Mensagem de Reflexão para Setembro

  
O cristianismo realça os benefícios do arrependimento e os efeitos do perdão. É isto que o torna relevante numa sociedade actual, como a nossa.

Os Rosacruzes e a Música Barroca

João Sebastião Bach

João Sebastião Bach e os Rosacruzes


O som tem uma influência física tão importante como a intelectual, emocional ou espiritual. O corpo reage, comprovadamente, a certas ressonâncias, timbres e ritmos. A Igreja, na Alta Idade Média, já conhecia esse poder. Usou-o para provocar reacções definidas nos crentes.

Com a secularização da música, também a cultura, antes confinada aos conventos, alastra para o domínio popular. A música dirige-se, então, cada vez mais, aos conhecedores, em contraste com a música sacra destinada à multidão ávida de satisfações religiosas, mais do que estéticas e intelectuais.

A secularização da música, inicia-se com os trovadores e atinge o seu ponto máximo com as oratórias de João Sebastião Bach e na música de Heindel.

Vitalidade e Rigor

A missão espiritual de Bach era a de promover a união do intelecto com a alma. O notável rigor matemático da sua música apela ao intelecto enquanto que a façanha musical desperta os poderes da alma contrariando a tendência materialista do ocidente.
Bach viveu no período histórico a que podemos chamar “período rosacruciano”, entre a Renascença e a pseudo-revolução científica do século XVIII. Não ficou alheio à influência rosacruz e tornou-se, parece evidente, um dos seus membros. Bach comunicou esta filiação à maneira barroca, em código, segundo a tradição. De facto, o primeiro voto do iniciado é o do silêncio.

Nenhum verdadeiro irmão se intitula, publicamente, “Rosacruz” e, por isso, aquele que se proclama publicamente um deles, já por esse facto o não é.

Os iniciados, e só eles, conhecem aqueles que, no passado, foram rosacruzes, porque nas suas obras brilham inconfundíveis sinais, palavras e frases indicadoras dessa ligação com a Fraternidade, embora estejam ocultas aos profanos.

Vamos então seguir o fio de Ariadne e percorrer o labiríntico esquema de algumas das suas obras para encontrar a comunicação que procuramos.

A “Fama Fraternitatis”

A Fraternidade revelou-se publicamente em 1614, com a edição de um documento como título “Fama Fraternitatis (Ecos da Fraternidade) da Mui Louvável Ordem dos Rosacruzes”. A sua autoria é atribuída a J. V. Andreia.

Nesta obra descreve a vida de Cristão Rosacruz (Christian Rosenkreutz), que funda a Fraternidade Rosacruz. Explica como Pai Rosacruz foi sepultado, depois de abandonar o corpo físico e como a sociedade dos Rosacruzes devia permanecer secreta durante 120 anos.

Quando se deu início à transformação do templo, os Fraters arrancaram da parede uma placa de latão, revelando uma porta secreta, com a inscrição Post CXX annos Patero (depois de 120 anos serei aberta) .

Esta porta dava acesso a um templo com sete lados, em abóbada, com inscrições de símbolos conhecidos.

No meio do recinto havia um altar redondo com diversas inscrições. Numa delas lia-se: “ACRC Hoc Universi Compendium Vivus Mihi Sepulchrum Feci” (Em vida dei para mim, como túmulo, este resumo do universo).

A Tradição Hermética

Bach usou a linguagem cifrada dos números em toda a sua obra. Segundo a tradição, a origem, a ordem, a harmonia e a influência dos céus podem ser explicados por meio de certas operações baseadas no valor numérico das letras.

Cada letra, além do valor numérico, encerra também uma ideia porque a palavra e o número conjugados, segundo os cabalistas, são os instrumentos por meio dos quais Deus chamou o cosmo à existência.

Quer dizer, os números não podem ser entendidos apenas como meios úteis para ordenar logicamente o universo, mas também como símbolos do Absoluto.

Assim, de acordo com a regra talmúdica, cada letra tem um certo valor numérico. Com base nesta equivalência Bach escreveu a sua obra segundo um esquema lógico que não pode ser nem jogo intelectual nem simples coincidência.

A Obra

Autor de vastíssima obra, incluindo canções, danças, missas, etc., Bach recorre à ambivalência do véu, que é ao mesmo tempo transparente e opaca, para revelar a sua filiação na Fraternidade Rosacruz.

O primeiro véu foi tecido determinando o valor numérico do seu próprio nome: Bach (A=1, B=2, etc.) Como era hábito na altura, o “J” tinha o mesmo valor que o “I” e o “U” o mesmo que o “V”. O resultado é 14. Vai usar este número com frequência.

A Oratória de Natal tem 14 coroais e 14 árias. Na Paixão Segundo S. Mateus, Cristo “canta” em 14 recitativos, etc.

