Jardim Infantil
A Futura Educação da Criança
(Continuação)
A partir da segunda infância, será conduzida a verificar, por experiência própria, que as contendas, as disputas, as discussões sem fim, (com amigos, companheiros ou familiares) se resolvem muito mais facilmente pela mansidão e carinho, do que tomando atitudes desabridas e agressivas, pois, neste caso, só servem para exasperar ainda mais os contendores.
Os pais cuidarão do sistema nervoso do jovem, levando-o por meio de exercícios apropriados a dominar os seus nervos, e a reprimir gestos bruscos e deselegantes, que denunciam má educação. Há duas categorias de exercícios que exercem notável influência sobre os corpos físico e de desejos ou emoções: a iniciação musical e a dança rítmica.
"Renunciar à cólera e ao mau humor" é uma batalha que a criança, auxiliada por seus pais, terá de ganhar a toda o custo. A teimosia e a impertinência são defeitos que não podem medrar no coração do jovem. A calma, mesmo em face de perigo eminente, constituirá a lição diária que receberá por forma que a obrigue a reagir pelos pólos positivos dos seus corpos vital e de desejos, fazendo dela um ser intrépido, corajoso e sereno perante a vida.
Pureza de intenção – À medida que avançamos no caminho das "purificações", as dificuldades de exposição dos preceitos normativos aplicados à educação da criança tornam-se cada vez maiores. E muitos dos que nos lêem apodar-nos-ão de "severamente exigentes", quando queremos ver na criança o que não encontramos no adulto. Na verdade, a educação conveniente de um jovem requer do educador qualificações que não é vulgar encontrarem-se. Mas, a obra a realizar é tão grandiosa e bela, que todo o esforço no sentido do aperfeiçoamento do educador será sempre útil e necessário.
Tem-se hoje defendido a tese de que a criança deve crescer em inteira liberdade, dando largas à total expansão da sua personalidade nascente. Esta orientação pedagógica está dando já os seus frutos, permitindo-se que o trigo e o joio cresçam juntamente Mas, para ajudarmos a evolução a "monda" é sempre necessária.
Geralmente os adultos têm fracas reminiscências da sua infância. Recordam, quando muito, através do véu nebuloso do tempo, alguns episódios festivos ou aqueles em que receberam castigos por faltas cometidas, ou recorreram a manhas ou "truques" para obterem o que desejavam, ou praticaram maldades, fugas à obediência paterna, manobras de sagacidade, etc. Reconhecendo hoje o comportamento irregular ou maldoso de então, provocado nuns casos por exagerada complacência dos pais, noutros por severidade injustificável, crêem que devem ser mais "humanos" para com seus filhos e estragam-nos com tratamento demasiado piegas, brando e inconstante.
Cristo diz-nos que devemos proceder com perfeita rectidão; no entanto, poucos assim fazem. Porquê? Sendo inúmeras as causas, salientaremos a principal: a ausência de um coração puro, de uma consciência recta.
Um mau acto pode provocar consequências funestas visíveis, e ser, portanto, recriminado. A justiça humana e o código moral facilmente o reprova e condena; mas, a intenção que o originou dificilmente se descobre: oculta-se, por vezes, nas profundezas da nossa consciência que escapa à análise do mais investigador. Todavia, a intenção com que se pratica um acto assume tal importância que, mesmo na justiça dos homens, serve de atenuante ou de agravante na condenação, conforme se concretizar o bom ou o mau propósito que provocou. Mas, nos mundos invisíveis, a recta consciência, a intenção pura, adquire mais valor do que os próprios actos. Estes passam, e muitas vezes se limitam ao mundo físico com fraca repercussão nos níveis superiores. A intenção ou atitude mental incrusta-se nos corpos subtis do indivíduo e fica impressa nos seus átomos-sementes, acompanhando o ego até à sua reparação ou purgação. Além disso, a prática de uma acção, aparentemente má, pode ter mais relevância para o Espírito, se for acompanhada de bom propósito, do que outra, que se nos afigura boa, porém suscitada por um mau pensamento. O conceito do bom e do mau é de natureza subjectiva. Na realidade, um pensamento altruísta, amoroso e bom, não pode produzir acções más, pois "uma árvore boa não pode produzir maus frutos, nem a árvore má pode dar bons frutos", mas não raro as aparências, a ilusão da Realidade, nos enganam e nos induzem em juízos errados. É muito difícil iluminar a nossa mente por forma que possamos distinguir as verdadeiras consequências de um acto das falsas aparências, porque para isso teríamos de "ver" ou "sentir" as suas repercussões nos mundos superiores, o que exige a posse de faculdades peculiares ainda pouco comuns nos homens de hoje. Como é precisamente para o desenvolvimento dessas faculdades que deveremos encaminhar a criança da nova era, criando-lhe ambiente e ajudando-a a construir corpos apropriados a esse "desideratum", vemos quão espinhosa é a missão do educador pela tremenda responsabilidade que lhe é inerente. A posse dessas faculdades só nos vem quando tenhamos conseguido adquirir um corpo sadio, coração puro e mente sã, frutos extraídos de um longo treinamento espiritual e obtidos de inúmeras experiências vividas aqui neste "vale de lágrimas" que se chama Terra. Isto significa que a dor é o cadinho da purificação. Bem sabemos que é extremamente difícil conduzir a educação da criança por forma que mantenha uma consciência recta, pelo permanente contacto com o mundo exterior, mais favorável ao desenvolvimento das "ervas daninhas", que são os instintos.
(Continua)
A. S. G.
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