JARDIM INFANTIL

A Futura Educação da Criança

(continuação)

Este desequilíbrio do corpo vital é frequentemente a causa real de grande número de doenças orgânicas, cujo diagnóstico escapa à investigação da medicina clássica. Os corpos invisíveis são, pois, influenciados por certos agentes que nos transmitem um sentimento de bem ou de mal-estar, segundo a natureza do agente que os afectou. São numerosos e de várias espécies esses agentes ou elementos: vivem nos mundos extrafísicos, que os pesquisadores ocultistas nos dizem encontrarem-se superpovoados, e são geralmente de influência nefasta ao Homem. Essas larvas, génios, demónios, etc. são vulgarmente conhecidos por micróbios do astral. Alguns deles são mesmo poderosamente maléficos. Também os há benéficos, certamente! Mas aqueles estão mais "perto" de nós. À medida que a Humanidade avança na evolução e sensibiliza os seus corpos, mais perigoso se torna o contacto com esses elementais das regiões inferiores do Mundo do Desejo. É certo que a criança, nos primeiros anos de vida, se desenvolve e cresce sob a cobertura do corpo vital macrocósmico, que a protege dos graves perigos que a rodeiam, e a que mais tarde se expõe quando sozinha começa a realizar o seu trabalho. Mas, após este período, os casos de desequilíbrio mental e nervoso atingem hoje quase metade da população das nações mais "requintadas".

É, pois, da mais ingente necessidade que os pais construam os seus lares familiares com bons materiais espirituais, morais e psicofísicos, para que a sua progénie possa crescer saudavelmente, sem se tornar demasiado "impura".

Das 7 purificações que geralmente se consideram, a purificação do corpo físico é a mais generalizada entre nós. É, portanto, por ela que começaremos.

Pureza do Corpo – Esta "pureza" visa essencialmente à robustez física, e à eliminação tanto quanto possível de todas as enfermidades e afecções mórbidas. Este problema da saúde do corpo tem sido muito descurado ou deficientemente encarado. Geralmente, os pais preocupam-se mais com a doença dos filhos do que com a sua saúde. Invertem assim a questão. É que, por norma, consideramos a doença como um estado acidental, transitório, mas que exige pronta solução, enquanto que os cuidados com a manutenção da saúde ficam descurados, porque não se apresentam de premente necessidade, além de que esses cuidados devem ser praticados dia a dia, ao longo dos anos da nossa peregrinação pela Terra.

O Homem só se lembra da saúde quando está doente! O sofrimento físico é em grande parte resultante do pouco apreço que manifesta pelo bem material mais inestimável que recebe da Natureza quando vem a este mundo. As regras para manutenção da saúde – que devia constituir o nosso estado normal – são muito simples, mas exigem uma aplicação constante. Porém, a continuidade de esforços é uma qualidade bastante rara nos povos do Ocidente.

Quando a criança adoece é muito "prático" e cómodo levá-la ao médico para lhe restaurar a saúde. Contudo, isso não passa de uma ilusão! As condições alimentares e de vivência anti-naturais que ocasionaram os estados mórbidos ou desequilíbrios funcionais na criança, continuam a actuar nela! Daí o raras vezes regressar completamente ao seu estado primitivo de saúde. E se na primeira infância esses estados podem apresentar-se meramente superficiais, passageiros ou acidentais, a acção continuada dos factores anti-naturais farão dela uma doente permanente. Não admira, pois, que a saúde perfeita se converta num estado cada vez mais raro no Homem.

O Homem consegue ser um verdadeiro paradoxo! Faz estudos completos sobre genética, dedica-se com desvelado interesse e cuidado à selecção e apuramento de raças em várias classes de animais e até de plantas, ensaia, experimenta os efeitos dos cruzamentos das espécies e chega a obter exemplares de grande valia, belos, de grande vigor físico; porém, não cura, lamentavelmente, de si próprio! À parte uns pequenos ensaios sem resultados práticos, não se tem querido equacionar o problema da selecção e apuramento das raças humanas no sentido do seu revigoramento! Alexis Carrel sentiu a necessidade de se produzirem super-homens, ou seja, uma "elite" de homens que se destinariam à investigação científica e estudo dos grandes problemas que afligem a Humanidade. Mas, afigura-se-nos que o problema crucial reside na própria raça.

