Filosofia

Os Mestres de Sabedoria Ocidental

São frequentemente usados na literatura espiritualista, teosófica e esoterista, os termos: “Mestre”, “Instrutor” e “Guru”. Convém conhecer-se o verdadeiro significado destas palavras, porque muitos estudantes do ocultismo ou esoterismo costumam dar-lhes um sentido erróneo.

É natural que quem deseja consagrar-se às Ciências Superiores, a fim de encontrar a Luz Espiritual, também deseja encontrar o seu Instrutor e Mestre; e geralmente procura como Mestre alguém que sabe mais do que ele, e sujeita-se à sua direcção intelectual. Raras vezes, porém, encontra o verdadeiro Mestre de Sabedoria Espiritual, porque as condições que tal Mestre exige, são muito diferentes das de um mestre de ciências exotericas ou intelectuais. O discípulo espiritualista há-de entrar em contacto interno com o seu Mestre; não basta que este lhe explique os pontos do seu estudo, por meio de palavras ou demonstrações físicas; não basta que o discípulo repita o que lhe foi ensinado; é necessário que a Luz de Conhecimento seja acesa e resplandeça na Alma do discípulo.

As relações entre o Mestre e o discípulo não dependem do contacto pessoal ou da presença material, nem duma influência intelectual, mas duma união espiritual, que pertence a uma região superior à do Intelecto, e é regida pelas Leis do Espírito. Se o Mestre apenas transferisse para o discípulo os seus pensamentos, este seria apenas o seu “médium” ou o seu “eco”, e sua livre evolução ficaria parada, porque o verdadeiro conhecimento pode nascer somente da própria experiência interna do estudante. Por isso, deve o discípulo esforçar-se por encontrar na sua alma a Luz Espiritual, pois a Luz do Mestre também se encontra na alma do Mestre. Tem que vencer, antes de mais nada, tudo o que pertence ao egoísmo; tudo o que pertence à ilusão separatista: há-de sentir em si a Vida Una de todos os seres; há-de cumprir as leis da Natureza Superior. Tem que saber e nunca se esquecer de que o seu verdadeiro “EU” não é o corpo, nem a mente, mas sim, o espírito, e que o espírito está no íntimo da alma, tanto na dele, como na do Mestre.

Só depois de ter-se unido, no interior da alma, com o Mestre, terá o direito de receber dele instruções necessárias para o caminho mais adiantado.

Não se confunda, pois, qualquer comunicação mediúnica com as comunicações dos Mestres Espirituais. O Mestre não trata de assuntos que outros podem executar, sem sua intervenção.

O Mestre não obriga o discípulo a fazer isto ou aquilo, respeitando sempre a liberdade individual, e a livre vontade; não lhe faz promessas, nem elogios, nem repreensões; a sua actividade consiste em aclarar mais a Luz que já existe na alma do discípulo, que conseguiu elevar-se ao plano da Intuição. Pois a verdadeira intuição é o conhecimento espiritual.

Como as vibrações do plano intuitivo são muito mais altas do que as do plano astral inferior, é mais fácil obter-se, nas concentrações, apenas comunicações com seres pouco evoluídos, ou com seres maléficos. O discípulo deve, portanto, saber distinguir as influências invisíveis, e fugir das inferiores. Enquanto o seu coração nutrir qualquer paixão, vicio, ódio, orgulho, mentira, desarmonia, injustiça, não pode entrar em comunicação com o Mestre, e corre o perigo de ser obcecado por alguma entidade da região inferior do Mundo do Desejo.

Também deve cuidar que não seja vítima do jogo da sua própria fantasia, porque a intuição não é fantasia. Uma curiosidade sem objectivo filantrópico também pode seduzir do verdadeiro caminho. Um verdadeiro discípulo rosacruciano sabe que os poderes psíquicos, muito úteis no princípio do desenvolvimento, podem tornar-se-lhe empecilhos na senda progressiva, e que, muitas vezes, é melhor renunciar a tais poderes, do que atrasar-se aplicando-os. Ele sabe que, quando encontra o Mestre, de nada mais precisa, porque, seguindo-o, alcançará o alvo das suas actividades.

Perguntará, talvez, alguém: “Não há outro caminho, mais fácil, para se chegar ao Mestre?” Respondemos: “Há muitos caminhos que a Ele conduzem; porém, todos exigem a pureza dos pensamentos, palavras e acções; o amor altruísta, manifestado na ausência de todo ódio, seja individual, familiar, social, nacional ou racial; e confirmado por boas obras e filantropia; como também um coração humilde e manso, pacífico e paciente”.

O Grande Mestre Jesus Cristo apontou esse caminho, dizendo:

“Bem-aventurados são os pobres de espírito (isto é, os humildes), porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados são os que choram (isto é, os que expiam suas faltas cármicas), porque serão consolados”.

F. L.




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