FILOSOFIA

Criação e Evolução

É evidente que o mundo dos nossos dias requer uma ampla transformação em todos os domínios: político, económico e que, sobretudo, com base nessa transformação, se desperte um novo conceito de espiritualidade.

Até agora, a natureza humana tinha como instinto natural a procura da felicidade, variando esta de pessoa para pessoa.

Se os vegetais e os animais obedecem ao seu instinto, tendo em vista só a alimentação e a reprodução, os seres humanos, de maneira geral, e especialmente os indivíduos mais evoluídos, alargam a sua procura de felicidade ao campo do seu convívio com todos os seres vivos, e actuam por motivos de ordem moral e espiritual.

O novo comportamento, perante a existência deste mundo, deve implicar uma fé que tenha como ideal não só a vida material, mas igualmente a crença numa possível existência para além da física.

Essa fé tem de estar em harmonia com os conhecimentos actualmente comprovados e admitidos, portanto assente na razão e na lógica, de maneira que permita encarar o enigma da vida humana na sua essência e na felicidade, ou seja, na existência no mundo material e no mundo espiritual, após a morte do corpo físico.

As religiões têm de ser vistas para além das suas particularidades de preceitos, rituais e cultos. Foram criadas em várias épocas com destino a certos povos e regiões, tendo como desígnio as suas necessidades evolutivas, assim como os aspectos gerais da vida desses povos. Mas, como tudo o mais, as religiões deformam-se com o tempo por a sua doutrina essencial, manifestada desde o início, perder a força e a validade espiritual, que, duma maneira geral, fica reduzida a práticas rituais ou a preceitos de culto, fora do saber generalizado, já desprovidos de profundo sentido espiritual.

Porém, essa doutrina, só por si, revela-nos uma ordem e disposição que impõe a existência dum poder com inteligência omnisciente, assim como uma sabedoria que tudo ordena. E esse Poder, na sua essência, está fora da nossa capacidade de compreensão.

Em geral designa-se tal Poder por Deus, mas essa designação não comporta uma clara explicação, pois difere do significado que lhe atribui cada religião. Pode referir-se a um Poder universal infinito, ou a um Criador circunscrito a um sistema solar e às manifestações de vida em desenvolvimento no mesmo.

Deus não é uma ideia criada pela nossa imaginação ou objecto que os nossos sentidos apreendam, mas cremos que é algo fisicamente invisível, susceptível de estar presente na consciência e no coração, como vida transcendente, como dizem todos os místicos e seres altamente espirituais encarregados por esse Poder para nos instruiem e esclarecerem.

É uma realidade patente nas suas manifestações, nas quais vemos reflectida a força criadora e sabedoria que inclina para o bem e para a perfeição. E são essas manifestações que dão base para a fé que anima os seres humanos.

Quer contemplando a ordem do cosmo com vista reforçada por aparelhos visuais, quer observando as perfeições da natureza em geral e do mundo dos seres vivos (vegetal, animal e humano), torna-se vidente que um Poder Superior tudo domina e ordena directamente ou com a colaboração dos seres em que infundiu as suas faculdades criadoras. Nos artistas, e mesmo em certos artífices, verifica-se essa influência, mas sem que a mesma seja forçada ou imposta. Os seres humanos são dotados de livre arbítrio, ou seja, da faculdade de escolher e de optar. Só assim se tornarão seres independentes nas suas decisões e dispondo de características próprias.

Se prescindirmos daquilo que actualmente é possível conhecer do Universo, e nos limitarmos a procurar conhecer apenas o nosso sistema solar, de que o planeta Terra faz parte e em que vivemos.será mais fácil conhecermos o nosso mundo. Mesmo que se reconheça que, na galáxia a que pertence o nosso sistema solar, existam certamente outros sistemas solares com diferentes manifestações de vida e de evolução. Isso não impede que concentremos a nossa atenção no mundo em que vivemos.

A nossa vida terrestre abrange a manifestação de elementos e seres vivos que formam os quatro reinos da Natureza. Mas, nos planos subtis, invisíveis (emocional, mental e espiritual), é natural que se manifeste uma imensa variedade de formas de seres vivos, seguindo a sua própria evolução em conformidade com a fonte criadora.

O nosso sistema solar tem uma origem de que os cientistas da especialidade não são unânimes em conceber. São diferentes as suas opiniões.

Mas, nos últimos tempos, umas quantas instituições, dedicadas à espiritualidade mística e esotérica (entre as quais a Fraternidade Rosacruz), possuem e vêm expondo o que consideram como verdade neste campo, com reduzidas diferenças de pormenor.

As mais conceituadas dessas entidades inspiradas afirmam que uma autoridade, de extraordinário poder e sabedoria, foi autorizada pelo Ser Supremo a criar um novo centro de vida, destinado ao desenvolvimento das potenciais faculdades das suas criaturas.

Na próxima vez iremos ver como as várias hierarquias espirituais contribuiram para o desenvolvimento de outros seres nesse novo centro de vida – a Terra.

Q. de S. V.




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