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A sociedade actual caracteriza-se igualmente por intensos fluxos migratórios externos. No actual ciclo de crise económico-social, com parêntesis colocados em torno de alguns valores que argamassavam as morais sociais, afigura-se conveniente reunir energias reorganizativas capazes de subtrair os migrantes às vicissitudes sociais. Ou seja, importa que se evite a formação de grupos fechados sobre si mesmos e avessos às tradições e costumes, colocando-se abaixo do nível desejável de assimilação civilizacional.
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Uma reflexão sobre os riscos de tal modo de vida põe a questão de saber como se podem levar a cabo os objectivos cardeais do nosso tempo inscritos em todas as agendas políticas, desde a abolição das tensões sociais, à fome e ao acréscimo da instrução, e onde podemos incluir uma reflexão sobre a natureza humana que possa esclarecer os contornos do progresso espiritual.
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Enquanto uns preferem avaliar o êxito dos projectos em curso com estatísticas de trabalhos e estudos caracterizados por enorme acuidade de consciência, mas acompanhados de uma notória incapacidade para alterar a marcha implacável dos acontecimentos, entendemos que se devem procurar os verdadeiros resultados longe desses faladores, nos factos e sintomas quotidianos.
A este nível encontram-se revelações quase alarmantes que podem ajudar a acordar a espécie humana para realidades trans-políticas. Põem em evidência uma fenomenologia determinativa que liga entre si complexos de causas só dificilmente visíveis a olho nu. E ao revelar as dependências em que se encontra a vida em sociedade, a ideologia e a ética, ajudam a prever, em boa parte, os caminhos que se oferecem à humanidade e as respectivas alternativas. As propostas assim fundamentadas ultrapassam os bons e os maus, as ideologias certas e erradas e até as razões meramente técnicas e exteriores ao homem. Situam-se no cerne do problema humano: o sujeito natural e social que é o próprio homem, as leis da evolução universal, a origem e o destino do mundo.
Dito isto, compreende-se que não há inserção na sociedade e no progresso global que se pretende alcançar, no seu amplo sentido mais geral, sem uma iniciação nos valores estruturantes da nossa cultura que se tenha imposto socialmente e venha agindo junto de minorias sociais.

F.M.C.