FILOSOFIA

O Efeito dos Sons

As vibrações sonoras, invisíveis, têm grande poder na matéria, embora não pareça. Podem criar ou destruir. Podemos ficar com uma ideia do poder criador do som se fizermos uma experiência muito simples. Trata-se da experiência de Chladni. Pulveriza-se com areia fina (ou talco) uma placa de vidro ou uma folha delgada de cobre. Afrouxa-se em dois pontos de uma das bordas com dois dedos da mão esquerda e passa-se um arco de violino pelo meio do lado oposto. Ver-se-á a areia estremecer, afastar-se de certas partes da superfície, conforme os sons que se forem obtendo, e desenhar figuras diversas. Obtêm-se admiráveis desenhos se o arco for manejado por um experimentador hábil.

A voz humana também é capaz de produzir estes efeitos físicos 1 o que nos leva a pensar na possibilidade de a usar na "terapia da fala", mas em moldes diferentes dos habituais. Para lembrar o poder destruidor daremos também alguns exemplos.

O célebre tenor italiano Henrique Caruso conseguia partir taças de cristal, colocadas a alguma distância, usando apenas a voz! Recordemos também o relato bíblico das trombetas de Jericó, cidade cujas muralhas ruíram ao som das trombetas e do clamor dos atacantes (Jos.6). Esta história é já considerada como algo mais do que um mito. Vamos ver como isto é possível.

O ouvido humano percebe sons que se encontrem dentro de uma determinada faixa (entre 20 e 20 000 ciclos por segundo). Acima dessa faixa estão os "ultrasons", e abaixo dela há os "infrasons". Estes sons já não se podem ouvir.

O uso mais frequente dos ultrasons está associado ao "aparelho de sonar", usado nos submarinos actuais, na pesca; e, na medicina, nas ecografias. Um engenheiro 2 francês lembrou-se de fazer algumas experiências com sons. Construiu um "canhão sónico" (que emitia sons na frequência audível de 196 hz). Embora todos os colaboradores tivessem tapado os ouvidos, as ondas sonoras provocaram uma verdadeira fricção no interior do organismo. Se não tivessem interrompido a experiência teriam sofrido graves hemorragias internas.

Construíram depois outro "canhão", desta vez capaz de emitir sons mais próximos do limiar inferior da audição (a 37 hz.). O resultado foi o aparecimento de fendas nas paredes do laboratório.

Finalmente, realizaram a terceira experiência. Emitiram sons na frequência de 7 hz. Estes sons já não se podem ouvir, mas o seu efeito foi bem sentido. Os participantes na experiência ficaram incapacitados de trabalhar mentalmente; tornaram-se agitados, nervosos, etc.

A Natureza também produz infrasons de maneira natural. O vento e os trovões são os principais responsáveis, bem como a actividade sísmica. E alguns motores Diesel também podiam ser responsabilizados por esta "poluição" sonora. Estas experiências mostram como o som podem construir ou destruir e como afectam todos os seres vivos, ainda que não sejam perceptíveis. No ser humano actua através dos canais semicirculares do ouvido, que é onde está localizado o sentido do equilíbrio. Provoca fadiga, irritação, vertigens, náuseas, etc. É possível até que os "encantadores de serpentes", muito vulgares no Oriente, obtenham os seus resultados devido ao facto de os infrasons afectarem o sistema nervoso central destes animais.

O som pode servir até para afugentar certas pragas de insectos e roedores, nos campos e cidades. Bastaria sintonizar a emissão dos sons na frequência mais incómoda para cada espécie animal. Os roedores são sensíveis a frequências que variam entre 15 a 40 khz; os insectos, baratas, etc., tem grande sensibilidade aos sons de 20 a 40 khz; as moscas e mosquitos ficam atormentados com emissões sonoras com a frequência de cerca de 60 khz!

Outro efeito desta gama de sons é de natureza química e electroquímica. Sabe-se que provocam alterações na estrutura de certas moléculas e que podem acelerar algumas reacções químicas. Todos estes efeitos físicos e químicos do som lembram os poderes que algumas tradições mágicas lhe atribuem. De facto, todas as tradições ocultistas atribuem poderes especiais a certos sons. Ora, essas propriedades mágicas não são mais, afinal, do que uma utilização prática de alguns efeitos sonoros, muitos ainda desconhecidos do grande público.

É o que ensina o Conceito Rosacruz do Cosmo. É o som que permite o crescimento espiritual 3 e é responsável pelas alterações dos modelos da flora e da fauna no nosso planeta, situados no plano de consciência que chamamos "segundo céu".

A. R.


1 Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmo, 2ª ed., pág. 290.
2 Vladimir Gavreu, chefe do Laboratório de Electroacústica do Centre National de la Recherche Scientifique, em França.
3 Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmo, 2ª ed., pág. 101.



[ Revistas | Index | Anterior | Seguinte ]