EDUCAÇÃO INFANTIL
As "Brincadeiras" Infantis
E a Sua Influência sobre a SaúdeVamos ver que importância têm os exercícios físicos, isto é, as "brincadeiras", para a saúde física e psíquica das crianças e na preparação que têm para a formação de adultos fortes.
Todos os exercícios devem ser atraentes, porque o prazer é o único meio de despertar o apetite e a vontade de os praticar. Tornar a ginástica obrigatória, como o latim ou a aritmética, não é o melhor caminho...
O exercício físico só é verdadeiramente higiénico quando a criança tem prazer em o efectuar. Pretender obter a saúde por meio de trabalhos físicos, que excluam todos os prazeres, é um plano que não terá resultados práticos.
Todos sabem o que representa uma explosão de alegria num organismo enfraquecido e, portanto, com poucas reacções, além das depressivas. Haverá melhor tónico do que a alegria? Quantas vezes uma notícia feliz transformou um doente e marca o início da convalescença! Em poucos momentos a circulação do sangue retoma a energia e uma nova força reanima os músculos.
Sob o choque de um prazer, os centros nervosos reagem vivamente. Por meio de impulsões energéticas, elas aceleram as trocas orgânicas; a pele muda de cor, o coração bate mais depressa, a respiração torna-se mais profunda e um sentimento de bem-estar acompanha a manifestação de contentamento.
Como actua o prazer? Actua como um excitante que provoca a acção de uma energia latente aprisionada nas células nervosas e que o organismo não tem vulgarmente à sua disposição. Um condensador eléctrico, isolado de qualquer contacto, não manifesta a força que possui, mas a aproximação de um condutor metálico liberta-a imediatamente. Da mesma maneira, o nosso cérebro tem em reserva uma certa dose de energia não ocupada. Se um excitante moral actua sobre ele, liberta a energia latente, sob a forma de influxo nervoso suplementar.
Quando as crianças se aborrecem é um mal. Não é necessário mostrarmo-nos muito aflitos nem solícitos, enchendo-os de meiguices, nem aconselhando-lhes sempre excesso de prudência. Não são os remédios e os tónicos que lhes bastam. O que é preciso é procurar dar-lhes, tanto quanto possível, aquela alegria que faz saltar dos centros nervosos o influxo abençoado, que lhes vai inundar os músculos.
A atracção dos exercícios domina a educação física em todas as idades, mas sobretudo nas crianças. Por isso, toda a partida de brincadeira, de jogos, deve ser uma lição de prazer. Nunca se deve comandar as crianças nos exercícios ou jogos. Devem sentir-se livres. Durante o Verão, os exercícios devem ser feitos, quando for possível, à sombra.
À medida que as crianças forem crescendo, sobretudo a partir dos 16 ou 17 anos, a sessão de jogos deve ter o carácter de uma verdadeira iniciação desportiva.
Os exercícios – brincadeiras e diversões movimentadas – nunca devem ser prolongados. E devem ser interrompidos muitas vezes em cada sessão, para descanso. É verdade que este descanso se faz espontaneamente. As crianças sentem essa necessidade.
Os exercícios em doses maciças, uma ou duas vezes por semana, são desaconselháveis e prejudiciais. Devem ser feitos todos os dias. Às crianças deve sempre dar-se tempo para brincarem.
Os fatos para as brincadeiras devem estar de acordo com a temperatura ambiente, tão ligeiros quanto possível no Verão e quentes no Inverno, mas sem exagero.
Os preceitos de um sistema higiénico não podem contrariar as leis da biologia. É necessário que um método violento só seja experimentado nos jovens fortes, e pode ser um perigo para os mais novos e fracos. O corpo dos jovens tem, em relação com a massa total, uma superfície cutânea muito grande; por isso irradia mais calorias, proporcionalmente, do que os do adulto e arrefece mais rapidamente. Por esta razão, os jovens, sobretudo os mais pequenos, defendem-se mal, tanto dos calores fortes como das temperaturas muito baixas.
A variedade de brincadeiras recomendáveis é muito grande e difere com os vários países. São recomendáveis o salto à corda, livre ou com regras, marcha e competições, devendo ser regrado em relação com o sexo. Eis alguns exercícios:
Exercícios de acuidade dos órgãos dos sentidos: em geral, pouco se faz para desenvolver, nas crianças, a acuidade dos órgãos dos sentidos. E, no entanto, a sua actividade depende da sua integridade e perfeição. Um exercício de atenção consiste em colocar vários objectos cobrindo-os com um pano; chama-se a atenção, descobrem-se os objectos, tornam-se a cobrir e depois cada um descreve os objectos que viu; é um teste fácil e prático do desenvolvimento da atenção.
Cabra-cega: desenvolve também o sentido do toque e o da audição, para fixar a audição dos movimentos e poder individualizar mais facilmente as pessoas.
Tracção à corda: em competição, entre dois grupos, de valor físico sensivelmente igual; é igualmente um exercício recomendável, de força muscular, para os membros superiores e inferiores.
Dr. F.Cortez Pinto
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