Mensagem de reflex√£o para Agosto

 

Quem vive bem prega em silêncio.

O Tempo das Provas

No √ļltimo artigo1, vimos que nestes tempos assolados por crises individuais e colectivas, o ser sente-se perdido num mar cada vez mais abundante de desencanto e vazio de valores, com dificuldade em adaptar-se a um mundo cheio de mudan√ßas r√°pidas e constantes.

As sombras que pairam no mundo visível ou invisível são desconhecidas da maioria das pessoas que habitam o plano físico, mas podem desencadear crises individuais e colectivas. Dito de uma outra forma, entidades doutros planos que não o físico podem estar no epicentro das nossas crises.


Essas forças exercidas sobre nós, muitas vezes, atribuímo-las aos outros, desde a elementos da nossa família, a colegas de trabalho, ao contexto social, ao local onde habitamos, entre outros.


Estes seres prov√™m, essencialmente, do Mundo do Desejo e dos seus respectivos planos. Tendo em conta que o ser n√£o √© composto apenas por mat√©ria f√≠sica, mas tamb√©m √© formado por subst√Ęncias de outros mundos, nomeadamente, do Mundo Mental e do Mundo do Desejo, estamos sempre em contacto com esses planos invis√≠veis e movemo-nos inconscientemente neles. Actuando neles, atra√≠mos, desta forma, entidades que neles habitam e que est√£o em conson√Ęncia com o nosso n√≠vel evolutivo e em sintonia com a nossa vibra√ß√£o base.


Esta influ√™ncia estabelece-se, normalmente, pelas vias mental e emocional embora relativamente a esta √ļltima tal influ√™ncia seja mais f√°cil e eficaz, atrav√©s do est√≠mulo do corpo de desejos.

Os nossos diversos estados de esp√≠rito atraem, por afinidade energ√©tica, vibrat√≥ria e consequente n√≠vel evolutivo, em momentos igualmente diversos, diferentes tipos de entidades, por isso, devemos controlar e trabalhar sobre as nossas flutua√ß√Ķes de humor e tentar mantermo-nos calmos e est√°veis.

Tamb√©m estamos mais sujeitos a essas influ√™ncias nefastas em alguns momentos do que noutros, pois essas for√ßas manifestam-se tendencialmente nos nossos tempos mais fr√°geis, quando estamos mais debilitados fisicamente e psiquicamente, doentes ou em fase de prova√ß√£o das nossas aprendizagens. √Č importante notar, ainda, que essas for√ßas incidem sobre as fraquezas e debilidades que trazemos para evoluir.

Verificámos, deste modo, que as entidades que atraímos são sempre em função do nosso nível vibratório. Deste modo, quando temos pensamentos negativos, adaptamos práticas prejudiciais aos diversos corpos ou escolhemos circular em determinados meios de vibração baixa, estamos a enfraquecer a nossa vibração e, consequentemente, atraímos entidades que estão em sintonia com ela. Por vezes, a libertação desses estados não pode ser realizado individualmente, mas requer ajuda especializada.

Dificilmente, no nosso estado actual evolutivo, estamos completamente imunes a essas influ√™ncias sombrias, mas podemos libertar-nos e construir uma ‚Äúarmadura espiritual‚ÄĚ, atrav√©s da purifica√ß√£o e fortalecimento dos nossos corpos. Isso poder√° ser feito atrav√©s de uma alimenta√ß√£o correcta, exerc√≠cio f√≠sico, persist√™ncia em h√°bitos saud√°veis (corpo f√≠sico e vital), escolha de pensamentos positivos (corpo mental), praticando boas ac√ß√Ķes, orando e meditando (corpo emocional). A reformula√ß√£o de pr√°ticas e processos deve ter um car√°cter construtivo e n√£o punitivo. √Č requerido um trabalho de introspec√ß√£o constante, de aten√ß√£o e de sil√™ncio interior.

Tamb√©m notamos a ‚Äúolho nu‚ÄĚ essa influ√™ncia quando nos sentimos fatigados ao p√© de algu√©m, com dor de cabe√ßa ou entristecidos. H√° seres mais sens√≠veis √†s influ√™ncias alheias do que outros. O mesmo pode ser estendido aos ambientes que nos circundam.

Apesar deste breve artigo ter incidido sobre as influ√™ncias nefastas nas nossas vidas de entidades do mundo supra-f√≠sico, tamb√©m somos influenciados por via mental, positivamente, por entidades bondosas. Tanto num caso como noutro, notamos que n√≥s atra√≠mos seres em fun√ß√£o do nosso n√≠vel evolutivo e n√£o acima dele; isto de um modo geral e corrente, por√©m, nem sempre √© assim. Note-se que o aux√≠lio espiritual implica a aproxima√ß√£o de entidades de n√≠vel superior, ainda que n√£o invocado por n√≥s conscientemente. Tamb√©m a ora√ß√£o tende, regra geral, a atrair seres de estatura, pelo menos moral, superior √† do orante. Sabendo isto, estaremos libertos da ignor√Ęncia, n√£o tomando estas entidades por aquilo que elas n√£o s√£o.

