O Que a Bíblia nos Ensina

O Renascimento nas Escrituras Sagradas

Capítulo X

A Divina Lei da Causa e do Efeito

Ouvimos muitas vezes esta pergunta angustiosa:

"Porque se nasce para ser feliz ou infeliz?"

E depois vem o comentário:

"Se o CRIADOR é sumamente justo, porque cria assim tão brutalmente uns para a miséria, nos seus variadíssimos matizes, outros para a abastança e a felicidade nas suas múltiplas formas? E por fim, se dermos crédito ao que ensinam as religiões do hemisfério ocidental, ainda lança uns nas chamas eternas do Inferno, elevando outros à suprema ventura do Céu!"

(...)

DEUS fez-nos a todos para a mais alta elevação e ventura; nós é que nos desviamos dos seus preceitos e criamos as nossas próprias infelicidades e tristeza, com os nossos maus pensamentos, com a nossa maldade!

A felicidade e a infelicidade constituem um problema que poderemos resolver vivendo a doutrina ensinada por CRISTO. Vivida esta doutrina, nós encontraremos a chave do mistério que chamamos Destino, e podemos modificá-lo e até vencê-lo. Para isso nada adiantamos pregando mas vivendo, sentindo em nossos corações os ensinamentos do Mestre Divino. O que sai da boca pouco interessa; mas o que sai do coração puro é de grande valor.

(...)

Se queremos verdadeiramente ser felizes, temos de semear por toda a parte a felicidade; pois só contribuindo para a felicidade de outros seres nós preparamos a nossa própria felicidade. Se em redor de nós semeamos egoísmo, orgulho e maldade, impregnamos o próprio ambiente em que temos de viver dessa daninha essência do mal, que tornará pesado o nosso ambiente, e nos fará infelizes.

"Quem quer o bem, primeiro bom se faça"!

Assim como fizemos a outros em vidas passadas, assim outros nos farão na vida presente e nas futuras, até quando tivermos provado bem o gosto que o fado tem! É a Lei justa da Causa e do Efeito que está em nós mesmos e nos sujeita, quer queiramos, quer não.

(...)

Diz-se muitas vezes que duas pedras duras não fazem boa farinha, e quando se juntam no matrimónio duas almas assim, sempre prontas a puxar ao contrário do que melhor convém, aplica-se-lhes o mesmo prolóquio. São duas pedras duras! Não sabem transigir! Não harmonizam! Nada fazem para se desculparem e compreenderem e daí a sua luta constante e a sua grande infelicidade matrimonial tantas vezes reflectida desastrosamente na educação dos filhos!

Uns e outros, esposos e filhos, necessitavam desta dura experiência! Mas, bastante melhor seria se em vez de lutas houvesse paz! Isto indicaria uma lição estudada, uma prova feita, uma dificuldade vencida, uma página do livro do Destino completamente lavada do que ali fora escrito. Mas... raramente se pode cantar essa vitória! O que mais vezes sucede é chegar o fim duma vida cheia de lutas e de injustiças e vir a morte fechar o livro do Destino tal como foi escrito com os nossos pensamentos e actos, para servir noutra vida futura como lição a estudar e a aprender.

De vida em vida, por via de regra, se bem cumprimos os nossos deveres dentro do plano a que pertencemos, casando e reproduzindo a forma, nascemos com sexo diferente do que temos agora. Os que se recusaram a cumprir o sagrado preceito – crescei e multiplicai-vos –, voltarão no mesmo sexo para consumarem esse divino preceito que impulsiona ao matrimónio. E então deparamos com o seguinte arreliador panorama: os casados recolherão os frutos que semearam, amargos ou doces; os que fingindo santidade se escaparam ao sacramento do matrimónio buscarão realizá-lo, mas depararão com grandes dificuldades para o conseguirem, ou só o conseguem de modo contrário ao que sonharam e assim mesmo ainda muitas vezes se desfaz o desejado laço.

Temos, ainda, aqueles que fugiram ao casamento por egoísmo, contrários ao esforço tão natural e nobre de constituir um lar e uma família para com o produto do seu trabalho os sustentar e se enobrecer! Esses, receberão também o seu salário!

