Mensagem de reflexão para Setembro

 
 

Não há modo de mandar, ou ensinar, mais forte e suave do que o exemplo.

 

Autodomínio e Confiança Própria

 

O autodomínio é uma faculdade que não se obtém facilmente. Implica o uso de poderes activos que são o resultado do trabalho consciente realizado nos diferentes planos de consciência. Dominar as nossas ardentes paixões e usar o poder ganho por esta força por meio de tal domínio, para propósitos construtivos, é tarefa essencial do rosacruciano dedicado.

Antes que o homem em formação, como ser puro, inocente e ignorante, tivesse começado a sua jornada através da matéria, ele existia no Mundo dos Espíritos Virginais e possuía a consciência divina. Estas chispas divinas eram «omniconscientes», como Deus, em quem foram diferenciadas.

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 Assim, no Período de Saturno, ele começou a sua jornada para «baixo», a involução, no oceano da matéria de densidade gradualmente crescente, de tal maneira que pudesse adquirir poder de alma e mente criadora. Desta forma, a individualização de cada chispa ou espírito virgem pôde ser um facto.


«No processo evolutivo, até o homem adquirir consciência própria, absolutamente nada lhe foi deixado ao acaso»1. Foi somente depois de ter obtido certo grau de consciência de si mesmo, que ele pôde começar a exercer o livre arbítrio e a iniciar o desenvolvimento dos seus poderes espirituais, poderes esses que o aspirante cultiva na sua peregrinação, conforme se torna mais e mais consciente de que a vida divina está contida em tudo o que existe, pequeno ou grande.

No mundo físico, no nosso presente Período Terrestre, encontramos as ideais condições para provar as nossas próprias ideias individuais, pois é na época que decorre que temos a oportunidade de obter enormes capacidades de pensamento recto.

(...)

Com o autodomínio vem a confiança própria, faculdade que deve ser cultivada pelo estudante que segue avante o seu caminho evolutivo. Em linguagem esotérica é muito vulgar dizer-se que somos «deuses em formação» apesar do inverosímil que o facto possa parecer quando contemplamos a nossa presente maneira de viver. Mas este particular não é indicativo do que viremos a ser. A confiança própria é da maior importância à medida que nos aproximarmos conscientemente desta alta meta.

(...)

No presente estado do nosso desenvolvimento é evidente que o homem está a trabalhar, de uma maneira original e concludente, com o reino mineral, pois é neste que o homem tem de exercer o seu legítimo domínio, neste Período Terrestre. Aqui trabalha de uma forma única e independente, mas conforme formos compreendendo o alcance científico do homem no reino mineral, com todas as suas ramificações e emanações, poderemos, por meio da lógica e da comparação, obter um vislumbre do nosso desenvolvimento futuro. De forma semelhante trabalharemos com os outros reinos nos períodos que se seguem: Júpiter, Vénus e Vulcano. O caminho é sempre para diante e para cima.

A medida do tempo usada por nós não é adequada quando falamos sobre estes assuntos, porquanto serão necessários milhares de anos para que toda a humanidade tenha alcançado a meta.

(...)

Quando tivermos adquirido o autodomínio e começado a confiar em nós mesmos, obteremos o desenvolvimento de nós próprios e, conjuntamente, com tudo isto, vem o sentido pessoal de responsabilidade.

Não podemos esperar desenvolver todas estas dificuldades se não nos tornarmos responsáveis pelo seu resultado. Todos temos que responder pelo nosso desenvolvimento que é único e individual.

Para enriquecer o nosso eu interno e cultivar todas as nossas possibilidades latentes, temos que enfrentar as duras consequências do nosso mau proceder, isto é, de todos os nossos deslizes, porquanto tudo o que o indivíduo fizer a outrem, a si mesmo o faz: «pois cedo ou tarde terá de suportar o peso de acção igual». Nem sempre os resultados são seguros: temos de agir por meio do método da prova e do erro.

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Pitágoras disse: «Não é livre nenhum homem que não possa dominar-se a si mesmo». Muito temos ouvido falar sobre liberdade individual, que é a nossa inestimável herança, mas quão raramente compreendemos que não pode haver liberdade pessoal duradoira sem a responsabilidade pessoal.

Eis a razão por que, aqueles que mais falam em liberdade, são, por via de regra, aqueles que menos a compreendem.

