Mensagem de reflex茫o para Julho

O car谩cter d谩 esplendor 脿 juventude e rever锚ncia aos cabelos brancos.

Casa de Pais, Escola de Filhos

H谩 muito, muito tempo, na dinastia Shang, um fil贸sofo chin锚s apresentou nos seus escritos uma vis茫o cosmog贸nica da natureza, onde os opostos por ess锚ncia se encontram unidos e equacionados: Yang-Ying: o C茅u e a Terra, o Fogo e a 脕gua, o Ver茫o e o Inverno, a Noite e o Dia, o Masculino e o Feminino.

A tradi莽茫o judeo-crist茫 tamb茅m o afirma quando diz que o mundo nasce da separa莽茫o entre a luz e as trevas (Gen 1, 3-10)1.

Estes dois princ铆pios, masculino e feminino, s茫o os dois elementos do sopro primordial integradores do c铆rculo m谩gico da fecundidade. O fen贸meno da vida identifica-se com este sopro. As duas manifesta莽玫es s茫o iguais, mas opostas na tonalidade e na posi莽茫o. Unidas, formam uma unidade, um todo. Um todo c贸smico, um Mundo.

H谩 valores, cren莽as, ritos e institui莽玫es diversas que derivam da uni茫o entre o masculino e o feminino que s茫o comuns a todas as culturas. Todas elas consideram que esta unidade, em que se fundamenta a fam铆lia, n茫o 茅 s贸 uma quest茫o privada: tamb茅m diz respeito 脿 sociedade.

A pervers茫o que resulta do desprezo por estas no莽玫es de separa莽茫o, de estrutura e organiza莽茫o, a que j谩 Plat茫o (428-347 a. C.) se referiu no seu tempo, tende a eliminar todo o universo de diferen莽as em que t锚m in铆cio todos os princ铆pios de ordem2.

脡 que este n煤cleo vital desempenha uma fun莽茫o social que outras uni玫es n茫o desempenham. E, por ser condi莽茫o da estabilidade e harmonia da sociedade, deve ter ele pr贸prio garantia de estabilidade no tempo. Torna os progenitores aut锚nticos pro-criadores, capazes de tornar vi谩veis as vidas que germinaram e fizeram depender de si. Este 茅 o primeiro acto de responsabilidade social dentro de uma estrutura familiar saud谩vel e adequada para enfrentar o desafio central da fam铆lia: a educa莽茫o da crian莽a. O trin贸mio pai-m茫e-filho n茫o 茅 um simples acidente na Hist贸ria. 脡 largamente maiorit谩rio nas civiliza莽玫es por ser a estrutura mais forte e est谩vel.

Privar uma crian莽a da diferen莽a sexuada ente o pai e a m茫e n茫o 茅 s贸 priv谩-la das aptid玫es individuais: 茅 priv谩-la tamb茅m da diferen莽a estrutural entre a posi莽茫o paterna e a posi莽茫o materna. Isto porque a crian莽a, seja rapaz ou rapariga, tem necessidade das suas refer锚ncias identificadoras para descobrir a sua personalidade de homem ou de mulher.

A crescente desafei莽茫o do casamento e a ruptura das uni玫es conjugais, de certo modo apoiado pelo Direito social e fiscal, pode afectar o equil铆brio afectivo da crian莽a. Aquilo que muitas vezes se julga ter origem heredit谩ria, pode ser, no fundo, o reflexo de influ锚ncias exteriores e, muitas vezes, fruto da passividade dos pais. De todas as causas, necessariamente variadas, que permitem explicar o aumento da viol锚ncia escolar, temos de considerar na base o problema da fam铆lia, cuja ac莽茫o formativa-educativa enfraquece sem cessar. E com a evolu莽茫o da fam铆lia do tipo conjugal para outros modelos que se julgam equivalentes, a orfandade assume agora novos aspectos. 脌 orfandade biol贸gica acresce a orfandade social, isto 茅, aquela que deriva do n茫o cumprimento por parte dos pais dos deveres e obriga莽玫es morais, inerentes 脿 sua importante fun莽茫o: casa de pais, escola de filhos.

Conv茅m ter presente no esp铆rito que a crian莽a 茅 um ser particularmente dependente dos outros. Sendo insuficiente, s贸 pode apresentar a sua candidatura ao estado de adulto por meio do processo da imita莽茫o3. Por isso, a crian莽a reflecte, por querer ou sem querer, tudo quanto a cerca.

Quando n茫o devidamente disciplinada e orientada, a crian莽a 茅 um ser irrespons谩vel. Apenas obedece, sem peias, 脿 for莽a das suas tend锚ncias. Tudo o que se lhe oponha, tudo ela pretende 鈥渧encer鈥 sem a no莽茫o das consequ锚ncias. Age quase sempre com as caracter铆sticas da inf芒ncia bem conhecidas: impulsividade, agressividade, crueldade.

