Mensagem de reflexão para Setembro

 
 

Não há modo de mandar, ou ensinar, mais forte e suave do que o exemplo.

Guias e Mestres da Humanidade

S. Paulo


S. Paulo é, entre os apóstolos de Jesus, o mais grato à simpatia dos adeptos do rosacrucianismo.

 

 

Contribuem para isso as circunstâncias verdadeiramente extraordinárias de que se reveste a sua conversão à doutrina cristã, a sua inaudita cora em proclamar as verdades que lhe foram reveladas, a intrepidez, ante as perseguições e o martírio, a sua actividade constante na difusão da fé, e também a excepcional clarividência e sentido esotérico que ressaltam das suas palavras, outras tantas pérolas de sabedoria divina, como as que nos deu nas suas epístolas. Nelas, S. Paulo não duvidou em ser severo para aqueles que, como ele, seguiam a Cristo, sempre que esses se desviavam do bom caminho ou interpretavam erradamente a doutrina que a todos devia unir e jamais dividir.

Quanto ao cabo duma vida repleta de trabalho, declara «não ser ele que vive, mas sim o Cristo que vivem em si», demonstrou insofismavelmente, ter atingido o grau máximo do Iniciado.

Saulo (que significa o desejado), nasceu em Tarso, cidade da Ásia menor, nas faldas do Monte do Touro, nos primeiros anos da era actual.

Seus pais eram hebreus abastados e ao oitavo dia após o nascimento foi circuncidado, como era hábito.

Pelos cinco ou seis anos entrou na escola onde aprendeu não só a ler e a escrever, em hebraico e grego, como a interpretar os textos bíblicos. Consagrou-se, ao mesmo tempo, como era costume da época, a uma profissão manual, escolhendo a de tecelão, na qual veio a ser exímio. Confessou mais tarde que, mercê do exercício da sua profissão, nunca fora pesado a ninguém.

Partiu depois para Jerusalém onde continuou a aperfeiçoar os estudos, tendo por mestre Gamaliel, que era no seu tempo o mais culto e competente.

Saulo aproveitou muito desse ensino, tendo por companheiros rapazes que mais tarde foram elementos de destaque.

Concluído o curso, Saulo voltou a Tarso, para exercer a missão de magistrado. Duas seitas orientavam e governavam: os saduceus e os fariseus. Saulo ingressou nesta última.

Começava a aurora do cristianismo. Pouco a pouco, mas em bases sólidas, os discípulos de Cristo organizavam-se. Surgiam apóstolos dedicados, prontos para a luta e para o sacrifício.

Entre eles contava-se Estêvão, antigo condiscípulo de Saulo, cuja acção evangelizadora desagradou aos fariseus, pois as revelações divinas de que ele se fazia eco prejudicavam os interesses materiais da seita.

Acusado de heresia contra as formas estabelecidas, foi julgado por Caifás (famigerado sumo-sacerdote que já condenara Jesus) que o condenou a ser apedrejado até morrer. Foi o primeiro mártir do cristianismo. Soube, porém, morrer como tal, exclamando ao último momento: «Senhor, recebe o meu espírito»!

Como magistrado, Saulo era um déspota. Nutria grande repulsa pelos cristãos e, consequentemente, pela sua doutrina. Mais tarde, Saulo, então já convertido, dizia: «dou graças a Deus por e ter feito seu apóstolo. Blasfemei, injuriei e persegui, mas obtive a misericórdia divina, porque tudo fiz por ignorância».

A condenação de Estêvão foi o início duma violenta e constante perseguição aos cristãos, ordenada por Caifás e logo cumprida por Saulo com inaudita crueldade.

Cansado de perseguir os adeptos da nova doutrina em Jerusalém, Saulo pediu e obteve autorização para continuar as crueldades noutras terras.

Mas Caifás foi, entretanto, deposto – no ano 34 –, e a Saulo ocorreu a maior e mais retumbante prova – no ano 36.

Damasco foi o primeiro alvo escolhido. A semente lançada por Jesus frutificara ali abundantemente. Os apóstolos, como se chamavam nesse tempo aos cristãos, multiplicavam-se. As perseguições e o derramamento de sangue seriam, pois, de molde a satisfazer os anseios de Saulo e dos seus sequazes.

Para ali se dirigiu o magistrado Saulo com grande e vistosa guarda. Durante dias marcharam a cavalo por caminhos pedregosos.

Decerto Saulo pensava mais do que nunca no extermínio cruel dos seguidos de Jesus, quando uma luz mais fulgente que a do Sol, um deslumbramento que ele nunca poderia explicar, o atirou ao solo, assim como aos seus companheiros de jornada. Destes, nenhum se sentiu com coragem bastante para se erguer ou falar. A luz cegara-os: o pavor deixara-os perplexos.

Mas se isso sucedera aos guardas, tal não se dera com Saulo.