Os egos nascidos em ambiente de miséria material ou moral, de pais sifilíticos, tuberculosos ou portadores de graves taras, serão uma sobrecarga para a sociedade e estão antecipadamente condenados, com raríssimas excepções, a uma vida de degradação física, moral e espiritual. Do ponto de vista da alma, tanto a extrema miséria como o excesso de conforto são circunstâncias desfavoráveis.

Para que a experiência seja frutuosa, o Ego tem de lutar... e vencer. E naquelas condições é-lhe quase impossível o triunfo: no primeiro caso, porque não podendo vencer os muitos obstáculos, depressa sobrevirá o desânimo, e com ele a revolta e o naufrágio; no segundo caso, porque, aparecendo-lhe tudo facilitado, não terá com que lutar. Em ambos os casos a vontade, que é a manifestação mais tangível do Eu Superior, não poderá desenvolver-se devidamente. Por isso, é nosso dever colocar a criança em ambiente em que tenha de lutar para viver, mas dotando-a com meios físicos e morais que lhe assegurem o êxito material e espiritual.

As condições da civilização moderna criaram no homem necessidades artificiais, e hábitos perniciosos à sua saúde e felicidade. E pela sua importância, avulta em primeiro lugar a questão alimentar. É dos alimentos que se digerem e do ar que se respira, que o Ego extrai os elementos com que constrói e mantém o seu corpo físico. Se estes materiais são de inferior qualidade e impróprios para a sua assimilação apropriada, o corpo há-de, necessariamente, ressentir-se disso, e tornar-se não só enfermiço, como ainda grosseiro, "pesado", incapaz de responder às vibrações subtis dos mundos superiores. Um corpo resistente, sensível e forte, só é possível quando se seleccionam escrupulosa e sabiamente os melhores materiais que hão-de entrar na sua constituição. E o único regime susceptível de manter o corpo sadio e "puro" é a dieta lacto-vegetariana e frutífera.

Com um pouco de ponderação, tacto e boa vontade é sempre fácil eliminar as carnes e o peixe da alimentação do jovem, como do adulto. Consideramos um atentado contra o seu bem-estar e felicidade o uso do vinho e do álcool sob todas as formas, dos crustáceos e moluscos, da caça, das conservas e das carnes. É simplesmente repugnante o cheiro nauseabundo que exalam os "enchidos", o fumeiro e outros produtos de salsicharia, que fazem as delícias da maioria dos seres humanos! Dar vinho às crianças é um sintoma de degradação moral e espiritual, tão prejudicial ele é aos seus corpos em formação!

É preciso obliterar-se bem o são paladar do Homem para poder saborear os "picles" e todas as conservas em vinagre! Menos prejudiciais são as conservas de vegetais em azeite muito fino. Contudo, as únicas conservas aconselháveis, nas épocas de escassez, são as compotas de frutas em caldas de açúcar em rama, mas que nunca substituirão os frutos frescos.

Não vamos entrar em pormenores sobre o regime alimentar. Existem hoje obras excelentes da especialidade, que os nossos leitores poderão facilmente consultar. No "Conceito Rosacruz do Cosmo" encontramos preciosas indicações gerais que nos podem orientar no bom caminho.

A dieta vegetariana abrange especialmente os legumes verdes, as saladas, alguns farináceos, o pão integral, os cereais e as frutas. A este regime de base pode adicionar-se o leite, a manteiga e o queijo, o suco de vegetais e o sumo dos frutos. A única bebida será a água muito fina e leve, com poucas substâncias terrosas; de preferência, destilada e, sempre que possível, adicionada de sumos de frutas ou de um pouco de açúcar. As batatas são um alimento muito pobre; deverão consumir-se com parcimónia. As massas italianas, as margarinas, os ovos, todas as gorduras animais, os óleos, o café, o chá e o cacau levam a marca de interdição. O tabaco tem a nossa reprovação absoluta! Devemos ser muito avaros no consumo do sal e do azeite de oliveira, como condimentos; tornam-se tóxicos quando cozidos ou queimados pelo fogo: só devem, pois, adicionar-se aos alimentos depois de cozidos. As pessoas que fazem abstenção completa do sal vêm aguçar-se o sentido do paladar, e com ele, todos os restantes sentidos, principalmente o olfacto. Poderão saborear o gosto natural das batatas ou outro alimento, que os compensará bem dos "apetitosos" manjares.

(Continua)

A. S. G.




[ Índice ]