Filosofia

Perversões Sexuais

A lenta dessacralização da moral e a desromantização do amor monogâmico conduziram ao progressivo domínio de uma voluptuosidade egoísta. Assim desligada de toda a necessidade biológica e, portanto, de toda a responsabilidade recíproca dos dois interessados, que deixam de estar unidos por qualquer relação sentimental, a sexualidade divorcia-se do sentido humano e abre caminho à manipulação comercial. A degradação do sentimento do amor em pornografia social seria tema para discussões, para um apontar de pontos de vista sem fim. Limitaremos o nosso estudo a um só aspecto: às consequências, no foro moral, decorrentes do conflito da evolução técnico-industrial da sociedade aberta com as particularidades da natureza humana que se opõem à sua realização.

A Sociedade do Espectáculo na Era do Vazio

Há, em primeiro lugar, a exploração comercial e a exploração política de uma tendência humana. Certo cinema, certa imprensa, certa televisão, tornam-se vastas empresas de luxúria e bestialização de onde alguns auferem suculentíssimos proventos com a transformação da vida privada em espectáculo para multidões. Nestes espectáculos, onde a nudez é fundamental para provar a juventude, o envolvimento sexual pode tornar-se uma mais-valia para o programa.

É evidente que isto não é um assunto para a polícia de costumes. O problema parece ser uma questão de civilização... ou da civilização. Afigura-se evidente haver uma verdadeira inflação sexual ligada a todo o conjunto da vida moderna que se continua a acentuar na técnica, no lucro e no consumo, em que a medida dos valores é dada pelo consumo, enquanto a preocupação é apenas desfrutar a existência com prazer. Apresenta-se, então, o sexo, como artigo de consumo. Com os espectadores televisivos tornados potenciais consumidores criou-se uma moralidade que não passa de uma farsa, uma espécie de máscara que leva a excitação sexual ao seu paroxismo. Estas condições parecem irreversíveis e nenhuma revolução política poderá acabar com elas. Tal degradação só pode ser limitada tomando-se bem consciência dela. A consciencialização é a única arma de que o homem dispõe para se subtrair a esta pressão, digamos até, a esta obrigação, e garantir a verdadeira liberdade.

Há, em segundo lugar, razões de ordem afectiva e emotiva. A observação mostra que as manifestações de erotismo se multiplicam em contextos psicológicos de tensão, medo, de agressividade, de angústia, de ódio, de ansiedade, de incerteza. Os conflitos afectivos daí originados procuram encontrar na relação sexual – normal ou anormal – uma via de solução, um refúgio ou uma compensação.

Ora, é evidente que, na nossa época de crise e de enorme confusão, esses estados são incomparavelmente mais frequentes que noutras épocas mais estáveis. Não apenas pelo facto de as guerras e a violência ser quase uma constante, mas também pelo conhecimento mais vivo e mais completo que deles há, pelo clima de insegurança que vive um número de famílias em aumento assustadoramente progressivo.

E em terceiro lugar há razões de ordem ideológica que se podem resumir numa palavra: libertarismo.

Os espectáculos televisivos do tipo do Big Brother apresentam a intimidade como um tabu a eliminar ou um preconceito a violar, transformando-a, assim, num bem de consumo. A força dos media implica que os membros da nossa sociedade copiem atitudes e modelos artificiais divulgados e cheguem mesmo a ter mais vergonha da sua fidelidade ou da profundidade dos seus sentimentos do que, diga-se a verdade, da sua "luxúria" e dos seus "pecados".

Esta propaganda estimula uma sexualização brutal em que todas as perversões se agitam. Uma perversão favorecida pelas condições sociais actuais e por esta sexualização invasora é a homossexualidade.

O que é estranho neste problema é que os dados da ciência a tal respeito e os advogados da reclamada "tolerância" constituírem uma verdadeira propaganda, de tal modo que a homossexualidade arrisca-se a ser uma "moda".

E não deixam de ser interessantes as políticas em torno do tema, com alguns sectores, que se opõem a explicações biológicas no caso da inteligência ou da criminalidade, a defenderem a causa genética para os casos em que a orientação sexual assume aspectos perversos, procurando assim a fuga às responsabilidades morais. A verdade é que os genes nunca são absolutamente determinantes das condições de um indivíduo, pelo que se terá de pensar noutros factores que intervêm na orientação sexual.

O que uma análise mais cuidada desta "tolerância" evidencia, é que esta se fundamenta num ponto de vista parcial, senão mesmo errado. A tolerância, em nosso entender, supõe sempre a existência de limites; e um desses limites é, consensualmente, o da indiferença. Quer isto dizer que a tolerância não pode significar indiferentismo nem a abdicação da posição própria.

Por outras palavras: a tolerância não impõe a obrigatoriedade de aceitar passivamente a diferença protagonizada pelo outro, mas somente a disposição para reconhecer essa mesma diferença. E ela solicita, ao mesmo tempo, a análise cuidadosa da sua etiologia. É o que vamos fazer.