Ainda que lançado por terra, ele viu na sua frente uma figura admirável como nunca vira semelhante, de manto branco, o rosto pleno de bondade e resplandecente de luz. A presença doce e calma daquela figura encheu-o de confiança e coragem. E nem sequer se sentiu admirado ou aterrorizado quando essa figura lhe falou deste modo, com um tom de voz que jamais ouvira.

– Saulo, Saulo, porque me persegues?

Sentiu-se outro. O Saulo tirano e cruel, que perseguia e matava, percebia dentro de si uma calma e um alívio que o fez responder:

– Quem sois, Senhor?

– Sou Jesus, aquele que tu persegues.

Saulo encara então de frente a figura luminosa do Mestre.

Não o aflige essa imagem e até se sente feliz ao contemplá-la.

Estranho mistério. Tudo mudou, em si, a partir desse momento.

– Senhor, que queres que eu faça?

– Ergue-te – respondeu Jesus – e continua o teu caminho. Quando chegares a Damasco, eu te direi o que deves fazer.

Saulo estava salvo! A sua alma voara ao Alto, de lá recebendo a inspiração para o baptismo de Luz que o tornaria outro homem.

Mas essa Luz cegara-o. Era forte de mais para um pecador. Essa cegueira, porém, quanto a nós, foi, simplesmente, simbólica.

Para que Saulo recebesse, como devia, a Iniciação, foi necessário que, antes disso, os olhos se lhe fechassem para o mundo físico, abrindo-se-lhe para o mundo espiritual.

Foi Ananias que, em Damasco, durante três dias, lhe deu as instruções para o recebimento da Luz. Ele foi o seu instrutor.

Como era natural, os cristãos receberam Saulo com desconfiança.

Deviam acreditar na pureza de princípios de quem ainda ontem era um tão feroz inimigo deles e desses próprios princípios?

Mas Saulo insiste em provar que, mais do que qualquer outro apóstolo, ele tem o direito de afirmar-se cristão e de colaborar com os cristãos, pois obteve a certeza de o ser, conseguindo esse direito à custa do erro e da luta, recebendo, por fim, a visita daquele que lhe destinou a missão que revolucionou o mundo.

E Saulo, cujo nome se transformou mais tarde em Paulo, parece que em homenagem ao pró-cônsul romano Paulo Sérgio, por ele convertido ao cristianismo, começa a sua admirável obra de disseminação das verdades do cristianismo. Para organizar essa obra, para pôr-se em uníssono com o Alto, e daí receber os ensinamentos necessários, Paulo entrega-se devotadamente à concentração e ao silêncio. Procura todos os lugares onde a pregação é precisa e onde falta não só a fé como a compreensão entre os povos. Vai à Arábia, volta a Damasco, parte daqui para Jerusalém, depois para Antioquia, seguir para Chipre. Prega, ensina e converte sem desânimo nem descanso.

Acompanha-o Barnabé, discípulo dedicado e afectuoso. E a messe surge esplêndida e fecunda.

Há quem o não compreenda e o insulte; perseguem-no, torturam-no, apedrejam-no. A tudo isso é indiferente o grande apóstolo.

O Evangelho que vos preguei (escreveu uma vez S. Paulo, dirigindo-se aos Gálatas) não proveio dos homens, porque o não recebi nem aprendi de homem algum, mas de Jesus mesmo, por revelação.

Paulo não apostoliza somente: organiza e até combate os falsos irmãos, corrigindo-os ou harmonizando as questões e as desinteligências que surgem entre si. É um arauto formidável de Cristo, um batalhador audaz da fé.

Da Ásia passou à Europa. Espera-o o martírio em Roma.

O facto de Paulo e Barnabé terem libertado uma possessa faz que sejam flagelados e presos no mais horrendo cárcere, manietados, os ratos a passearem-se por cima, roendo-lhes as carnes e as mãos!

E no final de novas lutas, perseguições e tormentos, mas também de muita evangelização, Paulo sofre, em Roma, sob o império de Nero, o suplício da decapitação, antes do que foi cruelmente flagelado. No seu túmulo foram gravadas estas palavras que, na sua simplicidade, dizem tudo:


A Paulo
Apóstolo e Mártir

Quando S. Paulo se defendia das acusações que o levaram á morte, fazendo a apologia da doutrina cristã, disse o acusador:

– A demasiada doutrina tornou-vos louco. Estais louco, Paulo.

– Não, não estou louco – gritou. As minhas palavras representam a sabedoria.

Ainda hoje, nós, os que almejamos por essa sabedoria e procuramos obtê-la, somos tomados por loucos. Mas a sementeira prossegue.



J.F.S.

 

Books download

Latest Rosicrucian News

Noticias destacadas

Actualités

loader
JavaScript either reported a fatal error or is not running.

Páginas visitadas:

Presenças

We have 474 guests and no members online

Locations of visitors to this page

Filosofia (ES)

Philosophy