FILOSOFIA
O Limbo Misterioso da Religião
A Religião Católica, estruturada sobre um maravilhoso corpo de doutrina cheio de ciência espiritual, guarda nos seus símbolos e sacramentos uma sabedoria profunda, ainda que esquecida lamentavelmente. Daremos hoje uma breve nota sobre o Limbo, com o propósito de instruir os nossos leitores, sempre ávidos de conhecimento espiritual, prontos para buscar o conhecimento das coisas na sua própria origem.
O Limbo não é um lugar, um mundo, mas um estado, uma situação no plano espiritual, onde entramos ao morrer, e do qual não passam as almas, ou, melhor, os egos separados violentamente dos seus corpos. Deste estado se regressa novamente à vida material por meio de um renascimento, no mesmo sexo ou no oposto àquele que se tinha.
Quando a morte vem naturalmente, ao fim da vibração do arquétipo, o ego desprende-se do seu corpo físico e entra logo no Limbo, ainda inconsciente; e aí se encontra com as formas criadas pelos seus desejos de natureza inferior.
O Limbo é um vasto armazém ou museu de formas demoníacas criadas pelos seres humanos. Os Rosacruzes chamam a este plano espiritual "Mundo de Desejos"; no Oriente, onde predominou a língua sânscrítica, chama-se-lhe kamaloka. Esta palavra é composta por kama, o desejo inferior, e loka, o lugar onde pairam essas desagradáveis formas originadas nos desejos sórdidos.
De tudo isto se conclui que nós, ao deixarmos esta vida, vamos encontrar-nos com o que fizemos dando o nosso coração a práticas grosseiras, vis. Porém, o conhecimento não nos ajuda aí, visto que permanecemos num estado de inconsciência.
Os suicidas vivem largamente neste plano e dele hão-de voltar a esta vida por um novo renascimento, quando chegar a altura própria.
As crianças que morrem ao nascer ou de tenra idade, por via de regra até aos 14 anos, passam indiferentemente por este plano e entram logo no estado celeste, donde voltarão ao renascimento, em curto prazo. Algumas renascem muito depressa, em poucos meses ou anos, e quase sempre no mesmo sexo. Assim o temos verificado.
Não está certa a teoria religiosa a respeito do Limbo, pois ali ninguém se perde para sempre, mas apenas passamos, por ser o limiar do Mundo Espiritual, a nossa verdadeira pátria. Todavia, muitos, que viveram para a luxúria, ficam nesse estado muito tempo, pois até ignoram que morreram e desejam continuar dando largas à sua luxúria e maldade, buscando pessoas com tendências mediúnicas para se aderirem a elas e as induzirem à prática luxuriosa. Por esta razão, nunca será de mais aconselhar as pessoas a resistirem, por todas as formas, à influência dessas entidades perigosas, que pairam no Limbo. Podem levá-las à loucura e a práticas condenáveis, que conspurcam a sua moral e arrasam a sua vitalidade.
O Limbo é um grande perigo para os médiuns, pois as entidades mais facilmente podem comunicar com eles são as que pairam nas condições do Limbo; e são também os elementos utilizados na magia negra ou bruxaria.
O Limbo é a antecâmara do Purgatório, de que falaremos noutro artigo.
As crianças que morrem não passam do Limbo ao Purgatório, mas primeiro Céu, donde, novamente regressam à matriz, onde organizam um novo corpo para renascer.
Deus seria tremendamente injusto se deixasse ficar eternamente, Limbo as almas das crianças, que ficam sem os seus corpos ao nascer motivos estranhos à sua vontade. Por isso mesmo, baptizadas ou não, todas as crianças vão do Limbo ao primeiro Céu, onde se preparam para o renascimento num novo corpo.
Francisco Marques Rodrigues
[ Revistas | Index | Anterior | Seguinte ]