Filosofia

A Fraternidade Rosacruz

Com o fim de divulgar ao mundo Ocidental os Ensinamentos Rosacruzes, fundou-se a Fraternidade Rosacruz no ano de 1909. Ela é o arauto da vindoura Era Aquariana, que se iniciará quando o Sol, por precessão, estiver na constelação do Aquário. Nessa altura actualizar-se-ão, no ser humano, todos os poderes espirituais simbolizados neste signo. Da mesma forma que uma chama aquece, com o calor que irradia, todos os objectos suficientemente próximos, também as radiações do Aquário elevarão as vibrações da Terra a um grau tal que ainda nos é incompreensível – apesar de já termos alguns vislumbres eloquentes dos efeitos dessas forças em invenções que revolucionaram o nosso modo de vida actual. Os Raios X maravilharam a geração da época ao permitirem ver através do corpo humano. Mais eficaz ainda é um sentido que está latente em cada um de nós e que permitirá, quando estiver desenvolvido, ver através de qualquer corpo e a qualquer distância. Surpreendemo-nos com a possibilidade de falarmos ao telefone com alguém do outro lado do continente, mas todos temos uma outra capacidade, também latente, muito mais eficaz, que nos permite falar e ouvir. Admiramo-nos com as viagens submarinas ou aéreas, a enormes altitudes, mas, a verdade, é que também todos nós temos a possibilidade de nos deslocarmos nas profundidades oceânicas ou de nos elevarmos no espaço aéreo e, mais do que isso, ser-nos-á possível atravessar as rochas mais sólidas e o fogo crepitante, desde que o saibamos fazer. Comparado com os nossos recursos, a rapidez do relâmpago é de uma notável lentidão. Tudo isto nos parece hoje uma simples história, como as novelas de Júlio Verne à geração anterior. A Idade Aquariana será testemunha da concretização de todas estas capacidades e de muitas outras que não podemos sequer sonhar. Estas faculdades serão habituais num grande número de indivíduos – que já as estão a desenvolver – do mesmo modo que, noutros tempos, aprendemos a caminhar, a falar, a ouvir, e a ver.

Há em tudo isto, porém, um grande perigo. Como é natural, semelhantes faculdades poderão ser indevidamente usadas e fonte de inevitáveis prejuízos se não houver o adequado espírito de abnegação e de altruísmo. É por isso que a importância actual da religião é muito grande, dada a sua responsabilidade no desenvolvimento da verdadeira noção de amor e de fraternidade entre os homens. São estes sentimentos a base necessária ao uso adequado das faculdades latentes. Há pessoas que sentem particularmente o peso desta responsabilidade evidenciado nas confissões religiosas: são as mais sensíveis às vibrações aquarianas, já perceptíveis, por terem os seus éteres mais libertos dos átomos físicos. Também elas se dividem em dois grupos. Num deles predomina o lado intelectual. Estas pessoas são motivadas unicamente pela frieza racional quando procuram a conquista dos mistérios espirituais, por mera curiosidade. Procuram o conhecimento pelo conhecimento, como um fim em si mesmo. Parecem não compreender o facto de o conhecimento só ter valor quando é usado construtivamente. A esta classe pertencem os ocultistas.

O outro grupo não devota ao conhecimento especial atenção, mas sente uma atracção interna para Deus. Segue o caminho da devoção na procura do ideal personificado na imagem de Cristo. Imitam-No, apesar das limitações impostas pelo, seu corpo carnal. Com o tempo, alcançarão, é claro, a iluminação interna – que trará consigo todo o conhecimento conseguido pela classe anterior e mais ainda. A esta classe pertencem os místicos.

Cada um desses grupos defronta-se com determinados perigos. Se o ocultista obtiver a iluminação e desenvolver as faculdades espirituais latentes, poderá usá-las para satisfazer interesses pessoais ao ponto de causar prejuízo aos semelhantes. É o que se chama magia negra. A consequência automática destas práticas é tão horrorosa que é melhor silenciar sobre o assunto. O místico também se pode enganar por falta de conhecimento e, por isso, cair na alçada das leis da natureza, mas, como é impulsionado pelo amor, os seus erros nunca serão muito sérios e, à medida que se desenvolver em graça, a voz silenciosa falará dentro do seu coração mais perceptivelmente para lhe indicar o caminho.

Todo o esforço da Fraternidade Rosacruz se dirige no sentido de preparar a generalidade das pessoas, e os sensitivos destes dois grupos em particular, para que despertem os poderes latentes, mas sem perigo, capacitando-os para o uso legítimo das novas faculdades. Faz-se um esforço para integrar o amor – sem o qual, como disse S. Paulo, o conhecimento de todos os mistérios é inútil – no conhecimento. Assim, os discípulos desta Escola poderão converter-se em expoentes vivos da ciência unificadora da alma da Escola da Sabedoria Ocidental e educar, gradualmente, a humanidade em geral, nas virtudes necessárias para a posse desses elevados poderes.

Max Heindel

In Mistérios Rosacruzes, Cap. I




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