O Que a Bíblia nos Ensina

O Renascimento nas Escrituras Sagradas

Capítulo VII

A Divina Lei da Causa e do Efeito

Porquê tantas desigualdades nos destinos humanos?

Quando corpo físico atingiu a necessária eficiência foi dada ao Homem o uso da razão e da palavra. Então, os seres humanos começaram a pensar e a converter os seus pensamentos em palavras. O Homem começou a ter consciência da sua posição entre as restantes criaturas da Terra mas tornou-se egoísta, cioso dos seus interesses e das suas conveniências. E assim se tornou mau, pois que, para defender os seus interesses, tinha que desprezar os dos semelhantes. Deste modo, cada ser humano começou a separar-se dos outros, cuidando muito mais de si mesmo do que dos seus irmãos ou companheiros.

(...)

E, por isso, o Homem ficou, a partir dessa altura, entregue a si próprio para que, usando a razão, fosse juiz dos seus próprios actos e pudesse escolher entre o Bem que o elevaria mais rapidamente de Homem a Super-Homem, ou o Mal que o amarraria cada vez mais apertadamente à Terra e às suas dolorosas condições.

Assim, ao Homem, que fora criado inteiramente livre, era-lhe mantida essa mesma regalia. Continuava a ser totalmente livre para agir como quisesse, na certeza de que todos os seus pensamentos ou acções mentais, e os próprios actos físicos, ficariam esperando por ele, formariam o seu futuro ambiente, impregnado de alegria ou de tristeza, de felicidade ou de infelicidade. Como diz o ditado, "assim como fazemos, também havemos de recolher".

(...)

Os nossos actos esperam sempre por nós e são eles que tecem os nossos destinos! Assim como fizermos, assim mesmo acharemos quando voltarmos a este mundo, quando renascermos. E porque o que fazemos numa vida prepara a outra que se lhe segue, quando nascemos já trazemos connosco as probabilidades do que irá ser a nossa vida, o nosso destino ou fado. E é assim que, ao nascer e ao morrer, todos somos iguais: as diferenças devem-se a esta misteriosa palavra: Destino. De facto, assim como os nossos modos de ser e de agir são diferentes, também o destino de cada um de nós é distinto.

E porque se nasce, então, para a pobreza ou para a riqueza?

(...)

Sempre hão-de haver pobres e ricos, mas o melhor seria que todos soubessem usar com nobreza a fortuna, porque assim a felicidade humana seria muito maior.

Vejamos agora o quadro inverso. Se possuímos riqueza e dela nos servimos para humilhar os nossos semelhantes, considerando-os inferiores, tratando-os com desprezo e explorando mesmo o seu trabalho sem lhes dar a justa remuneração; se usamos os meios de fortuna apenas para gáudio do nosso inchado egoísmo, fechando os nossos ouvidos às queixas dos nossos irmãos desventurados e pobres; se além de não ajudarmos os nossos semelhantes carecidos de auxilio, com entusiasmo e amor, ainda os exploramos e diminuímos na sua liberdade e possibilidades de se enobrecerem cada vez melhor, então, quando voltarmos a renascer, teremos o nosso berço entre gente humilde e pobre. A explicação é simples. Nessas condições viremos despojados das possibilidades de obter riqueza. Cairemos no convívio de pessoas sem meios de fortuna, e com eles compartilharemos as condições ásperas dos sem-sorte, dos revoltados e inconformistas! Sentiremos, então, que tínhamos direito a um bom quinhão na felicidade que vem pelo dinheiro, pela riqueza matéria, mas tudo à nossa volta se prepara para que não possamos obter os meios financeiros que nos concedam mais ampla liberdade de movimentos. E, para muitos que usaram mal a fortuna, não só estão impedidos de a obter, como lhes vem negado também o mínimo auxílio dela!

(...)

Os seres humanos não nascem como as tristes ervas que ninguém semeia mas que ressurgem sempre na época própria! Renascem as pobres ervinhas na maior humildade e, sem que alguém as semeie ou cuide delas, dão sempre as mesmas folhas, as mesmas flores e as mesmas sementes que, por sua vez, darão ao mundo novas e graciosas plantazinhas. Mas nós, os seres humanos, nascemos sempre diferentes de vida em vida! Estas diferenças são exactamente o produto do que fizemos de vida em vida. E o que se dá com a riqueza dá-se com todos os ramos da actividade humana, o que confirma plenamente o dito popular: "Assim como fizeres, acharás"!

É claro que o provérbio não diz quando nem como havemos de achar os resultados das nossas acções, mas deixa-nos a certeza de que os havemos de encontrar, algum dia, nesta ou noutra vida, e isto é o que verdadeiramente importa.

O porquê das desigualdades nos destinos humanos está ligado ao passado de cada um de nós.

Aquele que faz as coisas viverá nelas. Portanto, se queremos destinos melhores, temos de emendar a nossa conduta, dia a dia, momento a momento e, assim, corrigindo os nossos modos de ser e de agir, de maneira que os maus se tornem bons e os bons ainda melhores, venceremos todos os nossos obstáculos porque, com este procedimento, estaremos a alterar os nossos destinos. É agindo que os tecemos e só agindo os havemos de modificar, para melhor ou para pior, mas certamente de harmonia com o que fizermos. Para isso temos de persistir sempre, com tenaz vontade de melhorar, de ser mais nobres de sentimentos e de acções.

(Resumo do texto publicado)

Francisco Marques Rodrigues




[ Índice ]