A Vida e a Obra de J. A. Comenius

2.5. - Refúgio na Morávia

Depois da vitória do imperador da Áustria na batalha da Montanha Branca, Coménio torna-se primeiramente um proscrito na sua pátria, e depois um exilado. Os decretos dirigidos contra os não-católicos, primeiramente contra os sacerdotes calvinistas (1621), depois contra os sacerdotes da confissão checa (os Irmãos e os utraquistas), os eclesiásticos luteranos (1622) e, depois de 1623, contra todos os sacerdotes não católicos (era proibido aos não-católicos terem privilégios de burgueses, exercerem as profissões artesanais, serem casados e enterrados com cerimónia, etc.) reduziram com efeito ao mínimo o espaço vital daqueles que recusavam a conversão ao catolicismo nos países checos. Depois de 1624, começou a ser imposta a nova catolicização sistematicamente pela força. Muitas revoltas então nasceram nas zonas rurais checas e morávias como protesto contra esta opressão e contra o endurecimento da servidão.

Coménio mudou a família de Fulnek para Prerov, e ele foi obrigado a esconder-se. Refugiou-se provavelmente nos domínios dos Zerotin. Com efeito, Carlos de Zerotin, seu protector, não tomou parte na insurreição; diferentemente do seu primo Ladislav Velen, o qual participou nas revoltas militares contra os Habsburgos, mesmo no exílio. Coménio ficou privado de todos os seus bens; a sua biblioteca foi queimada publicamente na praça de Fulnek em 1623. “De um lugar conhecido de Deus” envia uma carta à sua mulher Madalena, começada assim: “Minha querida esposa, Madalena, minha jóia mais querida a seguir a Deus”. E completada com um opúsculo consulador, intitulado “As Reflexões Sobre a Perfeição Cristã”, ao qual acrescenta um prefácio da sua publicação, em 1622. Entretanto, feriu-o um golpe duro: a mulher e os filhos, que tinham ficado em Fulnek, tinham já morrido na primavera de 1622, vítimas duma epidemia como consequência da guerra.

Perante estes acontecimentos - manifestaçõpes de crueldade, perda da família, devastação do país, Coménio esforça-se por responder às questões dolorosas de saber por que razão existe tanto mal e tantos sofrimentos. Todavia, apesar da sua situação extremamente difícil, não pára de lutar pelo equilíbrio espiritual e de procurar novas certezas da vida, que ele encontra, graças à sua crença profunda.

À imagem do mundo exterior tornado tão tenebroso, opõe a imagem do interior do homem, do paraíso do coração e procura a profundeza da conviança o “centrum securitatis”. Os títulos das suas obras exprimem simbolicamente:

O Nome do Eterno é Uma Alta Torre, Acerca do desamparo, O Angustiado, O Labirinto do mundo e o Paraíso do coração, A Pressão de Deus, Centrum Securitatis e outros.




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