O QUE A BÍBLIA NOS ENSINA

História de José

Medite o leitor no seguinte versículo do último livro de Moisés:

"Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, pôs os termos (estabeleceu os limites) dos povos conforme ao número dos filhos de Israel"1.

Quer dizer, ao povo que continha maior número de israelitas (de indivíduos susceptíveis de domínio próprio, distribuiu Deus um território maior. Se esta passagem não for assim interpretada ficará completamente obscura.

Vejamos, agora, como é constituído o povo de Israel e em que consiste a sua analogia com um indivíduo, sob a influência da evolução.

Jacob gerou doze filhos, e cada um dos quais deu origem a uma tribo. Não se contam os descendentes de José como uma tribo, mas os dois filhos - Efraim e Manassés, como duas meias tribos. Ora, a astrologia, que antecede em muito o tempo de Moisés, dividia o corpo humano em doze partes, correspondentes aos signos zodiacais. A quem conhece este facto, não lhe custa admitir que aquele autor bíblico, teve em vista fazer corresponder cada uma das tribos de Israel a uma parte do corpo humano. Para os astrólogos, cada uma destas partes representa um grupo de forças do corpo de desejos, possuindo a sua respectiva função.

Ora, nas obras de Max Heindel encontramos explicações sobre a constituição do corpo de desejos (o corpo astral de outros autores), que no início da Época Lemuriana sofreu uma divisão em duas partes - uma superior e outra inferior. A primeira adquiriu um certo domínio sobre a segunda e converteu-se numa espécie de alma animal, construindo o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários. O mental agregou-se então a essa alma animal e ficou constituindo o eu inferior, a personalidade humana.

Como procede essa parte superior para exercer o seu domínio sobre a inferior? Todos os ocultistas que procuram desenvolver o domínio próprio sabem como isso se faz. É praticando um acto, formando um pensamento ou sentimento e repetindo-o muitas vezes que a parte inferior se habitua e familiariza com ele. É necessário praticar muitas vezes um acto e insistir nele, para que se habitue o organismo a obedecer e a executá-lo na perfeição. É assim que conseguimos aprender a ler, a escrever, a tocar instrumentos de música, etc. É claro que, se se trata de um vício, de qualquer acto ou pensamento que nos prejudique a nós ou aos outros, o ocultista sabe como há-de resistir ao eu pessoal, para reprimir esse acto ou pensamento.

Haverá, entre os filhos de Israel, algum que corresponda a estes predicados?

Procurando entre os nomes das tribos, encontramos logo a palavra ToSeF, que corresponde nada menos que a dois verbos: AaSaF e JaSaF. No primeiro caso temos o presente da 3ª pessoa do singular, no segundo o particípio activo. O primeiro significa "colher, juntar, reter e tirar"; e tem ainda outras significações que nos não interessam. O segundo significa "juntar, adicionar, repetir uma acção", etc. Ora, na história de José, Moisés tem a paciência de percorrer todas essas significações, uma a uma. O leitor deve provavelmente estar aborrecido com tantas noções da língua hebraica, mas é só pela tradução directa que se pode compreender a ideia do autor. Só em hebraico se podem fazer estas habilidades com uma só palavra, e isso fica intraduzível em qualquer outra língua.

A complexidade começa logo com o nascimento de José. Quando Raquel o concebeu disse: "Retirou (Aa-Sa-F) Deus o meu opróbrio". Quando nasceu: "Dê-me o Senhor ainda (IoSeF) outro filho".

Depois, sendo ministro do Faraó, quando os irmãos foram ao Egipto comprar trigo, José retêve-os (Je-Ae-SoF) numa prisão durante três dias, e assim continua até esgotar a paciência do leitor.

Compreenderá agora o leitor por que é necessária uma chave para ler e compreender os textos bíblicos?

Norael


[ Revistas | Index | Anterior ]