Educação Infantil

A Futura Educação da Criança

(Continuação)

Estes factores específicos não são transmitidos pelos progenitores; resultam da acção epigenética do ego, que transmite à sua individualidade uma coloração especial, distinta, um cunho inconfundível, que se expressa por suas tendências inatas, e mais tarde, pelas que foram adquiridas durante todo o período de crescimento até à maturidade.

Estas tendências estruturam esquemas primitivos que levam os indivíduos a uma diferenciação na forma de reagir ou de comportamento a estímulos ou motivações semelhantes. São as fundações da construção da personalidade, considerada como um organismo vivo em constante adaptação a um meio natural e social, e traduzida por uma conduta segunda as necessidades internas, físicas ou psíquicas, e influências externas.

A maior riqueza ambiental corresponde maior complexidade da personalidade, por virtude de um maior número de conexões neuropsíquicas que o indivíduo é solicitado a estabelecer. Por isso, a formação da personalidade desenvolve-se em níveis diferentes; e o ego é colocado em situação que mais eficiente e adequadamente pode dar expressão à sua individualidade, a fim de criar, no máximo das suas capacidades inatas, uma personalidade que comporte a maior soma de experiências bem vividas. Sabemos ainda que são dadas ao ego, no decurso de uma experiência, muitas oportunidades para entesourar maiores riquezas espirituais que não estavam inscritas no seu programa de nascimento. Mas, nem sempre assim sucede. A necessidade premente que o ego pode sentir de obter novas experiências, e a falta de uma génese física apropriada, ou em virtude de causas perturbadoras da evolução, criadas por uma conduta regressiva nas últimas encarnações, podem forçá-lo a renascer em circunstâncias adversas e desapropriadas, num ambiente inadequado ao seu perfeito crescimento espiritual, e até num meio socialmente rudimentar.

Conta-se que há anos foram encontradas na selva duas crianças de raça branca, já adolescentes, que se comportavam como os animais. Foi tentada a sua recuperação, integrando-as numa sociedade evoluída. Uma delas faleceu decorridos alguns anos. Da outra muito pouco se conseguiu, relativamente ao esforço dispendido, patenteando sempre um grande atraso mental.

A observação confirma que a individualidade se mantém permanente e fundamental, dando ao Homem uma relativa estabilidade na sua conduta e aptidões. Mas, os factores sociais desempenham importante papel no despertar das suas potencialidades e consequente desenvolvimento, e dão, portanto, largo contributo à formação da personalidade adquirida, que, sendo modificável, permanece em constante adaptação ao meio. Ela pode imprimir à individualidade transformações profundas, quando actuam forças elaboradas por acções conscientes, com finalidade de aperfeiçoamento para a realização de um ideal elevado. Mas, preciso é que essas forças sejam suficientemente poderosas para que vençam a resistência da constituição e estruturas psíquicas já consolidadas.

O equilíbrio do binómio Ģindivíduo-ambienteģ só se estabelece desde que os esquemas da personalidade se desenvolvam em toda a sua plenitude, evitando que a direcção do impulso origine o conflito entre a expansão e a repressão.

(Continua)

A. S. G.




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