A Vida e a Obra de J. A. Comenius

2.7.5. - Coménio na Hungria, 1650-1654

Em 1650, Coménio empreende duas viagens na Hungria. Primeiramente, para fazer o que era necessário para organizar o seu trabalho no liceu de Sárospatak; depois para aí se instalar. Por ocasião das suas viagens, acompanhado de Jean Chodnicius, ao qual chama sénior, visita as comunidades de Irmãos na Eslováquia, em Skalina. Também o seu antigo colega de escola e amigo Nicolau Drabik, que perante ele evocava as suas profecias sobre o significado da família Rákóczi, para a Hungria e outras nações oprimidas.

De início, Coménio não leva a sério as profecias dele, mas aceita, enfim, uma potencial coligação da Transilvânia com a Suécia de Carlos Gustavo, eventualmente com a Inglaterra.

Por ocasião da sua primeira estadia em Sárospatak, Coménio esboça, por ideia dos príncipes, a ideia básica da escola local (Illustrissimae Patakinae Scholae Idea), com vista a difundir os reflexos da cultura na Hungria. Gozando do pleno apoio da princesa e do príncipe Segismundo Rákoczi, Coménio elaborou o plano duma escola pansófica com sete classes (Schola Pansophica). Confrontado com a realidade, com um pequeno número de alunos, Coménio tem de se contentar em abrir a escola apenas com três classes. Inaugura as diferentes classes com importantes alocuções, onde formula as tarefas no quadro do ensino pansófico. É assim que ele aflora as questões da influência metódica (Methodi Verae Encomia), os problemas de como estudar bem as coisas (De Utilitate Accuratae Rerum Nomenclaturae) e da educação para o belo, a sabedoria e a pureza da língua. São muitas vezes de importância capital as suas alocuções pronunciadas por ocasião da inauguração da escola: De Cultura Ingeniorum (Da Cultura do Espírito) e De Libris (Acerca dos Livros).

O primeiro desenvolve a significação da educação e da cultura em geral; o segundo aconselha como utilizar os livros que representam o instrumento principal do ensino. No entanto, Coménio sente-se com a falta de actividade, preguiça e indiferença dos alunos. Aí faz frente com a sua obra Fortius Redivivus (Fortius Ressuscitado, ou Como acabar com a preguiça na escola) e com as Regras de Comportamento. Com o fim de facilitar os estudos, Coménio compõe um manual ilustrado que, em 150 pequenos capítulos, desenvolve o texto da sua Janua, que completa com ilustrações, onde as diferentes coisas são numeradas conforme o texto. Coménio intitula este manual de Lucidarium e publica em 1653 o exemplar espécime. A versão definitiva aparece depois com o título Orbis Pictus e torna-se muito popular até ao sec. XIX. Para que os estudos se tornem mais agradáveis, refaz a sua Janua Linguarum e escreve oito peças de teatro para os alunos: Schola Ludus.

Coménio tem grandes esperanças culturais e políticas em Sigismond Rákoczi, um senhor erudito interessado na pansofia, assim como no casamento deste com a princesa Henriqueta Maria, filha de Frederico, o Palatino. Jorge II, irmão de Segismundo, é principalmente um guerreiro. É para despertar o seu interesse pela educação, que Coménio escreve a obra Gentis Felicitas (A Felicidade das Pessoas), onde caracteriza os princípios comuns e geralmente válidos dum povo instruído em matéria de economia e de cultura e das possibilidades dum desenvolvimento nacional feliz.

Por altura da sua viagem de regresso a Sarospatak, Coménio visita várias localidades na Eslováquia. É recebido com grande respeito tanto nas famosas escolas de Presov e de Levoca, como entre os Irmãos na Eslováquia Ocidental.




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