Filosofia

Água Viva

Existem mistérios na natureza? Evidentemente que sim. São numerosos, diários; uns são insignificantes, caseiros, domésticos; outros impressionantes – mas todos momentaneamente inexplicáveis. É claro e da maior evidência que somos nós próprios que os classificamos assim, quer eles sejam banais e corriqueiros, quer surpreendentes ou maravilhosos.

O que tem de ser admitido antes de tudo é que todos os fenómenos da natureza devem ter o seu encadeamento, a sua motivação de causa e efeito. Isto deve operar-se também em relação ao ser humano, em todas as funções do seu corpo, qualquer que seja o seu grau de diferenciação, desde os imperativos de acção às nossas necessidades de ética, às nossas virtudes, ao nosso optimismo ou pessimismo. Poderá o prazer, a alegria, a felicidade, a simpatia e empatia, obedecer à interacção de certas formas de energia, agindo num ou noutro sentido? É claro que admitimos a possibilidade de existência de vários factores que, pela sua acção, possam influenciar essa fenomenologia. E não existirão também manifestações idênticas fora do território humano, em relação aos animais e às plantas? O que se torna essencial é saber se atrás dos fenómenos descritos pode haver qualquer realidade, qualquer elemento capaz de ter contribuído para a formação e a manutenção dessas reacções.

Devemos lembrar que, há poucos anos atrás, a humanidade ainda ignorava as possibilidades das ondas de rádio, que se tornaram uma das maiores maravilhas da civilização. Assim, sem nada vermos ou sentirmos, descobrimos que na nossa atmosfera se cruzam numerosas correntes de energia, que podem ser conduzidas até para fora do nosso planeta. Dessa maneira, o que pensamos, dizemos e executamos pode ser reproduzido e levado para o infinito, tanto a nossa voz quanto imagens e cores. É tão assombroso que certamente teria parecido absurdo pensar em tais possibilidades antes de haverem sido descobertas.

Por esta razão parece-nos justificada a suposição de determinadas correntes desconhecidas, ou irreconhecíveis, poderem ocasionar determinados efeitos e, por exemplo, influenciar a morfogénese – o desenvolvimento da forma (das palavras gregas morphé, forma e genesis, nascimento) – como a dos flocos de neve.

Masaru Emoto é um investigador japonês que pesquisa a acção dessas forças, inevitavelmente misteriosas, na formação dos cristais de gelo. Parecem ter uma arquitectura geométrica, como a dos arquétipos de algumas plantas. São estas estruturas geométricas, a que Max Heindel chama "linhas de força", que determinam, de uma maneira ou de outra, as formas dos cristais e biológicas. O investigador japonês admite ter conseguido registar fotograficamente uma verdade real, positiva, aproveitável, ao identificar aquelas linhas de força e a "acção à distância" de certas energias humanas, mentais e emocionais, que, transformadas em conjunto numa matriz de energias, leva os objectos a afectarem-se entre si, mesmo se não mantiverem contacto material.

O mérito maior deve ter sido a persistência, a capacidade de trabalho e, sobretudo, a indiferença pelas ideias-feitas do terreno doutrinário ou teórico, onde não se sabe precisamente o que se pensa, ou onde se quer chegar, procurando termos e justificativas para dirimir dúvidas, disputas, incompreensões.

O trabalho de M. Emoto é importante uma vez que poderá mostrar que a matriz energética é a força organizadora e controladora da matéria física e, portanto, do organismo vivo, e encerra, ainda, as suas características, tendo nela também inscrita os sintomas físicos de malignidade, e emocionais de instabilidade mental.

M. Emoto comparou cristais de gelo formados pelo congelamento de água obtida em fontes não poluídas com outros, provenientes da água potável da rede pública de Tóquio, que é desinfectada, como a nossa, com dióxido de cloro. Admite que a água da rede pública dê origem à formação de cristais com uma configuração muito desequilibrada e sem a beleza da simetria e delicadeza que se encontra nos cristais de águas de nascente.

Também examinou amostras de água submetidas à influência de vibrações sonoras. Os cristais provenientes de amostras expostas às sonoridades da música clássica que M. Emoto fotografou, têm estruturas que reflectem harmonia e equilíbrio (Fig. 1). Mas a acção da música "heavy metal" (Fig. 2) promove uma cristalização caótica que revela, ao microscópio, cristais com uma estrutura fragmentada.

As moléculas de água influenciadas por um sentido "obrigado" dão origem a cristais idênticos aos que se formam por influência dos acordes das "Variações Goldberg", de João Sebastião Bach. (Figs 3 e 4). Mas, curiosamente, o "obrigado" em língua japonesa (arigatô) dá origem, segundo Emoto, a uma figura distinta do familiar thank you inglês.

