FILOSOFIA

Isso Também Passará

Max Heindel recomendou-nos: "ninguém imagine que a entrada nos mundos espirituais, pela porta da competição, confere o conhecimento. Mais que um fogo-fátuo nos aguarda no caminho da iniciação, para nos distrair na busca da verdadeira Luz. Nenhum ardil é tão sedutor, actualmente, como o entusiasmo irreflectido da alma pelo seu mais rápido desenvolvimento".

Ele frisa bem o que mais nos interessa nos seguintes termos: "...actualmente, como o entusiasmo irreflectido da alma pelo seu mais rápido desenvolvimento", pois sabia como nós, ocidentais, nos inclinamos constantemente para a realização fácil, sem esforço, das mais sérias tarefas. Desejamos obter riquezas rapidamente, e o mesmo fazemos com todos os bens deste mundo. E com as aspirações de natureza espiritual fazemos o mesmo, pois desejamos ser elevados até ao mais alto da escala sem demora e sem esforço!

A nossa inclinação é para começarmos a busca espiritual pelo caminho (aparentemente) mais fácil e, por isso, mesmo, com muita frequência, estamos prontos para seguir o "instrutor" que nos oferecer o método mais fácil e rápido, o que nos reserva sérios perigos.

Jesus Cristo já tinha surpreendido esse pendor humano e contra ele avisou todos que haviam de segui-lo:

"Na verdade vos digo, que todo aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão, e salteador. Mas o que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas"1.

Só há uma via pela qual podemos entrar com segurança no "curral das ovelhas": a porta, o Cristo e a sua doutrina, despida de fanatismos e de superstições que só podem dificultar a nossa ascensão espiritual.

Na linguagem de Cristo, "curral das ovelhas" é uma alusão à plácida e activa vida celeste, pois não se pode entrar nela sem risco, se antes não nos fizermos mansos como as ovelhas, activos e diligentes como as abelhas, sempre na prática do bem, sempre prontos para nos aperfeiçoarmos física e espiritualmente, por meio de uma vida cheia de abnegação e amor para com os outros seres, a quem devemos ajudar desinteressadamente. De outra maneira tudo será artificial, contrário à Natureza, pois ficaremos sempre nus, sem as douradas vestes do manto de núpcias que nos asseguram as viagens sem perigo no mundo invisível, povoado de seres elementais. Estas entidades estão sempre prontas para investir contra os imprudentes que procuram elevar-se ao mundo espiritual sem primeiramente se haverem preparado, digna e eficientemente.

O mundo do desejo, também chamado plano emocional, está povoado de seres inferiores, sempre prontos para assaltar os imprudentes que nele procuram entrar sem protecção.

Devemos adquirir primeiramente um grande desenvolvimento do nosso corpo vital, para que a sua luminosidade nos envolva e nos assegure os voos anímicos. Ora, o único processo de o conseguir e atrair os dois éteres superiores que nos darão o referido "traje dourado de bodas" é, por um lado, o serviço amoroso que prestamos aos nossos semelhantes, desinteressado e, por outro, o aperfeiçoamento do nosso carácter, que também modificará o nosso Destino.

É infinitamente mais seguro tomar o caminho mais lento, mas sem perigos, descrito nos ensinamentos dos Rosacruzes.

Que a paciência e a persistência no bem seja, então, a nossa divisa.

O que é preciso, então, é elevar a nossa consciência e olhar para a vida de um plano superior. Uma perspectiva mais ampla, uma visão mais longínqua, um entendimento mais compreensivo – tudo isto nos capacita para obter um quadro mais claro da vida e do seu propósito.

Todos estes factores nos ajudam a SABER que, ainda que todas estas coisas sejam passageiras, existe um tesouro imperecível, extraído de todas as nossas experiências realizadas aqui na Terra. Como o disse Max Heindel: "A alma consciente cresce por meio da acção, dos impactos externos e a experiência" e "o propósito da vida não é a felicidade terrena, mas sim a experiência".

Possamos nós, como aspirantes espirituais, lutar sempre por aprender as lições que os Grandes Seres nos estão ensinando, mediante as nossas experiências diárias, e que as aprendamos com espírito de aceitação e benevolência.

Versão de Maria do Céu

1. João, 10, 1 e 2.




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