História

O Movimento Rosacruciano
No Tempo de Damião de Góis

Paracelso foi uma das personalidades mais importantes do movimento rosacruz do século XVI.

Tal como escreveu Francisco Marques Rodrigues no intróito do seu trabalho sobre "Luís de Camões e a Filosofia Rosacruz", publicado na revista "Rosacruz", nšs 250-281, Paracelso viajou pela Europa permanecendo em cidades onde a Ordem Rosacruz tinha membros. Lisboa foi uma delas.

Em nossas investigações e graças à ajuda de várias Universidades e Bibliotecas de outros países reconhecemos esta realidade como outras que Francisco M. Rodrigues sabia, o qual tinha-o influenciado na sua formação científica e espiritual. Em 1517, esteve em Granada e Sevilha, zona da misteriosa Escola dos Alumbrados onde Camões muito terá bebido. Daqui seguiu para Lisboa, em 1518.

Neste período, Gil Vicente leva à cena as suas famosas "Barcas", a do Inferno e depois a do Purgatório. Damião de Góis tinha tão só 16 anos, tal como Pedro Nunes, que teve contactos sigilosos e de rara amizade com o rosacruz John Dee, aquele estava na Corte de D. Manuel I onde havia ambiente cultural cosmopolita e muitos intercâmbios comerciais e outros. O teatro vicentino imperava tal como trabalhos de outros humanistas.

Damião de Góis nas suas viagens e estadias em várias zonas da Europa conhece, entre tantas personalidades humanistas, o célebre Erasmo, amigo de Paracelso, estando em Friburgo, em 1534, pouco depois do "Lutero" da medicina, Paracelso, ali ter vivido, em 1526. Este humanista com ideais cristãos rosacrucianos de tolerância, de mente aberta e libertadora, fraterna, amigo dos cristãos coptas e de outros que Roma detestava, escreve vários trabalhos que encerram ideais e ideias que o poder inquisitorial religioso dominante e outros ligados aos poderes efémeros não lhes agradava, ao invés.

Ao longo do século XVI, nascem, de novo, no plano físico, como nascem para o "santo etéreo monte" vários seres humanos que dão forte impulso ao movimento rosacruz desde Andrea, "um dos homens mais sábios do seu tempo", assim foi considerado, Kunrath, médico que divulgou a obra de Paracelso, Francis Bacon que lembrou que devemos investigar as sábias Leis da Natureza de forma a trabalharmos de acordo com elas, porque se fizermos ao invés, teremos enormes e nefastos efeitos, e pelo que vemos, pois esquecemos o seu conselho, até Coménio, Shakespeare, e tantos outros, como Camões, Pedro Nunes, Gil Vicente, Damião de Góis, etc.

Damião de Góis sofreu, e de que maneira, as calúnias, as invejas, as perseguições, os ataques de vários Judas, quando por fim regressa ao Portugal, escravizado pelas Inquisições, que o retiraram do seu lugar, ser a Cabeça da Europa, como se vê no mapa simbólico da Virgem Europa, que Camões conhecia como mais tarde Pessoa foca, dizendo ainda que a partir de então Portugal ficou paralisado, adormecido, na cauda da Europa. E tudo isso porque ele demonstrou ideais abertos e tolerantes, de humanismo cristão rosacruciano, de gratidão por tudo o que vários amigos lhe tinham feito em suas estadias nos outros países. No seu, recebeu alguns com esse amor fraterno, como Thurneyssen, que foi colaborador de Paracelso e que fez alguns desenhos das suas obras onde estão símbolos ligados à Rosacruz.

No século XVII, pela primeira vez, surgem, publicamente, os Manifestos, desde a Fama até às Núpcias Químicas de Christian Rosenkreuz, e o movimento rosacruciano ganha forte vitalidade libertadora, rumo à formação de uma civilização fraterna, livre e saudável.