Tamb√©m existe uma ideia inexacta, por vezes, fantasiosa, acerca dos nossos guias pessoais (n√£o nos referimos aqui aos ‚Äúguias‚ÄĚ da Humanidade, mencionados por Max Heindel). S√£o seres que habitam no plano invis√≠vel, mas estes pertencem ao nosso n√≠vel evolutivo e n√£o acima dele, pelo que tamb√©m eles podem induzir-nos em erro, uma vez que o seu conhecimento √© t√£o limitado quanto o nosso.

Tamb√©m √© necess√°rio ainda referir que nem todos os seres que se encontram no plano invis√≠vel, mesmo ao nosso n√≠vel, s√£o prejudiciais. Afinal de contas, Max Heindel afirma ‚Äúque tamb√©m os mortos nos ajudam a viver‚ÄĚ, como diz o Conceito. Este assunto √© igualmente abordado na carta ao estudante n√ļmero 63, intitulada Mestres Espirituais, os Aut√™nticos e os Falsos.

Por vezes, por desconhecimento, no dia-a-dia, ao acender velas, incensos e outros procedimentos semelhantes atra√≠mos entidades que nos prejudicam. Estes produtos, devido √† sua composi√ß√£o e caracter√≠sticas, atraem entidades que carecem de luz; pertencem normalmente ao plano inferior do Mundo do Desejo. Tamb√©m a recita√ß√£o repetitiva de determinados textos ou frases mais curtas pode afectar-nos, caso sejam diferentes do nosso n√≠vel vibrat√≥rio. Persistindo em certas pr√°ticas nefastas, atraem-se entidades dos planos supraf√≠sicos que se fazem passar por guias, santos e afins, afectando negativamente os corpos, a pr√≥pria sa√ļde e a evolu√ß√£o dos implicados.

Vive-se actualmente num contexto de desespero e de descren√ßa prop√≠cio √† divulga√ß√£o de conhecimentos distorcidos e √† prolifera√ß√£o de falsos mestres, de rituais folcl√≥ricos, entre outros. Cegos uns, no plano f√≠sico, interagindo com outros cegos, no supraf√≠sico, acabar√£o por voltar sempre mais enfraquecidos aos mesmos caminhos, por vezes, com danos irrevers√≠veis na sa√ļde, no caso do plano f√≠sico, com as expectativas goradas, representando um atraso evolutivo para todas as entidades envolvidas.

N√£o pensemos que as pr√≥prias institui√ß√Ķes religiosas ou filos√≥ficas est√£o imunes a estas influ√™ncias. Se os seus membros adoptarem pr√°ticas contr√°rias ao n√≠vel vibrat√≥rio em que essas institui√ß√Ķes vibram, dar√£o espa√ßo a crises s√©rias pela falta de sintonia que geram. N√£o foi em v√£o que Max Heindel nos alertou para a import√Ęncia e necessidade de disciplina nas institui√ß√Ķes.

De tempos a tempos, tamb√©m elas sofrem prova√ß√Ķes, circulando no seu seio ou querendo entrar nele seres ignorantes, √°vidos de protagonismo, que p√Ķem √† prova as capacidades e conhecimentos dos seus membros. Embora sabendo que a ignor√Ęncia tem o seu tempo determinado, o facto √© que podem prejudicar a evolu√ß√£o dos seus membros e o trabalho social das institui√ß√Ķes2.

Os menos fortalecidos no plano espiritual e mais carentes de conhecimento deixar-se-√£o iludir. Esta atitude fortalecer√°, a longo prazo, a institui√ß√£o porque afastar√° dela aqueles que n√£o vibram na mesma sintonia ou ainda que vibrem, falta-lhes aperfei√ßoar o discernimento e fortalecer a vontade, por isso, s√£o elementos que, isoladamente, n√£o prejudicam mas tamb√©m n√£o ajudam a fortalecer a √©gregora da institui√ß√£o. Tal como os indiv√≠duos, tamb√©m as institui√ß√Ķes necessitam de se limpar e purificar, a fim de se fortalecerem e continuarem a passar √†s gera√ß√Ķes vindouras sabedoria espiritual s√≥lida.

Maria Coriel


1. Cf. A Prova√ß√£o do Peregrino, in ‚ÄúRevista Rosacruz‚ÄĚ, n¬ļ 403, Janeiro-Fevereiro-Mar√ßo de 2012, pp 28-29.
2. Cf. M. Heindel, ‚ÄúCartas aos Estudantes‚ÄĚ: A Import√Ęncia da Disciplina Interna (Taming an Unruly Member), n¬ļ 82.

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