FILOSOFIA
Reflexões Sobre a Espiritualidade
O nosso conceito acerca do homem e do mundo em que vivemos, do Céu que nos cobre e de Deus, é todo baseado no que os nossos sentidos nos mostram e revelam. Poucas vezes recorremos ao discernimento intelectual e muito menos às tradições religiosas.
Na realidade, aquilo que nós somos não se limita ao corpo físico. Este é um simples instrumento para a nossa existência no mundo material.
Os mais consagrados mestres nos assuntos espirituais, entre os quais se distingue Max Heindel, ensinam que o ser humano é formado de um corpo denso e de corpos mais subtis, como sejam o corpo vital, o corpo de desejos e a mente. E, para além de todos eles, há o espírito, que nos foi dado no princípio da nossa evolução. Nessa altura era um "espírito virginal", como lhe chamou Max Heindel, por ainda não ter experiências adquiridas.
O mundo em que vivemos não é só aquilo que vemos. Este nosso mundo físico resulta do encadeamento de energias e situações, que não são acidentais, todas conjugadas com um propósito espiritual, embora sem termos percepção disso.
Quer o nosso corpo físico, quer o mundo que nos rodeia, foi-nos outorgado com o fim de, com ele e por meio dele, aprendermos as diversas lições que as experiências do dia-a-dia nos proporcionam.
Os acontecimentos em que nos vemos envolvidos são o resultado de influências e circunstâncias actuais, assim como de acções do passado que se reflectem na nossa vida presente. Temos, pois, que pôr de lado a ideia simplória que temos acerca de nós e do mundo em que vivemos.
E, quanto ao conceito de Deus, para os que acreditam na sua existência, há, em regra, uma ideia demasiado simples, que O transforma em algo de ilógico e de irracional, com figura humana e até com a intervenção limitada ao mundo tal como o vemos.
Para a generalidade das pessoas, Deus apresenta-se com figura humana, quando todas as tradições religiosas nos dizem que o homem é que foi criado à Sua imagem. Quando procuramos seriamente possuir um conceito divino para além do restrito ao nosso actual mundo e à presente realidade humana, começa a vislumbrar-se algo de transcendente, que ultrapassa os nossos mais elevados raciocínios.
Como Jesus Cristo disse, Deus é espírito, ou seja, é uma força ou poder, omnisciente, que tudo penetra e cria com amor, para o bem e para a perfeição das Suas criaturas. Não é uma espécie de artífice que se dedica a executar os pormenores da criação material e do homem físico, mas sim um verdadeiro Poder Criador, que infunde a sua influência nos protótipos criados, nas imensas hierarquias espirituais que o acompanham e que com Ele colaboram.
O que a Natureza e o mundo natural nos mostram aos sentidos físicos, é consequência de um distante e prolongado desenvolvimento no mundo terreno. A nossa visão deficiente do mundo espiritual e, consequentemente, o nosso conhecimento imperfeito acerca dele, leva-nos a pensar que tudo o que vemos e nos rodeia foi obra instantânea, principiada e acabada em meia dúzia de dias. Tudo obedece a um desenvolvimento contínuo, desde há muitos milhões de anos, sem precipitações, sempre com uma finalidade espiritual capaz de nos levar à concretização dos desígnios divinos. A criação não é obra de um capricho de Deus. É o resultado de uma finalidade superior.
Com Deus trabalham as mais variadas e elevadas criaturas. As religiões populares dão-nos algumas imagens e até nomes para as identificarmos, tais como: Anjos, Arcanjos, Querubins e Serafins, entre outros. Mas consagrados espiritualistas do nosso tempo dão-nos uma informação mais esclarecida e mais desenvolvida acerca das numerosas hierarquias ou forças espirituais que colaboram com o Criador.
Além das hierarquias celestes, devemos ter presente que um número elevado de espíritos humanos que completaram a evolução normal terrestre, e prosseguem nos planos subtis uma acção meritória, actuando em perfeita conformidade com a vontade divina, ajudando os seus irmãos menos evoluídos para prosseguirem o seu desenvolvimento. O mundo, tal como está e em que vivemos, passa a cada momento por uma infinidade de transformações. São provocadas por vibrações espirituais, da mais simples às mais complexas, tendo sempre como objectivo a concretização do bem e da perfeição, em graus sucessivamente mais expressivos e elevados da vida humana, que se deseja livre e independente.
Os seres superiores, das hierarquias já referidas, não têm formas que os individualizem; distinguem-se entre si pelas suas faculdades, tendências e atitudes principais.
Os homens, principalmente na actualidade, são dirigidos por impulsos, associados aos prazeres materiais e emocionais; mas esses comportamentos só por si não os encaminham para Deus nem para a felicidade real que desse caminho resulta. Só a aproximação consciente de Deus concede felicidade permanente, ao contrário dos prazeres, que se desvanecem após momentânea e passageira satisfação, deixando um vazio ou insatisfação que a repetição dos mesmos não resolve.
Esses prazeres autênticos,que também fazem parte da vida, é que são duradouros. De facto, a vida não se limita ao período que vai do nascimento físico até à morte. Prolonga-se eternamente, pela por todo o sempre.
Q. de S. V.
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