Existem outros ainda, que não se casaram mas se deram às habilidades atribuídas aos cucos! Desprezíveis "heróis" duma vil estirpe, eles receberão na sua medida, vendo outros cucos buscar os seus ninhos...

"Elas cá se fazem, e cá se pagam"!

O que foi mau esposo numa vida, quando voltar a renascer virá mulher, e o marido que vai ter será igual ao que ele foi na sua passada existência. Então carpirá a sua infelicidade e louvar-se-á pela sua bondade e por ser digna de melhor sorte! O mesmo sucederá àquela má esposa que não perdeu um momento para tornar infeliz o seu marido, pois renascerá homem e terá uma esposa exactamente como ela foi na passada existência! Só assim podemos provar o gosto que o fado tem! E de vida em vida mudar de atitudes.

Quantas vezes nos quedamos diante duma ideia que desejamos realizar, pensando no mau sucesso, temendo a responsabilidade! É uma vaga reminiscência do passado, dos resultados de actos mal sucedidos em vidas passadas! É o acordar da consciência! É, quando assim acontece, um bom sinal, pois já começamos a ouvir a voz da consciência, o que nos indica avanço na escala evolutiva. Assim, ouvindo essa voz silenciosa que nos previne contra o mal que nos pode vir se consumamos tal acto, é um excelente indício de avanço moral. Estamos aptos a modificar profundamente os nossos destinos, de modo a torná-los melhores, mais felizes.

De vida em vida temos de recolher exactamente o que semeámos, no mesmo estilo em que fizemos, nesse mesmo havemos de recolher. Tudo será desfiado até ao mais ínfimo pormenor!

Este mundo em que vivemos é enganoso, ilusório. Por isso mesmo, quando julgamos enganar os outros estamos a enganar-nos a nós mesmos! Temos, por isso mesmo, muito mais a lucrar em sermos justos e correctos, do que em sermos injustos e incorrectos.

Falámos particularmente nos insucessos matrimoniais por serem eles os que mais palpitantemente interessam a este capítulo, e que melhor elucida a respeito da conduta a tomar nesta vida. Se os que pensam em casar-se tratassem primeiramente de se prepararem para uma justa e mútua compreensão, o matrimónio seria bem mais feliz!

Se os noivos fossem para o matrimónio pensando mais na alegria e felicidade resultantes da união de duas almas que se amam profundamente e se desejam ajudar constantemente, sempre prontos para a tolerância e para o mais perfeito ajuste de opiniões e conveniências, o matrimónio seria perfeito!

Só quando ambos se compreenderem perfeitamente poderão ser inteiramente felizes e desta felicidade que se continuará nas vidas futuras resultarão famílias perfeitas, e assim se contribuirá para maior perfeição e harmonia na sociedade humana.

Não citaremos outros factos que determinam a nossa felicidade ou infelicidade, pois do exposto neste artigo e nos anteriores se deixa bem esclarecido o problema da felicidade e das desigualdades humanas. Tudo quanto dissemos se destina à melhoria do comportamento dos seres humanos. Sabemos quão difícil, por bastante incompreensível, é a aceitação da LEI DO RENASCIMENTO. Não temos a veleidade risível de querer impor a aceitação dessa Lei, mas tão somente chamar para ela a atenção dos nossos numerosos leitores, certos de que muitos compreenderão a lógica origem dos nossos males e não culparão DEUS de nos fazer infelizes!

"Quem faz as coisas viverá nelas".

"O que tu semeias, isso mesmo hás-de recolher algum dia"!

Estas e muitas outras sentenças andam na voz do povo; e diz-se que a voz do povo é a voz de DEUS, querendo com isto afirmar que nas sentenças populares anda muita verdade. E nós assim o acreditamos!

As religiões do Ocidente não explicam ao povo a LEI DO RENASCIMENTO, tantas vezes mencionada nas Escrituras Sagradas, e até sofismadamente a negam, mas procedendo assim cometem um grave erro e obstaculizam a evolução da Humanidade!

(...)

Se vivermos em harmonia com os ensinamentos de CRISTO, nós estaremos vencendo a passos largos o penoso caminho da evolução, que teremos de percorrer, a bem ou a mal, porque a finalidade da nossa existência neste mundo é graduar-nos para mais sublimes condições.

(Resumo do texto publicado)

 

Francisco Marques Rodrigues




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