No segundo véu faz a ligação entre o seu nome e o de Christian Rosenkreutz (Cristão Rosacruz), usando, também, os valores numéricos equivalente. 97 é o valor da palavra Christian (Cristão) e 155 corresponde a Rosencreutz (Rosacruz), somando 252.

Usou este número simbólico num certo número de obras para instrumentos de teclas. O autor chamou “Invenções” a um grupo dessas obras. São 15 peças em 2 partes ou “vozes”. A um segundo grupo chamou-lhes “Sinfonias”. São mais 15 peças, a “3 partes”.

As sinfonias estão escritas em vários tons. As mais importantes começam com C (dó) maior (a 1ª sinfonia), C (dó) menor (a 2ª sinfonia); D (ré) maior (a terceira), etc.

Neste grupo há partituras escritas com os mesmos tons e pela ordem com que o autor escreveria o seu nome: BACH, isto é,

B  A  C  H
Si la do si (bemol)

Contanto o número de todos os compassos destas quatro partituras observamos que: a Sinfonia nº 14 em B sustenido tem 24 compassos; a n.º 13 em A bemol tem 64; a n.º 2 em C bemol tem 32 e a n.º 15 em H bemol tem 38.

A soma dos compassos destas quatro partituras é 158, que é o valor numérico do seu nome: Johan Sebastian Bach.

No grupo das “Invenções” também existem peças com os mesmos tons. O número dos seus compassos é o seguinte: 20, 25, 27, 22, somando 94. A adição de 158 + 94 dá como resultado 252, que é o valor numérico do nome de Cristão Rosacruz, em língua alemã!

A Antiguidade Clássica reconhecia a existência de uma realidade superior, habitada por energias invisíveis. Partindo do homem, que ela colocava naturalmente no centro, o universo era dividido num ternário de manifestação.

Bach segue uma evolução idêntica. Parte do auto-conhecimento, da sua profundeza, da interioridade, para a transcendência. Tece, finalmente, o terceiro véu, baseando a estrutura de algumas obras no valor numérico da frase-chave encontrada no templo onde estava o túmulo de Cristão Rosacruz.

O valor numérico das palavras desta frase é: ACRC, 24; Hoc, 25; Universi, 111; Compendium, 107; Vivus, 87; Mihi, 38; Sepulchrum, 129; Feci, 23. Soma: 544, que é a soma do total dos compassos das 15 sinfonias.

Na Oratória de Natal e no Magnificat, entre outras obras, Bach associa o número 544 a outros que, vamos ver, dizem respeito a uma data.

Baseando-se no ano do nascimento de Cristão Rosacruz, em 1378, segundo a Fama Fraternitatis, que deu origem ao “calendário rosacruz”, Bach revela, muitos anos antes, o dia, mês e ano da sua própria morte. Encontramos o dia e o mês na obra Magnificat, envolvidos pelo valor numérico das palavras acima referidas.

Nesta peça, para coro, solistas e orquestra, o coro (Fecit Potencian) tem particular importância. Ocupa 28 compassos em tempo rápido (o texto começa por Fecit Potencian...) e mais 7 em tempo lento (o texto começa por Mentecordis sui...). A soma de todos os compassos da peça é 579, assim dispostos:

302
28 + 7
242
544 + 28 + 7 = 579


Temos, assim, o dia (28) e o mês: Julho (7).

Se analisarmos agora as 3 últimas trio-sonatas para órgão, vemos que:

A sonata nº 4, tem 207 compassos;
A sonata nº 5, tem 372 compassos, e
A sonata nº 6 tem 337 compassos.

A soma dos compassos da quarta e da sexta é 544! A sonata número 5 tem 372. É a sonata-chave para determinar o ano, porque tinha inicialmente 155 compassos , com valor numérico igual ao da palavra Rosacruz (Rosenkreutz).

Bach viria a falecer, portanto, no ano 372 do calendário rosacruciano, que se inicia no ano do nascimento de Christian Rosenkreutz: 1765 do calendário gregoriano, ou sejam 1378+372.

Perante tão interessante revelação, resta-nos agradecer, como Plussihem ao conhecido compositor Félix Mendelsohn, por ter “redescoberto” Bach em 1829, 79 anos depois do falecimento do genial arquitecto da música, já então quase esquecido, e “encontrar a sepultura do Irmão J. S. Bach onde bem poderiam estar gravadas as palavras “Post LXXIX Anno Patebo”.

F. C.

Discografia

Oratória de Natal (BWV 249; Paixão Segundo S. Mateus (BWV 244); Invenções, a duas partes (BWV 772-86); Invenções (Sinfonias) a três partes (BWV 787-801); Magnificat (BWV 243a).
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