Educação Infantil
A Futura Educação da Criança
(Continuação)
O meio seguro e simples parece-nos ser o esclarecimento límpido das leis divinas, e atributos de Deus, como por exemplo a omnipresença. Se lhe inculcarmos em consciência que nunca se encontra só, que vivemos permanentemente na presença de "Alguém", n’Ele nos movemos e temos o nosso ser, ela é levada insensivelmente a interrogar-se com frequência a si mesma se pensou ou procedeu bem ou mal segundo a "sua maneira de ver". E como possui corpos altamente sensibilizados e mantidos puros – assim o admitimos – a tarefa é-lhes muito facilitada quando intentar apreender o conteúdo e a extensão do Bem e do Mal que devem orientar o futuro da sua vida, quando adulta. Que o educador nunca esqueça esta sábia sentença da Sagrada Escritura. "Deus fez o homem recto, mas ele busca muitas invenções"1.
Resumindo: temos, pois, que ensinar a criança a pensar rectamente e a obrar de harmonia com o seu pensamento. Somente desta forma se evitará a formação dos complexos de que nos fala a psicanálise. Dado que é mais fácil prevenir do que remediar, a criança, isenta destes "obstáculos psíquicos" ou nódulos, possuirá, quando atingir o estado de adulta, uma personalidade integral, um carácter vigoroso e recto, e, portanto, veículos bastante puros de que se servirá maravilhosamente para iniciar uma nova etapa na ascensão espiritual que poderá levá-la muito longe no Caminho.
Pureza da Fé – Os psicólogos modernos, especialmente depois dos monumentais trabalhos de Yung e Adler, que tentaram lançar as bases de uma psicologia das profundidades, e que tanta luz já derramou sobre problemas que pareciam insolúveis à Psicologia Experimental, são mais ou menos concordes em admitir que a criança, durante a primeira infância, se limita a recolher e fixar tudo quanto a rodeia, quer referido ao comportamento das pessoas, expresso em atitudes, acções, sentimentos, emoções e ideias, quer relacionado com o mundo das coisas. Os mais leves e ténues impactos ou estímulos impressionam-na; a imagem das acções e os pensamentos que a atingem gravam-se nela de forma indelével.
Por isso, toda a sua atenção se concentra no mundo exterior, pois ainda não pode distinguir o "eu" do "não-eu", imitando o adulto ou os mais velhos, tanto para o bem como para o mal. Vive em constante irrequietude, como a borboleta que anseia recolher a maior porção de néctar no menor espaço de tempo, esvoaçando permanente e inconstantemente de flor em flor, sem se fixar em nenhuma.
Findo este período, ela passará o resto da sua vida a reproduzir e a aperfeiçoar o que até então pôde gravar no seu nascente cliché subconsciente.
A investigação psicológica localizou o termo desse período aos 4-5 anos, segundo uns, aos 5-6 anos, segundo outros. É interessante frisar como a ciência se vai aproximando dos conhecimentos esotéricos que as Escolas de Mistérios conhecem desde há muito, cuja sabedoria foi adquirida por vias muito diferentes. E assim, a Escola de Mistérios Rosacruzes fixa o fim da primeira infância por volta dos 7 anos, época em que o corpo vital completa o seu desenvolvimento.
Daqui pode concluir-se quão importante e básica é a educação que a criança recebe até aos 7 anos. Durante esta fase da vida, desenvolve-se nela o "substractum" psicológico que há-de servir-lhe de matriz no comportamento da sua vida futura.
A vida do Homem reproduz, em microcosmo, toda a fase evolutiva da Humanidade. Nas primeiras idades, os Grandes Instrutores deram à Humanidade certos símbolos pictóricos, que hoje designamos por mitos e lendas, nos quais se contêm veladamente grandes verdades cósmicas. Estes mitos, cuja compreensão ultrapassava a sua jovem inteligência, tinham por missão facilitar aos homens, ainda que inconscientemente, a maneira de gravar em seus corpos ou veículos superiores ideais mais elevados, que serviriam mais tarde de impulsos para o seu aperfeiçoamento espiritual.
Assim também a criança: imita para fixar, mas raras vezes compreende o que imita e porque imita. Por isso, as imagens que lhe dermos da vida, do ser e das coisas, devem ser tão puras e elevadas quanto possível, para que mais tarde possam servir de normas em sua conduta para consigo, para com o mundo, para com Deus.
Os pais, cônscios da responsabilidade que assumem ao gerarem um corpo físico para um ego reencarnante, e receberem o difícil mas sublime encargo de velar e cuidar dele nas primeiras experiências da vida, devem certamente meditar sobre as suas condições intrínsecas, para descobrirem se estão bem preparados para o cumprimento da mais nobre missão humana: gerar e educar.
A responsabilidade é tremenda! Porque do bom ou mau desabrochar dessas almas em embrião depende o processamento mais ou menos rápido da evolução da Humanidade. E não nos esqueçamos nunca de que o Espírito de Cristo, estando, após o drama do Gólgota, a dirigir a nossa evolução, trabalhando desde o centro da Terra, se encontra dolorosamente confinado ao densíssimo campo de actividade, que é o globo terrestre. Só nos tornamos, em verdade, servos de Deus, quando conscientemente envidamos e concentramos todos os nossos esforços na ajuda real aos nossos irmãos, impulsionando-os a caminhar mais rapidamente na senda evolutiva até atingirem connosco a Redenção.
(Continua)
A. S. G.
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