A Vida e a Obra de J. A. Comenius
2.7.6. -A última estadia de Coménio em Leszno, 1654-1656
Coménio trabalha intensamente em Leszno. Desempenha as suas obrigações de bispo, continua a escrever a sua Consulta Geral e, vislumbrando novas esperanças na formação de novas coligações, participa em debates por correspondência acerca da evolução política. Mas, a sua temporada em Leszno termina numa tragédia. Em 1654, Carlos Gustavo sucedeu à rainha Cristina, na Suécia. Pela sua parte, Jean-Casimir, rei da Polónia, que também aspirava à coroa Sueca, recusou reconhecer o seu direito de sucessão. No entanto, como ele era pouco popular na Polónia, devido à opressão das liberdades, Carlos Gustavo ocupou facilmente grande parte da Polónia. Era bem acolhido por todo o lado e viam nele o futuro rei da Polónia. Coménio escreve, então, a convite do Juiz Schlichting um Panegyricus Carolo Gustavo (1655), glorificando o rei da Suécia como defensor das liberdades e da tolerância para todos os habitantes da Polónia. Mas o comportamento dos soldados suecos nem sempre se deu sem violência. Sustentada pelos Jesuítas, a maioria dos católicos insurgiu-se todavia contra eles e contra os não-católicos. A cidade de Leszno, centro não-católico na Grande Polónia, foi posta a saque e incendiada pelos polacos católicos.
Os vencedores fizeram sentir pesadamente a Coménio a sua cólera. Perdeu nas chamas todos os seus bens, mas principalmente a biblioteca e todos os manuscritos de obras inéditas. Coménio descreveu esta catástrofe na obra intitulada Lesnae Excidium (O Fim de Leszno).
Ficou muito desiludido pelas manifestações de ódio num país que, anteriormente, tinha sido conhecido pela sua tolerância. Ele amava os Polacos como um povo muito próximo dos Checos; e assim perdeu em Leszno a sua segunda pátria. Pela segunda vez na vida, viu-se proscrito e obrigado a procurar refúgio. Encontrou-o, primeiro, em casa dos seus amigos em Francfort do Óder e, seguidamente, Laurent de Geer, filho do seu antigo mecenas e amigo, ofereceu-lhe hospitalidade em Amesterdão. Por ocasião da sua viagem, dirigiu-se às Igrejas, pedindo que ajudassem as vítimas de Leszno. Passado tempo, a sua família reuniu-se a ele, em Amesterdão.
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