PERFIL DE UMA ROSACRUCIANA

Adelaide de Brito

Não obstante o seu carácter comunicativo e o seu pender, desde nova, para ajudar e partilhar tarefas com amigas e familiares, seriam insuficientes esses predicados para nos levar a prever que Adelaide de Brito viria a ser, no futuro, a "mulher forte" na vida rosacruciana, considerada esta no sector feminino.

A sua vida divide-se em dois grandes espaços: o da família e o da Fraternidade.

Esposa extremosa e mãe carinhosa, entregava-se, alegre, voluntariamente, a essa missão nobilíssima de tornar o lar feliz, iluminando-o com o seu espírito, com todo o calor da sua alma de mulher ciente da grandeza do papel que Deus lhe confiara. Quis depois o Destino que a sua própria mãe e logo depois a irmã subissem aos planos invisíveis. Adelaide sentiu-se profundamente, com a sua dor e a sua saudade. E é justamente neste transe angustioso que mostra a sua capacidade de resposta às duras provas com que a Providência lhe experimentara a vontade e a determinação.

Reergue-se sem um queixume e, com a sua dor e a sua saudade, dedica-se em todos os tempos livres à Fraternidade Rosacruz de Portugal, na conservação do seu património e sobretudo na assistência às pessoas idosas, doentes e àqueles que, por qualquer razão, só para a ouvirem, clamavam por si na sede ou em casa.

Ninguém iria supor que dessa mãe de família sairia uma orientadora. Estava sempre alerta: "É preciso estar disponível para ajudar. É para isso que serve a Fraternidade", recomendava sempre Adelaide de Brito.

A caridade preside a todos os seus actos: "se virmos muitos defeitos nos outros, examinemo-nos primeiro" – dizia. Visita os necessitados, partilha horas de amargura e alegria. Foi esta grande senhora do rosacrucianismo em Portugal, esta nossa maravilhosa irmã que me deixa um vazio, uma grande saudade, certamente compartilhada por todos os rosacrucianos que a conheceram. No entanto, tal não é mais do que o reflexo de pensar de quem, com toda a propriedade, se podia dizer aquilo que Paulo afirmava de si mesmo: "eu sou imitador de Cristo". Inspiremo-nos então no maravilhoso exemplo de Adelaide de Brito e saibamos, na nossa medida, ser também imitadores de Cristo.

Mª Ofélia C. Leandro




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