脡 certo que as crian莽as gostam de barulho, brincam entre si aos socos, formam at茅 bandos dirigidos pelos mais fortes. Mas quando esse comportamento n茫o for acompanhado, canalizado e disciplinado, quando sobre ele n茫o se exercer uma sistem谩tica ac莽茫o cat谩rtica, as tradicionais diabruras e travessuras infantis degenerar茫o, irresistivelmente, em actos delituosos e b谩rbaros.

Mas a viol锚ncia escolar n茫o 茅 apenas alimentada por lares desestruturados ou com problemas econ贸micos; 茅 tamb茅m promovida pela 鈥渢rai莽茫o鈥 das fam铆lias abastadas quando beneficiam um filho em preju铆zo do outro 鈥 ou quando o 煤nico filho se torna o centro do mundo familiar, excessivamente mimado, voluntarioso, caprichoso. S茫o crian莽as a quem os pais d茫o tudo o que 茅 necess谩rio para crescerem e se desenvolverem fisicamente, mas que nada recebem que os fa莽a crescer 鈥減or dentro鈥.

Em tais situa莽玫es afigura-se adequada a defini莽茫o de regras de conduta que envolvam professores e pais, para que estes possam cumprir a sua miss茫o 鈥 uma vez que nada, que se conhe莽a, pode substituir a sua ac莽茫o formadora da fam铆lia digna de tal nome. A escola e a sociedade n茫o podem substituir-se 脿s responsabilidades que competem 脿s fam铆lias, designadamente no campo da educa莽茫o. S贸 as utopias totalit谩rias defendem o desmantelamento da fam铆lia para mais facilmente dominarem cada um dos membros da sociedade.

Quando, por茅m, n茫o se trate de erros familiares, ent茫o h谩 a considerar outras influ锚ncias ou erros pedag贸gicos. Urge emend谩-los rapidamente, restituindo ao aluno a confian莽a na Escola 鈥 ou nos professores, conforme as circunst芒ncias.

Com a imita莽茫o a crian莽a n茫o segue, geralmente, a direc莽茫o pr贸pria das sociedades equilibradas e saud谩veis: imitam mais facilmente os costumes baixos, a linguagem rasteira, os comportamentos pouco dignos. 脡 preciso que a disciplina interior, como base da disciplina exterior, triunfe nos jovens irreflectidos e irrespons谩veis. Se eles n茫o souberem individualizar-se, no sentido mais nobre da palavra, levar茫o para a vida social os germes da desordem e da anarquia bem sucedidos na Escola. Assim desumanizados, tornam-se presa f谩cil de 铆dolos da pra莽a p煤blica ou caudilhos ocasionais.

Este assunto tem sido, nos nossos dias, alvo de alguma aten莽茫o medi谩tica pontual, circunstancial, emocional, e principalmente pouco centrada naquilo que deveria reclamar a centralidade plena deste problema: a solu莽茫o.

Tal 茅 o panorama actual.

脌 explica莽茫o das causas destes problemas, baseada na interpreta莽茫o do momento e ao sabor das circunst芒ncias, adiciona a filosofia rosacruz uma pondera莽茫o normativa e axiol贸gica sobre o que h谩 de contradit贸rio na procura do bem de uma na莽茫o, ou da humanidade, atrav茅s do 鈥渆svaziamento鈥 mental e psicol贸gico das pessoas concretas que as constituem. 脡 que outra coisa n茫o 茅 sen茫o um 鈥渆svaziamento鈥 o abandono, ou a indiferen莽a, de certos princ铆pios, conceitos e disciplina que constituem o 鈥渃onte煤do estrutural鈥 da nossa vida mental, afectiva e social. E dizemos 鈥渃onte煤do estrutural鈥 porque tais princ铆pios, conceitos e disciplina, n茫o t锚m apenas um significado contingente, mais ou menos fugaz: s茫o valores qualitativos e din芒micos que t锚m o poder de nos mover, ou co-mover, em dire莽茫o a um destino superior 脿quela realidade mesquinha e habitual em que vivemos.

F. C.

Notas

1. A tradi莽茫o grega diz o mesmo quando individualiza a hybris na arrog芒ncia. A palavra hybris encerra o sentido de excesso, o que ultrapassa a medida: o 鈥渕茅tron鈥. 脡 o pecado que mais irrita os deuses, a culpa que exp玫e 脿 amea莽a do h铆brido, onde tudo se confunde na mistura e no apagamento das diferen莽as.
2. Plat茫o, F茅don, 67 a.
3. Max Heindel, Princ铆pios Rosacruzes para a Educa莽茫o Infantil, p.8, F.R.P., 2005.

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