CARTAS A CRISTINA
A Imaculada Concepção
Prezada Amiga:
Procurarei explicar-te hoje o simbolismo das figuras que viste aos pés da imagem da Mãe de Jesus.
A maior parte dos escultores e pintores apresentam-nos Maria sobre uma esfera. Pretendem indicar que ela simboliza o signo zodiacal da Virgem. A importância deste signo é muito importante na regência dos destinos humanos. E, como o signo oposto, os Peixes, é o regente de Portugal e da Galiza, o culto da Virgem tem, nesta parte da Terra, um lugar especial!
Na esfera que está por baixo dos pés de Maria, vemos a Lua, anjos e uma serpente.
Como tu sabes, a Lua saiu da Terra e tem, sobre a vida aqui existente, uma influência decisiva: toda a reprodução se faz pela influência da Lua. Porém, a luz que a Lua nos dá não é sua! Vem do Sol, o Senhor da vida e da alegria. Desta maneira, são positivos os raios do Sol, incidindo directamente sobre as formas de vida terrena, são positivos. Mas, para gerar e trazer a vida física, não bastam os raios positivos, masculinos, do Sol; são necessários outros raios da mesma estrela, em forma negativa! Estes raios são os que a Lua nos manda, pois recebe-os do Sol e reflecte-os para nós numa graduação harmoniosa e constante. Aumenta o seu poder durante os catorze dias que vão da sua conjunção com o Sol até a sua oposição ao mesmo astro, isto é, desde a Lua Nova até à Lua Cheia. E nos catorze dias seguintes, mingua o seu poder. Daí o dizer-se que a Lua é positiva de Nova a Cheia e negativa de Cheia a Nova.
A Lua simboliza a mulher e os animais do sexo feminino; o Sol simboliza o homem e os animais do sexo masculino; e, nas plantas, a Lua significa, no sistema de reprodução, os pistilos, que são os órgãos femininos; o Sol significa os órgãos reprodutores masculinos, os estames.
Como vês, a Lua, manda-nos os raios do Sol em forma negativa e fomenta a reprodução dos corpos, em nós, nos animais e nas plantas! Daí que, o povo inculto, na sua sabedoria inconsciente, quando os animais estão na época da reprodução, diga que eles "andam aluados".
E, como a Lua influi poderosamente no comportamento dos seres humanos e dos animais, vê-se que, estes últimos, não se comportam como antes de receberem em cheio o raio fecundante da Lua! O mesmo fenómeno se dá nos seres humanos mais sensivelmente estimulados pelo impulso evolutivo que é desenvolvido através das funções genesíacas.
Os anjos, uma humanidade que fez a sua evolução imediatamente antes de nós, com o seu chefe, Javé – o Espírito Santo – orientam todo o trabalho necessário à reprodução. Por isso, os anjos caídos – aqueles que não completaram a sua evolução no tempo devido e, por isso, ficaram para trás, caídos – exercem profunda influência sobre os seres humanos, empurrando-os para a desobediência à divina lei da reprodução! Ao contrário, os anjos que completaram a sua evolução, procuram levar amorosamente os seres humanos à reprodução, com o maior respeito, fomentando os chamados prazeres inocentes, amorosos, construtivos, enquanto que os anjos caídos, a que a Igreja dominante na Europa chama lucíferos, dirigidos por Lúcifer, perturbam o trabalho dos seus irmãos. Incitam os seres humanos ao transbordamento da medida e aos vícios que trazem a doença ao corpo e, muitas vezes, a ruína da saúde e da própria vida. E não raro provocam o sentimento de revolta, a vergonha e o remorso, emergentes dos estragos feitos no domínio sagrado dos órgãos da geração.
Destes estragos, que os lucíferos causam aos que se deixam dominar e conduzir por eles, veio a má vontade da mesma Igreja, que os chamou Satanás, Diabo, Demónio. Porém os Romanos chamavam Lúcifer ao planeta Vénus, por causa da sua belíssima luz!
Lúcifer é o portador da Luz. Vénus é o significador da harmonia e, consequentemente, do amor. E por isso, aqueles que se deixam cair no lodaçal da luxúria aprenderem, à custa da dor e da consciência atormentada, a salutar lição que os faz buscar, nas vidas seguintes, o uso respeitoso, amoroso dos órgãos sagrados que Deus nos fez para trazermos outros egos para a evolução. E assim aprendemos a usá-los de modo que aumente em nós a saúde, a alegria e o impulso para a mais elevada perfeição.
A serpente é um símbolo de sabedoria cósmica, mas também simboliza os lucíferos, os portadores da Luz, que são insidiosos e arrastam somente os seres humanos que nasceram com predisposição para só aprenderem as suas lições pela via dolorosa, pelo sofrimento. E assim os preparam para ascenderem à perfeição.
Maria, a Mãe de Jesus, era um ego da mais alta elevação, que veio ao Mundo para ser a mãe de um elevadíssimo Ser, que iria atingir o estado crístico. Por isso, Jesus foi concebido na mais absoluta pureza, pois Maria cumpriu a sua missão imaculadamente, não estando sujeita à influência da Lua, nem dos anjos caídos, nem dos desejos insidiosos simbolizados pela serpente negra.
Maria já tinha, em vidas anteriores, vencido a prova sexual, a mais séria que temos de enfrentar; por isso, a concepção de Jesus foi imaculada.
Teu do coração,
Cristófilo
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