FILOSOFIA

O Despeito, O Ódio e a Vingança

Estes três factores envenenam a humanidade. Formam um cancro social. Dia a dia alargam a sua acção devastadora. Levam a humanidade à ruína moral que conduz à escravatura de si mesma. Flagela-se sem piedade e assim vai caminhando de perversão em perversão, contribuindo para o mal geral, para a destruição da própria Natureza.

Todos gritam e dizem que os tempos correm mal, que a vida é difícil, que tudo se complica cada vez mais. E não sabem a que atribuir este estado de coisas. Não olha cada um para si próprio, porque, se bem se observasse e conhecesse, notaria que a causa está do lado de dentro e não da parte de fora. Se cada um de nós possuísse conhecimentos que permitissem desenvolver a moral, saberia combater as imprudências que pratica. Punha termo ao ódio, ao despeito e à vingança. O respeito mútuo desenvolve a consideração que é preciso ter por cada pessoa. Espalha a paz e ajuda a manter o equilíbrio, que é parte indispensável em todas as coisas. O equilíbrio é o sustentáculo do ser. Todos nós temos de meditar muito sobre este ponto, para criarmos as condições que nos levam ao equilíbrio. Sem ele continuaremos a criar o mal, a desordem, a nossa própria infelicidade.

O ódio, a vingança e todas as ruins paixões são filhas do desequilíbrio moral do homem. A vida é bela, seja qual for o aspecto por que a encaremos. Porém, não pode ser compreendida enquanto não nos conhecermos. É difícil fazer um estudo perfeito, uma observação segura de tudo quanto nos rodeia e toca, sem primeiro nos recolhermos em meditação e contemplação da nossa estrutura moral. Só depois disto é que estamos aptos a saber ver o que está para além de nós.

Compreendemos Deus e sentimo-Lo, pois não devemos esquecer que nEle estamos, movemos e temos o nosso ser. É a força geradora que tudo impregna devida de vida e de acção criadora. E, como em toda a acção criadora está um universo em miniatura, nós também o somos. E essa grandeza permite-nos encontrar tudo, absolutamente tudo, em nós mesmos. Se nos encontramos desgostosos ou a vida nos corre com muitas infelicidades, a culpa é nossa. Só nós criamos toda a desgraça. Por isso, a revolta é um acto contrário a todas as leis naturais. Tudo quanto vem ao nosso caminho é sempre criação nossa.

O passado reflecte-se no presente e o presente prepara o futuro. Não devemos viver das recordações do passado que forem inúteis. Temos de aprender a viver o presente, a progredirmos todos os dias um bocadinho, para assim limparmos o nosso destino (o carma) daquelas manchas que são imperfeições e nos causam tantas dores. É o trabalho que não devemos desprezar nem esquecer, pois tem de fazer parte da nossa vida diária. Tome-mo-lo como dever e obrigação, que assim, sem maior esforço, nos sentimos habilitados a ver o bem que há em tudo o que fazemos, pensamos e dizemos.

Esta observação diária leva-nos à reparação das faltas; força-nos à ponderação tornando-nos meditativos e cumpridores. Deixaremos de atropelar o nosso semelhante; saberemos desculpá-lo nas suas imperfeições e imprudências. E assim iremos perdendo o despeito, o ódio e a vingança.

A. A.


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