Obtém-se um efeito exactamente contrário nos cristais provenientes de água exposta a um ambiente de impropérios. Neste caso, a formação dos cristais revela um padrão idêntico ao da música "heavy metal".

 

Fig. 1

Efeito da Pastoral
de Beethoven
Fig. 2

Música "heavy metal"

Imagens de Emoto, Masaru, Beyond Words Publishing

Estamos aqui, ainda, num dos domínio da Física, relativamente bem estudado: a acústica. Mas as observações que a seguir se descrevem levam-nos para o interior de um território de conhecimentos científicos no qual intervêm forças ainda mal conhecidas e que, justamente por isso, necessitam ser investigadas. A confirmar-se a conclusão do académico japonês, a hipótese de determinadas forças reais, mas ainda desconhecidas ou irreconhecíveis, estarem na origem de muitos fenómenos, deixará de ser uma simples teoria. M. Emoto afirma ter conseguido demonstrar como os nossos pensamentos e sentimentos se entrelaçam com as forças físicas e as leis da natureza e agem segundo leis próprias, para os seres vivos e entre estes e a matéria que o circunda.

 

Fig. 3

Bach. Variações Goldberg
Fig. 4

"Arigato" e "Thank You"

Imagens de Emoto, Masaru, Beyond Words Publishing

Não menos interessante é o facto de os cristais de gelo de uma massa de água depositada na proximidade da essência floral de camomila apresentarem uma estrutura semelhante àquela graciosa flor, como se vê nas Fig. 5 e 6.

 

Fig. 5
Fig. 6

Imagens de Emoto, Masaru, Beyond Words Publishing

O que parece já demonstrado é que a água não é apenas uma substância química formada por átomos de hidrogénio e oxigénio: nela surgiu a primeira forma de vida do planeta há milhões de anos. Foi na água que o processo evolutivo caminhou até se desenvolver a nossa espécie humana e continua a ser ela um factor vital para manter toda a diversidade de vida que conhecemos no planeta em que vivemos. A água fornece e transporta quantidades significativas de energias. A água da torneira fica empobrecida com o tratamento – além de conter níveis significativos de antinutrientes. A preocupação com os poluentes já levou muitas pessoas, na Comunidade Europeia, a mudarem para a água engarrafada, destilada ou filtrada, seguindo, afinal, os conselhos de Max Heindel.

Podemos então concluir que, sendo dois terços do corpo constituídos por água, que é, por conseguinte o nosso nutriente mais importante, e sendo ela afectada de maneira tão violenta pelos comportamentos humanos, tudo o que temos a fazer para progredir em harmonia é observar a natureza do nosso comportamento em tudo o que possa ter qualquer relação com a natureza que nos cerca.

Tal como no nosso corpo, onde as células mais afastadas se influenciam reciprocamente por correntes electroquímicas que as ligam entre si, os indivíduos, no corpo da sociedade, estão ligados por uma corrente psíquica que faz com que todo o acto de um de entre eles exerça uma elevação ou uma diminuição das condições do mundo. A vida interior de cada um repercute-se, também por meio da água, de maneira oculta, no destino da colectividade. Aquele que é consciente desta "ligação" com os outros e o conjunto do mundo, se pensa nisso com atenção, no silêncio e com fervor, compreenderá por que todo o progresso no caminho da iniciação está condicionado ao desenvolvimento do domínio de si próprio.

O sentido de responsabilidade é agora mais evidente. Ocorre lembrar o que diz Max Heindel em Cristianismo Rosacruz – Sono, Sonhos e Transe: "O homem que usa o seu poder mental indignamente é o pior do homens, assim como o mais nocivo da sua classe. O mais enganador de todos os males é aquele que é feito no plano mental da acção, onde uma pessoa, com a aparência de perfeita responsabilidade, frequentemente sob o aspecto da benevolência, pode emurchecer a vida dos outros, vergar as suas vontades para os seus próprios fins, ainda que a aparência permaneça, para si mesmo, irrepreensível, e ainda que seja visto como amigo e como benfeitor pelas suas vítimas. (...) A sua transgressão é amiúde castigada durante a vida em que cometeu essa violência, mas, frequentemente, nas vidas posteriores, encontra a sua expiação sob a forma de idiotismo congénito".

 

Ariel

 

Bibliografia

Emoto, Masaru; Messages from Water, Vols 1, 2 e 3; Beyond Words Publishing, 2005.
- The Hideen Messages in Water; Beyond Words Publishing, 2005. Sheldrake, Rupert; A Ressonância Mórfica; Instituto Piaget, 1996. Schrödter, Willy; History of Energy Transference; Samuel Weiser, Inc, 1999.




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