FILOSOFIA
Nós e a Escrita
Somos um complexo de espírito e matéria, invisível e visível, inteligente ou estúpido. E todos o sabemos; afirmá-lo, não desperta o menor interesse. Em todo o caso, não será mau discorrermos um pouco acerca deste assunto, para vermos algo do que ele é e para recebermos alguma luz a tal respeito.
O que somos, de facto, não está visível! A inteligência não se vê. Não se enxerga a estupidez. Mas elas podem manifestar-se de modo natural e produzir os seus efeitos, que ficam patentes à vista de toda a gente.
O que de nós se vê é ilusório: é o que se formou do pó e ao pó regressará quando o que realmente somos se afastar definitivamente.
Enquanto o espírito se mantém na forma física, que é o corpo, este vive e conserva-se activo. Mas, quando adormecemos, o corpo perde quase toda a sua acção; e, na morte, com a acção perde a vida que o animou e apodrece, como os frutos; decom-põem-se, desaparece. Mas o espírito que o animou permanece eternamente. Por isso, o que realmente existe e se mantém não é o que vemos, mas o invisível. É o que chamamos espírito e nas conversas que temos uns com os outros designamos por EU.
Ora, este EU, que invisivelmente ocupa cada uma das células dos nossos corpos, é quem pensa, aprecia, ri, chora, faz mal ou faz bem e, assim, umas vezes vêmo-lo a revelar boas qualidades de inteligência, outras o exactamente contrário, para então concluímos que se trata de uma pessoa inteligente ou que só se revela estupidez. E, como o EU se manifesta através da forma física, é por meio dela emite um pouco de si mesmo, quando escreve com uma caneta de tinta permanente. Diz-nos, então, por meio do traço caligráfico, tudo o que vale, uma vez que a escrita não é mais do que uma sucessão de gestos do EU. E pelos gestos pode-se avaliar quem os faz. Podemos estudar o ser humano pelos seus escritos. Para esse fim surgiu uma ciência que tem o nome de GRAFOLOGIA. É aproveitada oficialmente em alguns países cultos para descobrir a vocação profissional, para o recrutamento de trabalhadores, assim como também para a investigação criminal, com excelentes resultados. Todavia não falaremos hoje de GRAFOLOGIA, mas apenas da emissão de magnetismo que, inconscientemente, fazemos ao escrever.
Não é em vão que, durante o tempo que escrevemos, firmamos a vista na ponta da caneta para com maior precisão desenhar as letras. O esforço tem de convergir para ali e, deste modo, um fio de magnetismo, elaborado pela nossa alma, escapa-se-nos da mão para a caneta e desta para o papel, onde, graças à afinidade com a água usada no fabrico da tinta, impregna a folha de papel. Assim, uma carta escrita com tinta líquida, fluída, leva sempre algo de nós, capaz de impressionar quem a recebe. Quem a lê sente que o autor está perto! O mesmo não sucede quando a carta é escrita a lápis, à máquina, ou por qualquer outro meio: neste caso, a sensação é a de distância, de indiferença ou de desinteresse do autor. É que o papel vai impregnado com o magnetismo que o EU do autor da carta elaborou e exterioriza de várias formas, incluindo a escrita. E, muitas vezes, esta exteriorização provoca uma autêntica onda de simpatia – ou de antipatia – à simples aproximação de duas pessoas, de alívio ou de agravamento do sofrimento.
De facto, pela acção do magnetismo podemos remover muito sofrimento, se soubermos dirigir o fluxo para o enfermo, com o cuidado necessário para evitar o contágio.
Os grandes seres que velam pela nossa evolução e nos acodem no caso de sofrimento, quer seja físico ou moral – através do "serviço de cura" – utilizam o magnetismo que fica impregnado nos pedidos de ajuda que lhes são dirigidos, para conhecerem o estado de saúde e estabelecerem contacto com os interessados no seu auxílio. Por esta razão, as pessoas que pedem auxílio espiritual devem escrever, sempre, com tinta, a informação semanal sobre o estado em que se encontram e remeter ao seu destino estas informações, assegurando, assim, assistência mais eficiente e constante. Entre nós e a escrita que fazemos há uma íntima relação, muito mais importante do que se julga. Por ela, podem-se conhecer as nossas virtudes e defeitos desconhecidos. E pode servir também de meio para receber ajuda espiritual, dando ao nosso carácter mais harmonia e conquistando maior soma de felicidade – para nós e para os que vivem no mesmo ambiente.
Cristófilo
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