EDITORIAL

Três Caminhos

Uma vez ouvi alguém aconselhar: "se quiseres avaliar, de facto, uma pessoa, observa como se comporta em relação aos prazeres, ao dinheiro, à fama e ao poder".

Quem assim falava era um mestre verdadeiro, de considerável prestígio, mas ocidental e conhecedor do agitado mundo em que vivemos.

De facto, estas quatro coisas — o amor, a fortuna, o poder e a fama — se fossem duradouras, poderiam, talvez, dar certa ilusão de felicidade. A grande dificuldade está em reuni-las ao mesmo tempo. Convém, por isso, encontrar outras soluções mais realistas para se viver feliz.

Quem procura a "felicidade" segue, em regra, um dos três caminhos habituais. São os caminhos do yuppie, do religioso e do homem sensato.

O yuppie é o jovem e dinâmico empresário moderno. Confere uma prioridade absoluta à riqueza material. Procura na satisfação material o sentido da vida. Para ele, o poder económico e o bem-estar são a chave do sucesso. Vive cheio de fé nas suas divindades de papel (acções, títulos, etc.) no mundo em que as crises monetárias reactualizam as antigas guerras entre os deuses: o culto do dinheiro é politeísta.

Em resumo: o yuppie aumenta a satisfação material e alarga os meios para a realizar.

O religioso eremita, o celibatário, o que foge do mundo, usa uma estratégia inversa: procura reduzir ao mínimo as necessidades e os meios para as satisfazer. Não quer nada para si nem se preocupa em adquirir nada. É uma solução fácil para o problema da vida. Foi a que escolheram os nómadas do passado, os ciganos, os hippies e todos aqueles que não conseguem viver como um yuppie.

O terceiro caminho é o do homem sensato. Evita os extremos. Reconhece que a existência humana exige a co-presença dos dois mundos, o material e o espiritual, o interior e o exterior. Viver só num mundo é não viver. Isso seria o Sheol, o Inferno, a morte, o desaparecimento da alma, o empobrecimento absoluto do espírito.

O mundo exterior não pode dar significado a um ser feito para viver simultaneamente no mundo exterior e no mundo interior. Mas também não adianta procurar só experiências fortes no mundo interior. Não teriam resultados práticos, de utilidade para todos. Seriam actos isolados, egoístas. Precisamos de ter consciência dos dois mundos e encontrar, em nós, o necessário equilíbrio.

O homem sensato não considera que o prazer legítimo seja um pecado. O que reconhece é que a sua inutilidade tem origem no facto de ele não ter duração. É tão breve "como a folha que cai". Como será possível pensar na felicidade com base numa coisa que dura tão pouco? Por isso, o homem sensato elimina os prazeres supérfluos e aproveita esse tempo para aumentar os meios de conhecer os porquês da vida. E tudo isto com a moderação que o bom senso aconselha.

F. C.


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