu numa verdadeira ciência da vida, dando ajuda aos sãos e aos enfermos, procurando iluminar a consciência de todos e torná-los. assim mais felizes e aptos para as lutas que constituem a vida de cada um de nós.

Vale a pena ir a Oceanside, subir ao Monte da Igreja e dali admirar, não somente o maravilhoso panorama que se desfruta em todas as direcções, mas toda a obra ali realizada por MAX HIEINDEL, a qual transformou um solo inculto e mau num verdadeiro asilo de paz, onde se retemperam as energias do corpo e as da alma.

A obra literária de MAX HEINDEL, em que palpita o seu coração bondoso e o seu intelecto profundo e harmonioso, o que constitui o verdadeiro selo do grande ocultista e místico cristão, é um verdadeiro tesouro para os mais adiantados seres humanos.

Em 23 de Julho de 1965 fechou-se um ciclo de cem anos sobre o nascimento de um Grande Iniciado Cristão que passou à História com o nome inconfundível de MAX HEINDEL. E, por este facto, de tão grande importância, justifica-se plenamente o júbilo que inunda os corações dos seus seguidores, que, de alma transbordante de gratidão para com o Mestre, festejam este dia e lhe pedem o seu auxílio para caminharem com maior segurança na senda cristã por ele aberta com sacrifícios de toda a ordem, em pouco mais de dez anos!

Max Heindel despediu-se em 6 de Janeiro de 1919, para regressar ao mundo espiritual.

Francisco Marques Rodrigues