Mensagem de reflexão para Setembro

 
 

Não há modo de mandar, ou ensinar, mais forte e suave do que o exemplo.

Revolução Moral

 

Na fase do desenvolvimento histórico que estamos a atravessar avultam duas ordens de factores que antes progrediam muito lentamente. A primeira delas, que teve início há quinhentos anos com os Descobrimentos portugueses, é a unificação do mundo agora chamada “globalização”; a segunda, uma inovação mais recente facilitada por essa unificação, é a ameaça constantemente dirigida às funções superiores das hierarquias sociais, ao cidadão anónimo e às populações incautas.


Com efeito, os países mais prósperos, as cidades mais populosas e importantes, as zonas mais ricas e avançadas, os pontos fulcrais da civilização técnica em que se concentram o progresso, a riqueza e o poder, adquirem o inconveniente de se tornarem alvos obrigatórios do novo tipo de violência que irrompe quando diferentes formas culturais se encontram sem bases éticas de convivência.

Se a Europa gozou depois de 1945 de um período de paz, o mesmo já não poderá dizer-se do mundo no seu conjunto. Na degradação do tecido ético, no vandalismo marginal e no próprio crime organizado, esta violência contra a espécie humana deixa na memória colectiva uma mancha de espanto e de náusea.

Por que motivo, tendo-se alterado em muitos casos o meio envolvente técnico e científico, as condições materiais e sociais, as estruturas hierárquicas e o perfil dos dirigentes políticos, porque motivo, pergunta-se pois, se repete a natureza das motivações e até mesmo o teor das justificações produzidas?

Poderíamos ir desfiando imensas considerações. Mas o importante aqui é pôr a claro o que se oculta no “sistema” sócio-cultural que governa a espécie humana.

Com efeito, só a desmontagem do “sistema” – o conjunto de normativo de regras sociais desenvolvidas através do tempo – permitirá conhecer melhor o porquê do desfecho a que chegámos.

Raciocinando em termos técnicos, parece que um dado “sistema” se assemelha a uma máquina com defeito de fabrico, ou, melhor dizendo, não devidamente aperfeiçoada. No que consistem, então, os seus elementos ou peças?

É fácil compreendê-lo por aproximações sucessivas. Tomemos o homem medieval e observemos como ele vivia e de que meios técnicos, sociais e culturais fazia uso; procedamos do mesmo com o homem do tempo dos Descobrimentos; e, por fim, com o homem actual. À medida que vamos seguindo este percurso notamos que os diversos poderes – económico, social e político – se entrelaçam cada vez mais. Formam até uma bizarra “trindade” cada vez mais interdependente. As diversas transformações em cada um desses domínios apenas transferem a “exploração do homem pelo homem” de um campo para outro.

Poderemos então concluir que a raiz de todas as violências é de natureza económica, social ou política? Nada disso. Essas são apenas as “sementes” que germinam na “terra” que é a natureza humana, medianeira inevitável entre as intenções e os actos, as causas e as consequências. Todas as perguntas que fizermos para tentar descobrir qual a causa determinante levariam à resposta dramática de que, tendo mudado tudo, só não mudou o causador dos conflitos: o homem social, integrado no “sistema” sócio-cultural que lhe serve de palco a todos os actos agressivos.

Significa isto, então, que é o cinismo das diversas ideologias que faz obscurecer as consciências? Que este cinismo, frequentemente ligado ao cinismo dos negócios e dos grandes tráficos, pode colocar o “útil” no lugar do “bom” e, desta forma, anular a distinção entre o Bem e o Mal?

O que tudo isto quer dizer é que, com as mesmas causas e até com ideologias semelhantes, estão hoje reunidas condições humanas e aptidão psíquica e cultural capazes de conduzirem o mundo ao encontro de uma solução pacífica dos seus múltiplos problemas. Bastaria, “simplesmente”, agregar ao “sistema” um importante elemento: a “moral”. Só que, “simplesmente”, a “moral” está associada ao “costume”. E tanto o costume como a Lei – a expressão que uma comunidade tem do Bem e do Mal – são eminentemente conservadores e prestam-se à glorificação do status quo.

É o que nos revela a História. Os sentimentos, as emoções e os próprios avanços do raciocínio têm um progresso tão lento que a sua observação frequentemente nos escapa.

Basta recordar como foi morosa a transformação da sensibilidade cristã, em particular a que resulta do movimento de profundidade que teve início nos séculos XII e XIII. Originou uma das mais importantes inflexões da história mental, através da direcção dos valores infantis com a divulgação progressiva de certos temas evangélicos, o desenvolvimento da liturgia do Natal e o florescimento das lendas sobre o Menino Jesus.

Historicamente falando, o desenvolvimento moral consiste em grande parte na tentativa de encontrar uma base racional de conduta implicando a crítica e, se necessário, a remodelação de regras de comportamento impostas pelo costume. Escusado será referir o facto de este processo estar longe de se encontrar concluído. Por isso, grande parte da nossa moral de hoje ainda não alcançou a reflexão.

A lição que pode extrair-se é que a “moral” permitiria ao “sistema” conjugar justiça com solidariedade e liberdade com honestidade, a fim de evitar a sua perversão.

Tem aqui a filosofia rosacruz a seu cargo a tarefa de desmistificar as bases milenárias da lógica da violência, facultando uma melhor compreensão da lógica evolutiva. Não será um mundo apenas social ou politicamente mais perfeito, nem tão-pouco unicamente mais sábio ou tecnicamente mais evoluído: terá de ser tudo isso ao mesmo tempo, porque será habitado por homens mais perfeitos e naturalmente mais bem preparados para a luta da evolução, ou seja, para o futuro do universo.

Este é um objectivo pragmático-reformador que permitirá integrar sinteticamente, descobrindo-lhes os vínculos naturais, as conquistas de todos os elementos do “sistema”, de modo a construir uma imagem actualizada e harmonizada, contribuindo para uma reforma total do comportamento humano – numa palavra, para um novo Iluminismo Rosacruz.

F. M. C.

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