FILOSOFIA
O Sexo na Sociedade Actual
O que é a liberdade? Rostand considerava-a uma ilusão; Sartre dizia ser um absurdo; muitos espiritualistas consideram-na um problema meramente filosófico, não da ciência. Ora, o que podemos dizer, é que o homem não deve ser livre senão de escolher livremente fazer o bem, isto é, o que convém à sua natureza, ao seu equilíbrio físico e ao dos outros. O mal consistirá, então, na escolha errada e na má utilização do seu corpo: ao aceitar sem discernimento certos hábitos acaba por perder a liberdade. Escolher o mal é optar pela imitação do imperfeito e pela desarmonia. É assim que a moral prática, isto é, a moral natural, em oposição à "nova moral", que é defendida até por autoridades religiosas, nos diz o que devem fazer os homens para serem homens. É essencialmente por ela que somos responsabilizados, perante nós mesmos, pelos nossos actos.
A Revolta AbsurdaDesde meados dos anos 50 que se assiste ao bombardeamento regular de notícias sobre a excentricidade de adolescentes, com novos moldes de comportamento e novo vocabulário. Na Inglaterra chamaram-se Teddy boys ou Mods; na Holanda existiam os Hooligans, na Alemanha os Gammler e Halbstarke, que recusavam lavar-se. Mas foi nos Estados Unidos que este movimento se manifestou de forma mais evidente. Os Beatniks deram lugar aos Hippies, que só vestiam blue-jeans em segunda mão, usavam sandálias e tinham, como armas, flores. No seio de uma sociedade em que o bem-estar era crescente, recusaram o progresso social ou pessoal para se tornarem vagabundos!
Um dos postulados hippies reivindicava o "direito ao amor como distracção", na mais perfeita promiscuidade, fugindo a qualquer responsabilidade recíproca e sem nenhuma relação psicológica ou moral com a fecundação.
Chegou-se assim a uma verdadeira inflação sexual, que não é a libertação esperada pelos filósofos, mas uma forma de comercialização que entra no ciclo de dissipação ritual que caracteriza certos processos económicos. Parece que esta comercialização nos leva directamente a um novo género de opressão.
O instinto sexual, já forte na origem, é constantemente estimulado pela televisão, imprensa, propaganda comercial, etc., que tornam a sexualidade um artigo de consumo e, portanto, transformam-nos em consumidores.
A sexualidade, assim libertada ao extremo, foge ao seu contexto biológico-social. Torna-se uma voluptuosidade egoísta, desligada da necessidade biológica e, por isso, de toda a responsabilidade recíproca dos dois interessados que se unem sem nenhuma relação sentimental.
Nos séc. XVIII e XIX, alguns nobres, já então destituídos da sua função social, viveram deste modo. Os nossos jovens copiam-nos em grande parte, mas totalmente destituídos do seu decoro e elegância. Como se diz popularmente, as pessoas casam-se e descasam-se com a maior facilidade. É esta a tese fundamental da maior parte dos filmes, telenovelas e diversos programas televisivos.
Sexualidade AnormalUma das perversões favorecidas pelas condições sociais actuais e pela sexualização invasora é a homossexualidade. Ao longo dos últimos anos tem-se assistido, particularmente na televisão, a diversas notícias e programas sobre a liberdade sexual, chegando-se a apelar para a tolerância de uniões contra a natureza (como em Espanha). Só o desespero ou ignorância pode explicar tais opiniões.
Na realidade, quem usa os órgãos fora do padrão natural cria muitas dificuldades na vida actual e sérias complicações para vidas futuras. A etiologia da SIDA é já uma grande alerta para a humanidade.
A prática alienada e antinatural das relações sexuais revela a existência de seres humanos que ainda não conseguiram descobrir os verdadeiros relacionamentos tocados pelos campos energéticos dos planos espirituais. São os aprendizes da sensualidade, que ainda estão com a consciência alienada, fora da sintonia com os corpos subtis que alimentam o corpo físico. Desse modo, usam o corpo, os órgãos e as emoções à semelhança de instrumentos desafinados de uma grande orquestra dirigida pela sensualidade.
As causas destas perturbação são, naturalmente, diversas. Podem-se apontar erros espirituais e condições sociais defeituosas, que persistem em ignorar as diferenças fundamentais entre o homem e a mulher. Se observarmos a estrutura física de ambos podemos afirmar, sem grande receio de errar, que a relação homem-mulher é complementar e não simétrica. O papel de ambos não resulta de qualquer forma de civilização mas de factos elementares: a paternidade e a maternidade. Sendo complementares, não têm nenhum carácter permutável. Só é possível certo nivelamento de costumes, e um apagamento progressivo das oposições de papéis, no sentido de uma uniformização dos comportamentos. É aqui que está a diferença. É diferente a impressão de as duas partes diferentes constituírem um todo com duas partes fundamentalmente diferentes, mas relativas uma à outra, e o comportamento de dois seres que se associaram unicamente com o fim de gozarem em comum. O que é grave nesta pseudo-simetrização dos sexos é a ideia de cada um deles sobre a natureza da sua complementaridade. Ao eliminar-se o fundamento biológico do acto sexual transforma-se essa união no simples mercadejar de prazeres.
Do ponto de vista espiritual as razões para reprovação têm, pelo menos, idêntico peso. Pode acontecer que, nestes casos, uma personalidade extrínseca (um espírito obsessor), do sexo oposto, utilize o corpo de uma pessoa mais sensitiva para descargas e satisfações sexuais. Quer dizer, há nestas práticas a forte possibilidade de o acto ser induzido espiritualmente, num verdadeiro processo obsessivo. Esta possibilidade é particularmente evidente na homossexualidade (e também no onanismo) pela duplicidade emocional masculina-feminina responsável pela indefinição do indivíduo.
O que é estranho neste problema é que se ignore o facto de a vulgarização da anormalidade, pela forma como o assunto tem sido apresentado repetidamente na televisão, e os apelos à tolerância para com actos e comportamentos contra a natureza, poderem resultar, na prática, como verdadeira propaganda — pelo menos entre as crianças 1 , em quem se reconhece uma forte tendência imitativa, de tal modo que a homossexualidade arrisca-se a tornar-se uma praga.
Devemos ter em conta que, nas crianças, onde os primeiros hábitos subsistem e se enraízam à força das repetições, esta maneira de abordar este problema pode constituir um erro de educação.
O Preço do ErroO custo desta "nova moral" ou revolução sexual, iniciada nos anos 50, foi estudado pelo Dr. Patrick Dixon, na sua obra O Preço do Amor. Contabilizados os custos, verifica-se que as doutrinas divulgadas pelos hippies resultaram num enorme peso para os serviços médicos e sociais, para os tribunais (divórcios, serviço tutelares de menores, etc.), crianças abandonadas e delinquência infantil e juvenil. Basta avaliar os custos com divórcios, as consequências sociais decorrentes da existência de numerosas famílias monoparentais, os problemas de filhos de pais separados, etc. Dixon conclui que a revolução sexual prometida trouxe, afinal, a tragédia, a solidão o sofrimento moral, a violência.
Parece, então, que a "nova" moral não conduz à libertação. Pelo contrário, leva à bestialização obrigatória e, por isso, à violência.
A conscientização da finalidade do acto sexual é, portanto, a única arma de que se dispõe para lutar contra a crescente comercialização do sexo e alcançar a verdadeira liberdade.
F. C.
1 Max Heindel, Princípios Rosacruzes para Educação Infantil, Lisboa, 1997.
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