FILOSOFIA

Caminhos Perdidos

Por que razão os toxicómanos se drogam? Como se sabe, a questão tem sido objecto de inúmeras investigações médicas e é constantemente acompanhada pelas autoridades responsáveis pela saúde e ordem pública. Vamos ver as implicações físicas e espirituais da utilização dos alucinogénios, mesmo quando usados para o estudo da mente e dos estados de consciência. De facto, desde o início do actual século, alguns investigadores médicos, psiquiatras e psicólogos têm ministrado a determinados grupos de doentes diversos tipos e quantidades de drogas, para avaliar o seu efeito na "expansão da mente" 1 .

Se pensarmos no modo como a droga age sobre o espírito, podemos compará-la, nos seus efeitos, à sauna. Na sauna substituem-se os saudáveis exercícios físicos, que provocam uma transpiração natural, por um ambiente artificialmente aquecido, asfixiante 2 , que força o coração a acelerar o ritmo para tentar eliminar, sob a forma de suor, a tremenda agressão a que o organismo está sujeito.

O banho de sauna obriga o coração a realizar um esforço sem resistência (contra o vazio) muscular e é uma prática de alto risco. O exercício físico natural e regular tem um efeito diferente. A quantidade da transpiração dependerá sempre do rigor e duração do exercício muscular.

A pessoa que está sob o efeito da droga encontra-se, como na sauna, num estado de passividade. A forma de agressão do alucinogéneo é idêntica ao calor da sauna e age directamente no cérebro, tornando-o excessivamente "yin" e obrigando-o a suportar uma grande quantidade de energias psicofísicas. É por isso que alucina, sendo a alucinação o único recurso para gastar desordenadamente as energias que lhe fazem exceder os limites da sua funcionalidade normal e natural.

Os resultados positivos são nulos. O alucinogéneo não permite qualquer aprendizagem 3 . O risco e a inutilidade da alucinação psicodélica, tanto como experiência pontual e transitória como em termos de aquisição de conhecimentos que se relacionem com "a espansão da consciência" a outros níveis de realidade, é demasiado grande para ser tentado. A experiência psicodélica é um desperdício insensato, quando não suicida, do tempo de vida. Poderão classificá-la à medida de caprichos ou fantasias individuais, mas a verdade é que tal exerpiência nunca terá nada que ver com a aprendizagem que a vida nos reserva, por mais fascinantes que sejam as sensações que proporcione.

O desenvolvimento equilibrado e o domínio desses estados superiores de consciência só é possível se não houver a dissociação a que nos referimos. O preço de tal segurança é o esforço, o sofrimento e às vezes a dor que provoca a luta contra as taras pessoais e hereditárias. A dissociação psicodélica da mente, por mais orgiática e dionisíaca que pareça, tem muito mais para lamentar que para encantar.

Os estados alterados de consciência obtidos com a ingestão de alucinogénios são falsos devido ao efeito "centrifugador" exercido sobre os padrões de referência, conscientes e inconscientes, que delimitam e dão sentido a qualquer acto humano. Tais estados de consciência são resultado, como o suor na sauna, de um processo desequilibrado em que a estrutura da pessoa é forçada a participar, assumindo as consequências que estas alucinações artificias provocam.

O que os toxicodependentes querem, acima de tudo, é não sofrer, é gozar de bem-estar, sem "o privilégio do esforço". Na realidade, tais pessoas procuram apenas querem confundir-se e confundir os outros, enganarem-se e enganar o sofrimento.

1 Recorde-se A. Huxley; Ram Dass, aliás Richard Alpert, psiquiatra norte-americano "sobrevivente" do movimento hippye, etc.
2 De alta entropia.
3 Max Heindel, Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I, perg. nš 148.


J. L. P. T.


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