A Vida e a Obra de J. A. Comenius
2.7.2 - Coménio na Inglaterra (1641-1642)
O reencontro pessoal de Coménio com os seus amigos ingleses, conseguido por iniciativa de Samuel Hartlib, celebrou-se no momento em que J. Gauden já tinha proferido o seu discurso, onde recomendava ao Parlamento o trabalho de Coménio e do ecomenista escocês John Dury. Tal como Cromwell, Hartlib era partidário da oposição antireal no Parlamento e independente.
Depois de 1616, os independentes procederam com vista a reformar radicalmente a Igreja Anglicana, reconhecendo unicamente a autoridade da Bíblia e recusando a intervenção do poder profano nos assuntos da Igreja. No grupo à volta de Hartlib, havia participantes do parlamentarismo tanto radicais como moderados. Coménio tinha amigos entre uns e outros. Com efeito, tratava-se duma sociedade muito heterogénea - professores primários, filólogos, matemáticos, inventores, naturalistas, teólogos, políticos, juristas, reformadores da Igreja e da vida social e outros. Eram, frequentemente, como Robert Boyle, eruditos de espírito universal. Ligava-os o interesse no progresso social e no quiliasmo activo (milenarismo). A pansofia de Coménio foi assim muito bem recebida tanto pelo matemático J. Pell, como por W. Petty, político, por Th. Haak, filólogo, ou pelo bispo Williams e outros.
Os debates com os seus amigos ingleses foram uma grande fonte de inspiração para Coménio, particularmente para a sua ideia de ligar a reforma escolar com a reforma da sociedade que, de ora avante, estaria presente no seu projecto. É precisamente com esta intenção que ele consegue o seu terceiro grande projecto. São disso prova os seus diversos testemunhos, onde delineia um sistema de ensino para a idade pré-escolar, para a escola elementar da língua materna, a escola secundária latina e (a escola) para os adultos. Explica como concebe a educação global e o melhoramento dos costumes na sua Via Lucis (O Caminho da Luz), obra fundamental deste curto período da sua vida, que ele somente publica em 1668. Concebe aí a história da humanidade como propagação progressiva da civilização e, por conseguinte, o melhoramento das condições de vida. Às trevas da barbárie opõe a luz do aperfeiçoamento do homem, que contribui para o desenvolvimento do mundo; ele contrasta a cultura e paz à violência e guerras. Ele vê novamente os caminhos mais importantes para melhorar tudo na investigação completa de tudo em todos (Omnes Omnia Omnino), em livros académicos, escolas, a sociedade de estudiosos de todo o mundo para a propagação da civilização (Collegium Lucis) e uma linguagem universal. É com ênfase, muito maior do que antes, que enfatiza a unidade da teoria e da prática. Da mesma forma, trabalha pela unidade de educação geral e especial. De muitas maneiras, projecta já a Via Lucis, o programa de consulta geral, o maior de Comenuis. O progresso da revolução inglesa e a insurreição irlandesa, ocupa inteiramente o Parlamento. Não tendo esperança de realizar seus projetos, Coménio deixou a Inglaterra. Três convites são-lhe oferecidos, antes de partir - para reformar o sistema escolar, na Suécia, fundar uma faculdade pansófica na França (o convite é feito em nome de Richelieu) e tornar-se Reitor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos - Comenius aceitou a proposta dos suecos, motivado com a esperança do seu auxílio para a libertação da nação checa.
Durante a sua viagem à Suécia, ele percorre a Holanda e a Alemanha. Os seus trabalhos, particularmente o seu livro Janua linguarum, obteve uma boa reacção em toda parte. Descobre que o seu livro é também traduzido em línguas orientais. Graças aos seus amigos, encontrou-se com o filósofo francês R. Descartes (1596-1650) em Leyden, que estava hospedado no castelo de Endegeest. Após um debate de quatro horas, os dois espíritos não encontram, é claro, um consenso em relação ao projecto, mas partem como amigos. Em Amsterdam, Coménio visita representantes da Igreja de Wallonne, em contato com ele, e que apoiam a Unidade dos Irmãos; discute com os amigos J. Rulicius, J. Morian e G. Hotton, que são também amigos de Hartlib. Em Bremen, recusa a reitoria, em Lubeck, à proposta de um grupo de nobres poloneses, seus companheiros de viagem, que o convidaram para se estabelecer na Pomerellie. Permanece fiel à sua promessa para com os suecos.
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