Quanto mais próximos estamos do nosso plano, no qual cada um de nós deve guardar-se só, maior será a responsabilidade que teremos sobre os nossos ombros. Desta forma se adquire mestria, trabalhando para um propósito comum, sendo o único líder e a única luz, o Cristo.

Nos ensinos da Sabedoria Ocidental vemos que o governo de cada um de nós mesmos é a meta, contrariamente aos ensinos místicos orientais. Nestes, o discípulo segue um «guru», um mestre que é, ao mesmo tempo, um amo. Aprende muitas lições valiosas obedecendo-lhe inquestionavelmente.

(...)

«Quem pretender do Mestre mais do que uma orientação ficará decepcionado. Não importam as aspirações que alguns Mestres possam ter, não importa se eles vêem física ou clarividentemente, não importa quão espirituais nos pareçam. Os Mestres, definitivamente, não podem praticar por nós as boas acções necessárias para o crescimento anímico, nem dar-nos o consequente poder da alma, pronto para ser usado, do mesmo modo que ninguém nos transmite força física ingerindo o nosso alimento»2.

Sim, a confiança própria é uma virtude fundamental que deve ser cultivada se desejamos chegar a ser Mestres por nosso próprio direito.

Devemos aprender a orientar-nos sós, e podemos fazê-lo alimentando e fortalecendo as faculdades que nos fazem assumir a responsabilidade pelas nossas próprias acções.

É uma questão de trabalhar calmamente, quaisquer que sejam as tarefas que a vida nos apresenta pela frente e o esforço diário de cooperar com aqueles que se dedicam ao bem de toda a humanidade, independentemente de povos, cores, raças ou religiões, porquanto, sendo todos filhos de Deus, todos são irmãos e muito dignos de amor e respeito entre si.

(...)

Na nossa mui longa caminhada evolutiva, é preferível cometer erros em esforços originais, do que tentar acertar copiando os dos outros. Devemos compreender sempre que o homem, como pessoa, não pode obter tal coisa, porque somente o homem consciente da sua divina origem e conhecedor da sua elevada meta – o Homem dentro de Deus – será capaz de cumprir o seu destino. Também devemos ter sempre bem presente que, o egoísmo, a intolerância e o ódio são a causa da desgraça da humanidade deste orbe do retardamento da evolução dos homens para Deus! Mas urge, na época que decorre, a nossa reabilitação, pela purificação do nosso eu superior, substituindo todos os maus predicados pelo «amor pureza» para com todos os nossos irmãos antes de podermos oferecê-lo sobre o altar da humanidade. O egoísmo  procura obter o seu próprio conforto sobre o plano material e o próprio engrandecimento diante do público.

(...)

Poder-se-ia, se fosse tarefa fácil, escrever um livro referente a cada pessoa, não importando quanto escura pudesse ser a sua vida. Ao completarmos o nosso trabalho, teríamos de reconhecer que todos são diferentes, isto é, não há duas pessoas iguais no mundo, pelo que podemos concluir que a reacção do indivíduo às inevitáveis consequências da vida, fará a sua história mais interessante e rica. O seu desenvolvimento interno dar-lhe-á cor e, conforme a história da vida se for desenvolvendo diante dos nossos olhos, podemos observar que tudo quanto lhe acontece lhe dá lições que ele não poderia obter de outra maneira. E assim, depois de muitas vidas e esforços, ele nascerá uma pessoa livre. Tendo aprendido que a consequência dos apetites escraviza, ele os vencerá, e jamais será escravo de qualquer pessoa.

Quando o aspirante à vida superior segue o chamamento do espírito, reconhece «não haver um só caminho para a alcançar, pois cada qual, por si só, é que deve achar o caminho da paz». Aquele que for persistente, desenvolve o seu eu superior, e o autosacrifício abre o caminho para um avanço ainda muito maior no plano espiritual.

Temos de suportar a mó do moinho da experiência sobre os nossos ombros na jornada que escolhemos, o do caminho do progresso consciente.

(...)

Tal facto implica penas e sofrimentos, mas o espírito adormecido dentro de nós despertar-se-á finalmente. Aperfeiçoaremos os nossos veículos. E a firmeza dos nossos propósitos decidirá da batalha a nosso favor.

(Resumo do texto publicado)

 

J. R. S.

1. Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmo, 4ª ed. p. 132, F.R.P., Lxª 2005.
2. Max Heindel, Mistérios das Grandes Óperas, F.R.P., Lxª 1997, pp. 25-26.

 

 

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