Consideremos, então, uma área de investigação que supera, em nosso entender, as tentativas de explicação da homossexualidade baseadas no raciocínio apriorístico dos complexos de Édipo ou de Electra através de condicionamentos ou influências sociológicas. Tem como ponto de partida a possibilidade de autopossessão. Max Heindel levanta o véu sobre este assunto em O Véu do Destino1.

Determinismo Palingenésico

Quando o espírito abandona o corpo, ao morrer, leva consigo o átomo-semente onde está o registo de todas as experiências ocorridas durante a vida. Este registo persiste pelas vidas sucessivas e permite-nos compreender melhor o fenómeno da autopossessão decorrente do despertar de personalidades subliminares pertencentes a uma vida anterior do paciente.

As várias escolas psicológicas admitem, em regra, a regressão da memória, mas limitam-na, quando muito, ao período da vida intra-uterina. bloqueando a realidade com preconceitos culturais e religiosos. Nos casos de autopossesão os aspectos patológicos inscritos no corpo energético afloraram manifestando-se por meio de certos estados psíquicos, emocionais ou comportamentais. Este afloramento pode ser temporário ou permanente – e pode ter origem no corpo energético a que Max Heindel chama de corpo-de-pecado, pré-existente à concepção e verdadeiro hiperproduto das estruturas físicas, fisiológicas e emocionais de uma existência pretérita, ou num registo gravado na memória supra-consciente, arquivo de todas as experiências e conhecimentos reunidos nas vidas anteriores2.

O renascimento faz-se alternadamente num corpo masculino e feminino com o objectivo de adquirir experiências só possíveis em cada um dos sexos, como nos ensina o Conceito3. Estas experiências dão origem a condicionamentos que são gravados no inconsciente e transformados em emoções e sentimentos no decorrer dos tempos. Mas não são unicamente os registos característicos das experiências como macho e fêmea que persistem no tempo. Ficam também registados aspectos animalescos que actuam daquela forma compulsiva e violenta que tantas vezes nos surpreende.

A homossexualidade pode resultar, então, do afloramento dos registos impressos na subconsciência de uma personalidade pretérita, que sugere uma encarnação num corpo dotado de sexo diferente, numa espécie de determinismo palingenésico. Corresponde a um estado regressivo a uma vida passada, com exteriorização de um impulso, ou de uma sensibilidade, de forma compulsiva e contrária à razão e até ao desejo. Pode haver uma forte ambivalência para atitudes do sexo oposto, associada a essa existência anterior, muitas vezes vivida nos limites da licenciosidade. É frequentemente notada pelos gestos estereotipados e personalidade indiferenciada. Não é raro procurar-se, nesses casos, o paraíso perdido das lembranças ancestrais no delírio da toxicomania. É claro que estas tendências fogem ao determinismo físico ou congénito.

Pode haver casos em que essa compulsão ocorra durante o estado de transe, o que sugere, então, a possibilidade de intrusão de uma personalidade extrínseca, isto é, de uma verdadeira obsessão espiritual. Em qualquer dos casos, o aparecimento de enfermidades graves, e mesmo incuráveis, decorrentes desta prática alienada e anti-natural de relação sexual, está sempre iminente. A utilização dos órgãos fora do padrão natural poderá criar, de facto, complicações para vidas futuras e muitas dificuldades na vida actual. Na região anatómica do ânus e na sua proximidade está localizado um centro nervoso, vulgarmente denominado chacra genésico, que é um foco de estímulo nos animais. Activando-o, o homem rebaixa-se a uma situação vivencial ao nível do animal e acumula cargas energéticas que darão origem a diversos tipos de doenças com origem nas forças anímicas e em energias do campo extra-sensorial humano que, sendo perceptíveis na sua fenomenologia, só podem ser compreendidos por meio do determinismo arquetípico determinado pela lei de causa e efeito.

Muitos distúrbios psicosexuais poderiam ser analisados, compreendidos e resolvidos mediante a terapia proposta por Max Heindel. A solução plástica, da cirurgia mutiladora, que procura ajustar a forma às tendências instintivas, sem procurar investigar antes as causas transcendentais do problema, é um modelo simplista, mecanicista. Não resolve o problema nem alcança a causa directa do estímulo dessa forma de sensualidade perversa em que as explicações de ordem congénita, ou de código genético, são exíguas para uma compreensão convincente.

O que é preciso é contribuir para despertar um amor super activo e ascendente, de modo a harmonizar as duas forças, a vital e a cósmica, que aproximam sexualmente os seres humanos, com a força espiritual que procura harmonizar a ordem cósmico-humana com a ordem divina.

 

F. C.

 

Notas

1 Max Heindel, O Véu do Destino, F.R.P., 1996, págs. 38 e seg.
2 Id., Conceito Rosacruz do Cosmo, F.R.P., 3ª ed., 1998, págs. 76-77.
3 Id., ob. cit., pág. 128.




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