No século XX, e graças a Max Heindel, eis que são transmitidos publicamente novos ensinamentos rosacrucianos. 300 anos depois, surgem mais dádivas para todos os que aspiram a unir o intelecto ao coração, as ciências, com as artes e religiões, para a dinamização libertadora da criação divina.

Em vários países o movimento recebe apoios de pessoas com grande experiência evolutiva desde Francisco Preuss, austríaco, que teve de ir viver para o Brasil, Irene Ruggiero, natural do Uruguai, Corinne Heline, até mesmo Einstein, João XXIII, Fernando Pessoa, e outras pessoas de renome internacional ainda no plano físico.

Em Portugal é com Francisco Marques Rodrigues que a Escola Rosacruz recebe uma profunda renovação e forte impulso. Quem, como ele, deu melhor exemplo de servir, com amor e humildade? Só que vivíamos em pleno período das trevas inquisitoriais, onde o Concílio Vaticano II quase não chegou, e os resultados, Portugal, de novo, tal como nos tempos de Damião de Góis, volta a censura, a perseguição, a cadeia.

Enquanto em alguns países do Mundo Ocidental a Fraternidade Rosacruz é amada, reconhecida até como instituição de utilidade pública, em Portugal, durante quase 50 anos, é mal vista pelos inquisidores, e não só, acabando por ser proibida no ano de 1966! Foi o único país neste Mundo Ocidental onde ela foi perseguida e silenciada1 somente porque defendia e defende os ideais da Liberdade, da Fraternidade e da Igualdade, do puro cristianismo.

E o pior é que tal como com Damião de Góis que é vitima de hipócritas, denunciantes, falsos amigos a quem até tinha feito muito bem, como ao País, também Francisco Marques Rodrigues foi alvo de pessoas desse nível, ele que a todos amava e se dedicou sem nada esperar, ele que estava fazendo um excepcional trabalho para Portugal e não só, para a Humanidade, fazendo-o com a direita sem que a esquerda o soubesse, ele que tinha elevado nível evolutivo e que nunca fez dele qualquer manifestação de exibicionismo ou até informação personalizada, tendo apenas como puro ideal: Cristo.

A partir de 25 de Abril de 1974 foi possível o reconhecimento legal desta Escola em Portugal, com grande atraso em relação a muitos outros países, quando podíamos ter sido dos primeiros! Cabe a cada qual ser fiel aos ideais rosacrucianos, ao exemplo deixado por Francisco Marques Rodrigues, sendo-lhe grato pela sua obra e vida dedicada ao próximo e analisar as grandes mudanças que temos pela frente no caminho da construção da Fraternidade Universal.

Aproximamo-nos da Idade do Aquário onde a Escola será a grande impulsionadora dos ideais já enunciados, mas até lá muitas provas teremos de vencer e entre elas as de fiel amigo, as de são espiritualismo em vez do materialismo e da falsa espiritualidade ou ocultismo charlatão, de humildade, de servir com altruísmo e outras.

Para todos que saibam astrosofia rosacruciana, uma análise sobre os aspectos cósmicos do século XXI dá alguns elementos sobre as profundas mudanças que temos à nossa frente, em todos os níveis, sistemas e instituições; umas mais próximas, outras, como por exemplo, nos anos de 2074 a 2078, em que Urano estará no Capricórnio, Neptuno no Caranguejo; Plutão no Carneiro, respectivamente signos de Terra, Água e Fogo, formando uma cruz em T. Todavia, antes e já mais perto, teremos mudanças profundas, necessárias para a construção de uma melhor civilização.

Aproximamo-nos de uma Idade em que a Luz da Verdade irá brilhar e terminará o reinado dos senhores das trevas.

E quem é que neste estado evolutivo não terá algo de trevas? Procuremos o bem em tudo, incluindo no mal, pois este é o começo daquele!

As provas são bênçãos para evoluirmos, mais e melhor. Aproveitemo-las.

D. D. C.

 

1 Oficialmente, claro. N. da R.




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