FILOSOFIA

A Prece e o Canto

A prece exalta as forças secretas do nosso inconsciente. Recitada em voz alta, desperta e educa o nosso inconsciente que é extremamente sensível. A voz produz vibrações que agem fortemente nas vibrações do corpo vital. Todo o nosso ser, visível e invisível, desenvolve-se de acordo com a qualidade dessas vibrações.

Cada som corresponde a uma região diferente do nosso organismo. O timbre e a tonalidade da voz formam a sensibilidade do homem.

A "voz do abdómen" produz vibrações no corpo físico e serve para o desenvolver. A voz emitida "pela cabeça" produz vibrações que atingem e reforçam a parte cerebral. Finalmente, a voz saída "do coração", desperta as nossas tendências espirituais. Por isso, todas as preces devem ser recitadas calmamente e com a "voz do coração". Só assim é que ela desenvolverá e purificará a força vital do nosso inconsciente.

Na Natureza, tudo é submetido à lei do ritmo. Ora, o ritmo governa não só a actividade física como a actividade intelectual. Como o exercício físico, a prece deve ser baseada no ritmo, que estabelece o equilíbrio e a paz interna.

A prece, como a auto-sugestão, é uma força. E, como todas as forças, é uma arma de dois gumes. Se a prece é mal recitada e mal interpretada, mesmo sem más intenções, ela pode produzir os mais desastrosos efeitos uma vez que, por meio da prece, como veremos mais tarde, o nosso espírito actua no inconsciente, estreitamente ligado às forças invisíveis do mundo astral, ou mundo do desejo, pelo qual estamos cercados.

Estas forças são construtivas ou destrutivas.

A prece também serve de traço de união entre a nossa vida consciente e inconsciente. Ela põe-nos em contacto com esse mundo infinito, cheio de forças, hostis ou favoráveis, dentro do qual nos movemos, principalmente durante sono.

"Durante o sono, escreve Victor-Emile Michelet, temos experiências tão variadas e tão vastas que nem nos conseguimos aperceber dos seus limites. Essas experiências deixam de estar sujeitas às limitações do tempo e do espaço. Nem sequer ficam limitadas pelas barreiras físicas. Umas vezes são recheadas de alegrias, outras de angústias, de voluptuosidades, etc., reflectindo as coisas da Terra e do além-túmulo".

É durante o sono que o inconsciente encontra as mais variadas forças benfazejas ou malfazejas, às quais obedece ou resiste, e que lhe imprimem os mais diversos impulsos e as mais extravagantes resoluções.

A prece é o meio mais poderoso para apaziguar o nosso espírito, muitas vezes tão maltratado durante o sono. E livra-o até, durante esse período nocturno, de encontros com seres maléficos que tentam atacá-lo, ajudando-o a não se deixar arrastar pelo turbilhão das forças inferiores.

A prece leva o espírito para junto das forças benéficas, que nos guardam e nos livram do mal. O corpo físico adquire toda a força vital necessária durante o sono. Portanto, a fonte que o alimenta deve ser pura.

"A vossa vida, os vossos actos e o vosso destino, diz ainda Victor-Emile Michelet, prolonga-se mesmo durante o sono".

Outro meio tão poderoso como a prece, para o desenvolvimento espiritual e a paz de nossa alma, é o canto, assim como a música em geral. Eis por que o canto nunca falta nos cultos de qualquer religião do mundo. Falamos demais e não cantamos bastante, dizia muitas vezes um Rabino. Comunicamo-nos melhor uns com os outros pelo canto do que pela palavra.

A respiração é importante para o canto como nos exercícios físicos. Cantando, expiramos; expirando, expulsamos o anidrido carbónico, tão prejudicial ao nosso organismo, e assim purificamos nosso sangue. "O estudo do canto, escrevia noutros tempos o Doutor Mermod, é a melhor ginástica respiratória, com a condição de se respirar, principalmente, pela parte superior dos pulmões".

Os antigos empregavam a música como meio de exaltação das forças do inconsciente. A música pode acalmar e curar não somente a nossa alma, tantas vezes ferida pelas rudezas da vida, como também restabelecer a harmonia do corpo, cansado e sofredor.

O nosso espírito é muito sensível à música. Infelizmente, a tradição de Orfeu – método de cura musical – está perdida. Porém, o amor pela música persiste e persistirá sempre. Os que buscam o conhecimento, os que sentem a nostalgia da própria alma, encontrarão na música um meio poderoso e adequado para exaltar as suas forças e sustentá-las com segurança.

Aos que já sentem o equilíbrio entre o corpo e o espírito, a música revelará a harmonia do universo. Para quem sabe ouvir, a música desvenda a verdade. Falamos da verdade esotérica, oculta, e pessoal: a verdade intransmissível. É por isso que os antigos consideravam a música como arte sagrada.

Josué Ieuda




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